quarta-feira, 28 de setembro de 2011

VI COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA 28, 29 e 30 de setembro de 2011

ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E DIVERSIDADE CULTURAL/UEFS
CURSO CASTRO ALVES 2011 – VI COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA
28, 29 e 30 de setembro de 2011

PROGRAMAÇÃO GERAL
Local: Auditório Magalhães Neto –ALB

28/09 – Quarta-feira
14h30 – Sessões de Comunicações
17h – Filme: Castro Alves (direção: Silvio Tendler)
18h – Abertura. Aramis Ribeiro Costa (ALB)
Coordenação:Carlos Ribeiro (UFRB/ALB)
Conferência: As raízes libertárias de Castro Alves na vanguarda baiana
Três exemplos: Glauber Rocha, Milton Santos e Carlos Marighella
Conferencista: cineasta Silvio Tendler

29/09 – Quinta-feira
14h30 – Sessões de Comunicações
17h00 – Mesa redonda:
Coordenação: Aramis Ribeiro Costa (ALB)
Castro Alves: Lições de poesia
Evelina Hoisel (UFBA/ALB)

O impacto da alta e da baixa auto-estima de Castro Alves em sua poesia
Joaci Góes (ALB)

28/09 – Sexta-feira
14h30 – Sessões de Comunicações
17h00     – Conferência de encerramento
Coordenação: Aleilton Fonseca
Conferência: Castro Alves : Hermano de los pobres, hijo de la tempestad
Conferencista: María Pugliese (poeta, professora da Universidad Nacional de Luján/Argentina)

Presidente: Aramis Ribeiro Costa
Coordenação: Aleilton Fonseca


SESSÕES DE COMUNICAÇÕES 

Dia 28/09 - quarta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 1 – Leitura e questões literárias
Auditório Magalhães Neto
Coordenação: Mônica de Menezes Santos (UFBA) 


O RITUAL NO JARDIM: LOCAL DE TRABALHO PARA LEITORES “MENORES”
Mônica de Menezes Santos (UFBA)

CARTA ABERTA AO POETA CASTRO ALVES
Mônica de Jesus Lopes (Pos-grad./UFBA)

O TEATRO DE CASTRO ALVES E A FIGURA DO NEGRO
Valda Suely da Silva Verri (UEL)

POÉTICAS DO ESPAÇO EM TERESA BATISTA CANSADA  DE GUERRA,  DE JORGE AMADO
Taise Teles Santana de Macedo (UNEB)

TRIÂNGULO SOB O SOL: UMA LEITURA DO CONTO “SOL”, DE VASCONCELOS MAIA
Josimeire dos Santos Brazil (UEFS)

ENTRE RUAS E BECOS: FACETAS DE UMA CIDADE NA LÍRICA DE EURICO ALVES
Tatiane Santos de Araújo (PPgLDC – UEFS)

A CIDADE DE SALVADOR EM SEUS MÚLTIPLOS ASPECTOS: LEITURA DO POEMA ELEGIA DE LUÍS ANTONIO CAJAZEIRA RAMOS
Érica Azevedo Santos (PpgLDC/ UEFS/CAPES)


Dia 28/09 - quarta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 2 – Literatura: representações culturais
Auditório Pedro Calmon
Coordenação: Lúcia Tavares Leiro (UNEB)

O CINEMA NA LITERATURA DE HELENA PARENTE CUNHA E SONIA COUTINHO
Lúcia Tavares Leiro (UNEB)

O EU, A CIDADE... E OS CONFLITOS IDENTITÁRIOS DO SÉCULO XX: UMA ANÁLISE NA CONTÍSTICA DE SONIA COUTINHO
Maria Elaine Gomes dos Santos  (UNEB)

HELENA PARENTE E A MULHER NO ESPELHO
Poliana Pereira Dantas

MODERNIDADE, CRISE E PÓS-MODERNIDADE: O PROCESSO DE FRAGMENTAÇÃO DO INDIVIDUO MODERNO E O SURGIMENTO DE NOVAS IDENTIDADES E SUAS REPRESENTAÇÕES NA OBRA DE ENOCH CARNEIRO
Eduardo Pereira Lopes (PpgLDC-UEFS)

AMOR, ÓDIO, AVENTURA E VINGANÇA EM  AS VELHAS DE ADONIAS FILHO
Vanessa dos Santos Reis (PpgLDC / UEFS)

A MEMÓRIA COMO ELEMENTO DISCURSIVO EM A PROCISSÃO E OS PORCOS DE JORGE MEDAUAR
Juciene Silva de Sousa Nascimento (FADBA)

UM “CABRA” DE VERDADE: CONSTRUCTOS DA MASCULINIDADE EM SARGENTO GETÚLIO, DE JOÃO UBALDO RIBEIRO
Mônica Naiara Pereira da Silva Santos (PpgLDC/UEFS)
Joyce Maria dos Reis Santana (PpgLDC/UEFS)

Dia 28/09 - quarta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 3 – Literatura, questões literárias e culturais
Sala de Reunião (Térreo)
Coordenação: Valéria Lessa Mota (UEFS)


AS MÚLTIPLAS FIGURAÇÕES DO SUJEITO LÍRICO NA POESIA DE RUY ESPINHEIRA FILHO
Valéria Lessa Mota (UESB)

UMA HISTÓRIA DO TEMPO DA ERA: PROCESSOS FICCIONAIS E HISTÓRIA NO ROMANCE DE RUY ESPINHEIRA FILHO
Milca Borges Luz (UESB)
Valéria Lessa Mota (Orientadora-UEFS)

A MODERNIDADE EM SOSÍGENES COSTA: PANORAMA SOCIAL E ESTÉTICO
Thalline Fernanda Ribeiro Dias Miranda(UESB)
Valeria Lessa Mota (Orientadora-UESB)

SIGNIFICAÇÕES E RESSIGNIFICAÇÕES DA MESTIÇAGEM NA OBRA AMADIANA DOS ANOS 1930 - ALGUMAS QUESTÕES
Antonio Carlos Monteiro Teixeira Sobrinho (PPGEL/UNEB/CAPES)

HISTÓRIA E CULTURA SERTANEJA ATRAVÉS DO LÉXICO NA OBRA ESSA TERRA DE ANTÔNIO TORRES
Ana Célia Coelho (UEFS)
Ivanete Martins de Jesus (UEFS)
Jacilene Marques Salomão (UEFS)

O CÉU DEPOIS DA CHUVA
Janaína Ezequiel França (UFRB)
Carlos Ribeiro (Orientador-UFBR)

MIGRAÇÕES BIGRÁFICAS EM NHÔ GUIMARÃES, DE ALEILTON FONSECA
Livia Drummond (UFBA)
Antonia Torreão Herrera (Orientadora-UFBA)

Dia 28/09 - quarta-feira – 14h30
Sessão de comunicações  4 – Leituras críticas: prosa e poesia
Sala Edith Gama (Térreo)
Coordenação: Benedito Veiga (UEFS)

JORGE AMADO E A HORA DA GUERRA: ASPECTOS DA VIDA DE RUI BARBOSA
Benedito José de Araújo Veiga (UEFS)

CONSCIÊNCIA E SIGNIFICADO: A IMPORTÂNCIA DA CONTEMPLAÇÃO NA POÉTICA DE ANTONIO BRASILEIRO
Joaquim Gama de Carvalho (PpgLDC/UEFS)

EUCLIDES NETO: PELA CONSTRUÇÃO DO “REAL”
Ulisses Macêdo Júnior (PpgLDC/UEFS)

O INTERDISCURSO EM O TEMPO É CHEGADO, DE EUCLIDES NETO
José Radamés Benevides de Melo (IFBA)

CIDADE E SERTÃO NA POESIA DE EURICO ALVES
Maria do Socorro Barbosa de MIRANDA (CSAJ)

A CIDADE EM QUE ME PERCO: AS FACES DE SALVADOR NA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE JOÃO FILHO
Lilian Daianne Bezerra Mota (PPG LitC- UFBA


Dia 29/09 - quinta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 5 – Leituras, cultura e representações
Auditório Magalhães Neto
Coordenação: Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)


LITERATURA DE JORNAL E MEMÓRIA PERFEITA: A BAHIA NOS TEXTOS DE JOÃO PARAGUAÇU
Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)
Danilo Cerqueira de Almeida (UEFS)

MEMÓRIAS DO VALE, JACUBA, DE WILSON LINS
Maurício de Oliveira Santos (UEFS)
Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)

PATHOS E SIMPATIA NA TRAJETÓRIA DO PERSONAGEM SEM-PERNAS NO ROMANCE CAPITÃES DA AREIA, DE JORGE AMADO
Léa Costa Santana Dias (UNEB / UFBA)

IDENTIFICAÇÃO E HEROÍSMO EM CAPITÃES DA AREIA, DE JORGE AMADO
Gilson Antunes da Silva (PPGLitC/UFBA)

CRÔNICAS DE UMA FAMÍLIA SERTANEJA: O REALISMO MÁGICO NA OBRA DO ESCRITOR BAIANO ARAKEN VAZ GALVÃO
José Moacir Fortes Saraiva (IFBA)

AS TRÊS BADALADAS DO RELÓGIO DA TORRE, OU FRAGMENTOS DE ACONTECIMENTOS ESPANTOSOS QUE REGEM O COMPORTAMENTO DO HOMEM MODERNO
Andreia Ferreira Alves Carneiro (PPgLDC/UEFS/CAPES)

ASPECTOS PSICOLÓGICOS: A DUPLA PERSONALIDADE EMO INÉDITO DE KAFKA, DO ESCRITOR BAIANO MAYRANT GALLO E O ESPELHO, DE MACHADO DE ASSIS
Vera Lúcia Rodrigues de Melo (UNEB)
Eliene da Fé Rabelo (UNEB)
João Evangelista do Nascimento Neto (Orientador- UNEB)



Dia 29/09 - quinta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 6 – Literatura: imagens, mulher, cidades
Auditório Pedro Calmon
Coordenação: Rosana Ribeiro Patricio (UEFS)

DA METONÍMIA À METÁFORA: MULHERES AMADIANAS EM FIGURAÇÕES DE VARIADOS TONS
Fernanda Mota Pereira (UFBA)

(DES)CAMINHOS DAS LEITORAS DE ROMANCES: O CASO DAS  PERSONAGENS AMADIANAS ESTER E MALVINA
Edinage Maria Carneiro da Silva (PpgLDC/UEFS)

A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO ROMANCE ATIRE EM SOFIA, DE SÔNIA COUTINHO
Catherine Santana Souza (UESC)
Sandra Maria Pereira do Sacramento (Orientadora –UESC

A REPRESENTAÇÃO DA CIDADE DE SALVADOR NO POEMA “TEMPOS DE ARLEQUIM” DE FLORISVALDO MATTOS
Josenilce Rodrigues de Oliveira Barreto (UEFS)
Rosana Ribeiro Patricio (Orientadora – UEFS)

IMAGENS DA CIDADE E DA NATUREZA NA FICÇÃO DE CARLOS RIBEIRO
Márcia Neide dos Santos Costa ( IC-UEFS)
Aleilton Fonseca (Orientador – UEFS)

A REPRESENTAÇÃO DA MORTE NO POEMA “OS MORTOS ESPERAM” DE TELMO PADILHA
Gleide Conceição de Jesus (UEFS)
Rosana Ribeiro Patricio (Orientadora- UEFS)

POÉTICA DE AFIRMAÇÃO SOCIAL EM “A NOITE DA LIBERDADE”, DE JOSÉ CARLOS LIMEIRA
Edilene Silva Bahia de Souza (PpgLDC/UEFS)




Dia 29/09 - quinta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 7 De mulheres, memórias e outras tramas:
Estudos em torno da obra de Myriam Fraga
Sala de Reunião (Térreo)
Coordenação: Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (UNEB)


POR UMA POESIA DO IMPOSSÍVEL: UMA LEITURA DE O LIVRO DOS ADYNATA, DE MYRIAM FRAGA
Ricardo Nonato A. de A. Silva (UNEB)

Nas sombras da cidade: a ruptura dos sonhos estáveis nas casas poéticas de Myriam Fraga
Thais Rabelo de Souza (UNEB/PICIN)
Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (Orientador-UNEB)

O BESTIÁRIO DE MYRIAM: AS MÚLTIPLAS FACES DA MULHER MONSTRO
Jéssica Pereira Torres (UNEB)
July Ane da Silveira Soares (UNEB)
Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (Orientador -UNEB)

“TRAJETÓRIA”: IMAGENS DA MULHER EM MYRIAM FRAGA
Adriana Maria de S. Novais (UNEB)
Maria Aurinívea de Assis (Orientadora -UNEB/ UFBA-CAPES)

IMAGENS DA CIDADE DE SALVADOR NA POESIA DE MYRIAM FRAGA
Veronica Almeida Trindade (UEFS)
Rosana Maria Ribeiro Patrício (Orientadora-UEFS)

O MITO DA MULHER FATAL: DESLOCAMENTOS NA POESIA DE MYRIAM FRAGA              
Antonia Ferreira dos Santos (UNEB)
Adriana Carlos de Figueiredo (UNEB)
Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (Orientador-UNEB)

O DESTINO TRÁGICO DO HOMEM EM O PÁSSARO DO SOL, DE MYRIAM FRAGA
Ana Carolina Carmo Silva (UNEB) - Áquila Naiane Oliveira da Silveira (UNEB)
Gláucia Batista dos Santos - Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (Orientador-UNEB)


Dia 29/09 - quinta-feira – 14h30
Sessão de comunicações  8 – Questões literárias e culturais
Sala Edith Gama (Térreo)
Coordenação: Ângela Vilma (CFP/UFRB)


“SIM, SENHORA”: UM CONTO DE GLÁUCIA LEMOS
Ângela Vilma (CFP/UFRB)

A TRAJETÓRIA DO HERÓI PROBLEMÁTICO NAS AREIAS DA BAHIA: UMA ANÁLISE DO PERSONAGEM PEDRO BALA, DA OBRA CAPITÃES DA AREIA, DE JORGE AMADO
Dislene Cardoso de Brito (PPGLitC/UFBA- IF Baiano)

ESTUDO SOBRE OUTRAS INTERVENÇÕES/REFLEXÕES EM OS SERTÕES E O PENSAMENTO EUCLIDIANO PARA SUA GRANDE OBRA
Marcos José de Souza (Rede Estadual de Ensino da Bahia)

SEARA VERMELHA DE JORGE AMADO: MATRIZES INTERTEXTUAIS DE OS SERTÕES
Laís Fernanda Correia de Oliveira (UNEB)
Iraci Simões da Rocha (Orientadora – UNEB)

TERRA AMADA, TERRA ODIADA: DESLOCAMENTODS DO SUJEITO NO ROMANCE ESSA TERRA, DE ANTONIO TORRES
Ana Cristina da Silva Pereira (UNEB) 
Iraci Simões da Rocha (Orientadora - UNEB)

BRANCA DIAS: MULHER E JUDIA, MAL ABSOLUTO
Rosana Chaves (PPG Linguagens e Representações/UESC)
Orientadora: Prof. Dra. Carla Milani Damião
Co-orientador: Prof. Dr. André Mitidieri 

A ESSÊNCIA DA VISÃO , EM O INÉDITO DE KAFKA,  DE MAYRANT GALLO 
Perivaldo Costa Pinto Junior (UFRB)
Carlos Ribeiro(Orientador / UFRB)

Dia 30/09 - sexta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 9 – Literatura, dramaturgia e sociedade baiana
Auditório Magalhães Neto
Coordenação: Rosa Borges dos Santos (UFBA)

ILDÁSIO TAVARES NA CENA BAIANA: UMA LEITURA DO TEXTO TEATRAL CENSURADO
Rosa Borges dos Santos (UFBA)

LITERATURA DRAMÁTICA INFANTO-JUVENIL: A VOZ DA RESISTÊNCIA EM TEMPOS DE CENSURA MILITAR NA BAHIA
Adriele Lacerda Benevides (FAPESB – IC / UFBA)
Fabiana Prudente Correia(PPGLitC/UFBA)
Rosa Borges dos Santos (Orientadora - UFBA)

A DRAMATURGIA DE JUREMA PENNA NA IMPRENSA: UMA INCURSÃO PELOS PERIÓDICOS BAIANOS
Isabela Santos de Almeida (PPGLitC/UFBA/ IF Baiano)
Rosa Borges dos Santos (Orientadora -PPGLitC/UFBA)

ARIOVALDO MATOS NA CENA LITERÁRIA BAIANA
Mabel Meira Mota (UFBA/PGLitC- Capes)
Rosa Borges dos Santos (Orientadora – UFBA)

ANTONIO CERQUEIRA E NIVALDA COSTA: O TEATRO AMADOR BAIANO COMO “UMA ARTE DE DRIBLAR LEÕES E ATACAR DRAGÕES”
Williane Silva Coroa (UFBA)
Débora de Souza (UFBA)
Rosa Borges dos Santos (Orientadora –UFBA)

CLEISE FURTADO MENDES: TEORIA, DRAMATURGIA E SUAS ESTRATÉGIAS
Eduardo Silva Dantas de Matos (PPGLitC-UFBA)
Rosa Borges dos Santos (Orientadora- UFBA)

COM A PALAVRA, O NARRADOR: UMA ANÁLISE DO CONTO ARMADO CAVALEIRO O AUDAZ MOTOQUEIRO, DE HERBERTO SALES
Dinameire Oliveira Carneiro Rios (PpgLDC-UEFS)



Dia 30/09 - sexta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 10 – Literatura e crítica textual
Auditório Pedro Calmon
Coordenação: Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS)


AFRÂNIO PEIXOTO E SUA REPRESENTATIVIDADE EDITORIAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS)
Érica Azevedo Santos (PpgLDC/UEFS)

O CONSERVADOR: LOCO DE ALGUNS AUTORES BAIANOS  
Maria da Conceição Reis Teixeira (UNEB) 
Ediane Brito Andrade (UNEB)

A OBRA LITERÁRIA COMO ETNOGRAFIA: ESTUDO ANTROPOLÓGICO DO ROMANCE GABRIELA CRAVO E CANELA DE JORGE AMADO
Vanessa Oliveira Silva Gama (IC/UEFS)
Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz  (Orientadora-UEFS)

DE MARGEM A MARGEM: UM PERCURSO EM TORNO DO CONTO A TERCEIRA MARGEM DO RIO DE GUIMARÃES ROSA
Jaqueline Cardoso da Silveira (PPgLDC/UEFS)
Roberto Henrique Seidel (Orientador- UEFS)

PERFIS NORDESTINOS NA OBRA DO ESCRITOR E CINEASTA BAIANO OLNEY SÃO PAULO
Juliana Cordeiro de Oliveira Silva (UEFS)
Claudio Cledson Novaes  (Orientador-UEFS)

LITERATURA E MULHER: UM OLHAR SOBRE AS IDENTIDADES EM MULHER NO ESPELHO
Maria das Graças de Carvalho César (Educ. Oliveira Brito)
Lílian Almeida de Oliveira Lima (Orientadora-UNEB)

A CONFIGURAÇÃO DA MULHER EM CORDEL SUL-BAIANO
Andréia Batista Lins (Pós-Grad./UESC)
Sandra Maria Pereira do Sacramento (Orientadora – UESC) 

TRANSLADAÇÃO ERÓTICA DOS GOSTOS DA BOCA E DO CORPO: LEITURA DA CRÔNICA O BATETÊ, DE RUY PÓVOAS 
Juscilândia Oliveira Alves Campos – UNEB/UFBA

Dia 30/09 - sexta-feira – 14h30
Sessão de comunicações 11:
Representações e imaginário na ficção de Aleilton Fonseca
Sala de Reunião (Térreo)
Coordenação: Maria David Santos (PpgLDC/UEFS)

DO TERRITÓRIO SAGRADO DA MEMÓRIA AO IMAGINÁRIO DA CRIAÇÃO LITERÁRIA: RELATOS, FÁBULAS E FICÇÕES EM NHÔ GUIMARÃES E O PÊNDULO DE EUCLIDES DE ALEILTON FONSECA
Maria David Santos (PpgLDC/UEFS)

A INTERTEXTUALIDADE NO ROMANCE NHÔ GUIMARÃES, DE ALEILTON FONSECA
Adna Evangelista Couto dos Santos (PpgLDC-UEFS)
Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (Orientadora-UEFS)

A METAFICÇÃO HISTORIOGRÁFICA PRESENTE EM O PÊNDULO DE EUCLIDES DE ALEILTON FONSECA
Joelson Santiago Santos (UEFS)

REVISITANDO SONHOS: O CONTO “VISITA AO SOLAR”, DE ALEILTON FONSECA, SUAS PAREDES, MEMÓRIAS E CONFRONTOS
Mariana Barbosa Batista (UEFS)

AS VÁRIAS FACES DA MORTE NAS NARRATIVAS DE O DESTERRO DOS MORTOS, DE ALEILTON FONSECA
João Evangelista do Nascimento Neto (UNEB/PUCRS)

MORTE EM ALEILTON FONSECA: A GRANDE SENHORA DA RESILIÊNCIA NO CONTO “O SORRISO DA ESTRELA”
Priscila Vila Flor Gomes (PPGEL/UNEB-FAPESB)
Elmo Dias do Nascimento (UNEB)
Maria de Fátima Berenice da Cruz (Orientadora, Faculdade Santíssimo Sacramento / UNEB)

O PÊNDULO DE EUCLIDES NO IFBA (Pôster)
Conceição Araújo (IFBA)



Dia 30/09 - sexta-feira – 14h30
Sessão de comunicações  12 – Questões de poesia e ficção
Sala Edith Gama (Térreo)
Coordenação: Cleberton Santos (IFBA)


EROTISMOS NA POESIA DE JOSÉ INÁCIO VIEIRA MELO
Cleberton Santos (IFBA)

A POÉTICA DE RUY ESPINHEIRA FILHO NA NAU DE EROS E TÂNATOS
Adriano Eysen (UNEB / PUC-MG)

UM FLUXO EM DE PAIXÕES E DE VAMPIROS, ROMANCE DE RUY ESPINHEIRA FILHO
Diogo Silva de Oliveira (UFRB)
Carlos Ribeiro (Orientador- UFRB)

CHOVE MELANCOLIA SOBRE O MUNDO: REFLEXÕES NA LÍRICA DE RUY ESPINHEIRA FILHO
Mayara Michele Santos de Novais (PpgLDC/UEFS)
Aleilton Fonseca (Orientador – UEFS)


MODERNIDADE E FRAGMENTAÇÃO DO SUJEITO NO POEMA “UM RIO QUE CORRE”, DE ANTONIO BRASILEIRO
Elis Angela Franco Ferreira Santos (PpgLDC/UEFS)

FERNANDO DA ROCHA PERES - UM EU LÍRICO EM DESCOBERTA
Rafaela Giovana Lima Santana (PPGLDC-UEFS)
Aleilton Fonseca (Orientador - UEFS)

A CIDADE E SUAS DOBRAS – APONTAMENTOS E RESPOSTAS ÀS CIDADES NA POESIA DE WALY SALOMÃO
Anisio Assis Filho (UESB/UFBA)

“MEU POEMA ESTÁ NAS RUAS TOMANDO CERVEJA”: A OBRA POÉTICA DE ROBERVAL PEREYR E A DESSACRALIZAÇÃO DA OBRA DE ARTE
José Rosa dos Santos Júnior (UESC)

PRESO AO LAÇO DE FITA A PERCORRER OS CAMINHOS DE UMA FERROVIA: O AMOR PRESENTE NAS LINHAS DE CASTRO ALVES E ÂNGELA VILMA
André Ricardo Nunes Nascimento (UNEB)
João Evangelista do Nascimento Neto (Orientador-UNEB)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O humor nosso de cada dia



Paula Ivony Laranjeira de Souza

Escrever um texto falando de um determinado livro parece algo simples e corriqueiro. Também já pensei assim, mas depois de ler A mulher dos sonhos e outras histórias de humor tenho pensado diferente. Isso porque, tenho receio de magoar a classe livresca, que muito unida podem pedir ao autor a minha degolação, pois creiam-me amigos, livros são objetos perigosíssimos.
O livro é de autoria de Aleilton Fonseca, publicado pela editora Via Liteterarum em 2010. Em suas 124 páginas nos deliciamos com 25 contos que apresentam cenas hilariantes do cotidiano. Crê-se que alguns leitores vão reconhecer nos contos lidos indícios da própria vida, ou a de um amigo, um vizinho, porém com um desfecho inesperado. As histórias são curtas, proporcionando rapidamente o prazer e o riso. Há que se considerar que a literatura humorística ganha mais facilmente o leitor, pois o riso só precisa ser estimulado.  Porém, A mulher dos sonhos, muito mais do que nos permitir um momento de descontração e riso, proporciona ao leitor rir de si mesmo, rir da vida, não da vida em si, mas da imitação da vida. Assim, ao sorrir da imitação da própria vida, o leitor se dá conta de que a racionalidade que lhe é inerente muitas vezes, o faz se perder de si mesmo.
Como salienta Ziraldo,
O humor, numa concepção mais exigente, não é apenas a arte de fazer rir. Isso é comicidade, ou qualquer outro nome que se escolha. Na verdade, humor é uma análise crítica do homem e da vida. Uma análise não obrigatoriamente comprometida com o riso, uma análise desmestificadora, reveladora, caústica. Humor é uma forma de tirar a roupa da mentira, e os seu êxito está na alegria que ele provoca pela descoberta inesperada da verdade.[1]
Nesse sentido, entende-se que despertar o riso ou tocar o senso de humor do leitor é um trabalho árduo, pois requer talento e  uma postura consciente e reflexiva para projetar no texto uma inversão e subversão da ordem vigente. Ou seja, o humor na literatura deve partir de uma ruptura entre a vida e/ou o cotidiano(a imagem tradicional que temos) e a vida representada (imagem reveladora da insensatez). Este contraste revela as incoerências e dissonâncias das ações e valores humanos. Assim, o texto humorístico, além de ganhar a atenção do leitor seduzido pelo prazer da comicidade, na maioria das vezes, reveste-se também de um papel crítico-reflexivo voltado para as ações, neste caso do leitor e/ou expectador.
Como lembra Marília D. da Rosa “A quebra do trivial para o cômico deve conseguir surpreender o leitor de tal forma a instigá-lo, agradá-lo, mas isso só ocorrerá se causar a identificação do leitor com o fato. Por isso, é importante considerar tanto o conhecimento do leitor quanto seus hábitos e cultura para criação de uma comédia, principalmente no tocante à intertextualidade”(ROSA, 2009, p. 16). Assim, entende-se que o senso de humor durante uma leitura varia de pessoa para pessoa, dependendo muitas vezes de alguns condicionantes.
Quando recebi pelo correio em agosto de 2010 o meu exemplar de A mulher dos sonhos, corri para fazer a leitura e não deu outra: risos ecoaram pela casa bem como certo encontro com uma razão irracional. Assim, informo que a epigrafe utilizada no inicio do livro, cumpriu-se. “O meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta, quando lesse minha história no jornal, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse “- Aí meu Deus que história mais engraçada” – Rubem Alves. Bem a casa não é cinzenta, tem pastilhas pretas. Mas a moça sorriu!
A leitura começa. No primeiro conto, O pai dos sábios, conhecemos a realidade dos apaixonados por livros, fato que me levou a crer que é muito arriscado tê-los em apartamentos. Além de serem “más influencias” para os jovens de todo um prédio, podem causar divorcio, expulsar moradores de casa, mas também podem ser vistos como um pelotão de fuzilamento, “se os dicionários resolvem pular em minha cabeça, matam-me na hora”(p. 20) um perigo, não acham? Assim o primeiro conto nos é apresentado  carregado de ironias.
Todo o livro é uma coletânea tipos e situações corriqueiras, com elementos conhecidos do leitor. Recomendo a casais que leiam, vocês vão se surpreender com algumas situações que sempre acontecem com os amigos de vocês. Claro que com vocês nunca acontece. Nos contos A mulher dos sonhos e Sacolas castanhas, temos uma situação bem comum na vida de mulheres ciumentas: “Sonhei que você está me traindo(...)Não se faça de desentendido: sonho é intuição. Se explique - agora!”(p. ) e “Sonhei que voce tinha ido embora com duas sacolas castanhas. Eu ri as gargalhadas. Expliquei que sonho são bobagens inventadas pelo cérebro desocupado durante o sono”(p.97)  mas vá explicar isso à mulheres que têm os sonhos como condutores de avisos.
Os dilemas conjugais são matéria riquíssima e bem aproveitada por Aleilton em várias facetas: Folga da empregada é uma boa situação para degustar os direitos adquiridos pelas mulheres com o levante feminista: futebol na TV, homem pilotando fogão e a mulher dando um passeio. Prato cheio para o riso em Receita caseira; já em Briga de casal o problema é mais sério, até porque a briga alcança alto nível vocabular, chegando o marido a assumir diante do amigo que presenciava a briga “Eu sempre soube que sou solipsista”(p. 47), o amigo é que fica sem nada entender com este tal soliptista. Mas Aleilton continua mexendo nos casamentos, desta vez,  tentativas de quebrar a rotina após algum tempo de bodas como em: Marilda Ama Omar,  Domingo no motel e Santa de casa; outras situações na vida de um casal também ganham destaque nas páginas deste livro como: compra de produtos que se referem a intimidade pessoal; ida de casais a restaurantes, aliás, lugar oportunidade para as mulheres apresentarem às amigas o ponto fraco dos maridos; sem contar a necessidade de fazer um filho, todos estes presentes em:  Compras especiais, Comédia conjugal e  Noite de Núpcias. Mas o mais surpreendente é saber que ainda há casais que só passam a existir por conta de homens tão abnegados e apaixonados que até torcem pelo Bahia mesmo sendo Vitória de corpo e alma como retratado em BA-VI em família.
Outras temáticas do cotidiano fervilham e acrescentam pitadas de humor à vida de qualquer leitor: as neuroses em tempo de surto de dengue, é o que se vê em Caso de dengue; Alô, telemarketing, Emprego temporário. E como em todo bom conto humorístico o que vale é o desfecho imprevisto, os convido a desopilar o fígado em, É a mãe,  O galanteador, e Uma informação por favor  além de outros contos.
Assim, com brilhantismo, sendo breve e conciso, Aleilton reconstitui cenas cotidianas apresentando situações e personagens comuns que bem manipulados se tornam condutores de um discurso cômico que liga o real vivido à realidade representada, transformando, assim, fatos corriqueiros  em elemento e motivo para o riso.  Aleilton é mestre em transformar nossas vivências em material literário. Na maioria dos seus livros, ele burila em nossas emoções arrancando lágrimas. Neste livro também tem feito algo semelhante, porém, trazendo o cotidiano como material para o risível, convidando-nos a rirmos de nós mesmos. Deste modo, pode-se dizer que ele figura para a literatura como um autor representativo da epifânia da emoção, conduzindo o leitor às lagrimas e ao riso.
Como diz Flavio Moreira da Costa na introdução aos Os cem melhores contos de humor da literatura universal:  “Mas chega, senão esta introdução corre o risco de ser escrita de terno, gravata e de colarinho duro. O leitor, calculo eu, está querendo roupa folgada e um lugar confortável para ter lá seus bons momentos de humor, e não ser obrigado a pensar sobre ele.”





 



[1] Revista Veja, 31 de dez. de 1969.

sábado, 23 de julho de 2011

III Semana de Letras e o I Encontro de Literatura Baiana.


O Colegiado de Letras do DCH – Campus VI da UNEB e o projeto A Quinta da Arte promovem nos dias 27, 28 e 29 de julho de 2011 a III Semana de Letras e o I Encontro de Literatura Baiana.

  O evento contará com a participação de escritores baianos, de editores e de pesquisadores que debaterão sobre leitura, literatura e linguagens, temáticas que perpassam as conferências, mesas redondas, mesas temáticas e momentos culturais.

  O objetivo do encontro é promover o diálogo entre as produções artísticas e as produções científicas que circulam nos meios acadêmicos e nos espaços alternativos de construção do conhecimento para preservação da memória cultural, em especial da Bahia. Tem como público alvo: pesquisadores e profissionais das diversas áreas do conhecimento, pesquisadores de iniciação científica, de pós-graduação, alunos de diversas graduações e demais interessados. Veja mais informações e a programação completa AQUI

 Programação para 3º DIA (29/07/2011) SEXTA-FEIRA

NOITE
19h – Mesa Redonda VI– A produção Literária Contemporânea na Bahia – Poesia e Ficção sob o olhar da crítica.
Prof. Dr. Aleilton Fonseca (UEFS);
Prof. Dr. Adeítalo Pinho (UEFS);
Profª Drª. Rosa Borges (UFBA)
Coordenador da Mesa:  Profa. Ma. Rita Aparecida

 20h  e 30 min – Um dedo de Poesia e Prosa – lançamento de livros
Autor: Adeítalo Pinho "Perfeitas memórias: literatura, experiência e invenção"
Apresentadora: Rosana Ribeiro Patricio(UEFS)
Autores: Aleilton Fonseca "A mulher dos sonhos e outras histórias de humor"
Apresentadora: Paula Laranjeira (UNEB)
21h  Encerramento : Peça Nhô Guimarães 






O universo do homem sertanejo é o tema de Nhô Guimarães





Em 2008, ano em que se comemorou o centenário do escritor mineiro, João Guimarães Rosa, o Núcleo Criaturas Cênicas de Salvador/BA, realizou a adaptação do romance Nhô Guimarães (2006) para a linguagem teatral, do escritor baiano Aleilton Fonseca, escrito para homenagear os 50 anos do livro Grande Sertão: Veredas (1956) de João Guimarães Rosa. A adaptação para o teatro foi realizada por Deusi Magalhães e Edinilson Motta Pará, atriz e diretor desta montagem que teve sua pré-estréia no teatro do IRDEB em 27 de novembro de 2008. O projeto Nhô Guimarães Pelo Sertão do Núcleo Criaturas Cênicas foi um dos vencedores do Programa BNB de Cultura/2009.
O espetáculo, em forma de monólogo, transpõe para o palco a vida, as idéias e a mítica do nosso sertão, privilegiando a linguagem falada rica em neologismos, recheadas de palavras incomuns próprias dessas regiões e tão presente nas obras do autor mineiro. Esse tratamento é mantido na encenação como forma de valorização da diversidade lingüística, existente na língua portuguesa, especialmente a encontrada no sertão brasileiro.
Essa visão é apresentada através dos causos contados por uma senhora octogenária a um visitante. Entre uma estória e outra, a velha cita a presença de um amigo do falecido marido, Nhô Guimarães, senhor de jeitos elegantes, que sempre os visitava, com "seu ouvido bom de ouvir causos e seus óculos pretos de aros redondos". Uma referência direta ao escritor mineiro João Guimarães Rosa. Enquanto relata suas lembranças, a velha desenvolve ações cotidianas, como coar um café, apertar um fumo de rolo, fazer um pirão, dar comida às galinhas etc., busca-se criar uma transposição de quem assiste para o ambiente do cotidiano interiorano.

VENHAM CONFERIR...

terça-feira, 28 de junho de 2011

CULTURA E ORALIDADE NO NORDESTE


Por: Aleilton Fonseca

As manifestações culturais nordestinas constituem um conjunto de práticas que valoriza fortemente as contribuições da oralidade. Na tradição escrita, sobretudo, o conto e o romance, a cultura da oralidade é um elemento intrínseco e visceral.  A oralidade é tão marcante que ultrapassa os limites dos registros escritos. Como arquivo memorial de caráter multidisciplinar, reúne e dá forma aos diversos saberes, fatos e situações das diversas culturas. Essa concepção aproxima-a de algumas estratégias da narrativa de ficção, sobretudo aquela de cunho realista e da história oral.  Elas utilizam métodos semelhantes para apreender os fatos e as situações que compõem a história de indivíduos (personagens na ficção e pessoas reais), e concorrem para o estabelecimento do perfil do grupo, ou seja, sua cultura, seus traços psicológicos e sociais.
A partir do século XVIII, em contato crescente com a modernidade, a cultura nordestina vem misturando as formas da tradição escrita com os acervos da oralidade. Por este ângulo, a cultura do nordeste é um conjunto de práticas e criações provenientes, sobretudo, daquilo que está “na boca do povo”.
A oralidade é uma forma de conhecimento que ultrapassa os limites dos registros da escrita. Essa cultura se afirma em diversas manifestações, entre as quais o cordel (registro escrito da experiência da oralidade) e a literatura de ficção, que mantêm um diálogo fértil com as fontes populares. A literatura nordestina incorpora as fontes da oralidade, assumindo-a como forma de seu discurso. Portanto, encontramos nos livros diversas passagens e situações que incorporam os traços marcantes da cultura oral, com forte presença do vocabulário, do imaginário e dos saberes e experiências populares. A literatura incorpora as fontes das tradições populares, as narrativas orais, os costumes, as crenças, os folguedos, as superstições, as narrativas de heróis e seus grandes feitos.
Todo escritor é também um pesquisador da cultura. Muitas vezes, com o caderno de anotações em punho que ele sai a campo, para colher depoimentos, entrevistar pessoas, fazer registros, assimilar situações, conhecer in loco os ensinamentos que as fontes orais lhe proporcionam.  De volta à mesa de trabalho, ele se assemelha ao pesquisador da oralidade pelo uso do método de recolha de dados e pelo objetivo de sistematizar os sentidos apreendidos nos depoimentos e registros. Nesse caso, o escritor age como pesquisador. A diferença diz respeito aos procedimentos e à adequação aos objetivos do trabalho que se pretende realizar. O escritor difere do pesquisador pela forma de tratamento dos dados, uma vez que o utiliza como matéria-prima de sua escrita. Ele a expande através da recriação e da imaginação, valendo-se dos processos da verossimilhança para dar uma feição particular aos seus conhecimentos. Dessa forma, suas experiências e saberes pessoais tornam-se uma narrativa ficcional. Assim, a ficção nos remete às realidades existentes e observadas e ilumina nossa compreensão crítica dos processos humanos e sociais abordados.
Na criação literária esse método também promove a inserção de sujeitos sociais excluídos que, transmutados em personagens de ficção, transitam para os registros da escrita, passando a ter existência efetiva na cultura, pela via do relato e da representação ficcional, sem perder seu lastro de fontes da oralidade.
Os escritores nordestinos criam uma voz narrativa privilegiada entre duas culturas, a escrita e a oral, que são, enfim, suas culturais de formação. Ele assume a sua condição de sujeito híbrido que se movimenta no cruzamento da oralidade e da escrita. Assim, criam uma voz narrativa própria, uma voz particular que amalgama a oralidade e a escrita, criando na tradição escrita um narrador oral e popular, como um verdadeiro elo de transição cultural.
Eis um exemplo. O escritor Graciliano Ramos (1892-1953), na obra Vidas Secas (1938) mostra as personagens Fabiano, sua mulher Sinhá Vitória, o Menino mais novo e o Menino mais velho como sertanejos retirantes que protagonizam o romance, publicado em 1938.  Narrado em 3ª pessoa, o romance é uma travessia através do sertão, mostrando a penúria, a fome, a miséria e o abandono de uma família que vive fugindo da seca. Como se sabe, a atmosfera do romance é popular nordestino, girando em torno da condição social e das marcas culturais das personagens. O tom de oralidade é marcante, mostrando indiretamente a matéria pesquisada pelo autor através da observação, do saber da própria experiência local e dos relatos orais. Há uma passagem que ressalta a construção e transmissão do saber pela oralidade. O Menino mais velho era curioso. Ao ouvir Sinha Terta falar em “inferno”, quis mais informação. “Sinha Vitória, distraída, aludiu vagamente a certo lugar ruim demais, e como o filho exigisse uma explicação, encolheu de ombros”. O menino não se convence, pois achava a palavra bonita e não podia aceitar que se tratasse de coisa ruim. Vai perguntar ao pai e é repelido. Volta a indagar à mãe que, zangada, “aplicou-lhe um cocorote”. Indignado com a injustiça, o menino vai se consolar com a fiel amiga Baleia, que lhe é solidária. “O pequeno sentou-se, acomodou nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. A cena é um registro da cultura oral nordestina.
Os escritores criam as narrativas a partir de sua experiência e suas vivências como sujeito participante da cultura. E a realidade nordestina é muito forte no imaginário e no processo de criação dos autores. Eles participam dos textos que representam a vida, as memórias e a cultura popular. A narrativa nordestina apresenta as marcas dessa cultura nos discursos e atitudes das personagens, nos enredos, na linguagem e no vocabulário. Desse modo, os saberes da oralidade permanecem vivos nos homens e mulheres que, sujeitos de seus processos de existir e de viver, emprestam suas vozes e testemunhos tanto à história como à literatura.

Disponível também em: caramure 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Minutos de poesia na Educadora FM

A rádio Educadora FM apresenta em seu portal multimídia, no programa Minutos de poesia um relato sobre a bio-bibliografia poética e um pouco da poesia de Aleilton Fonseca.  Convido os amigos e leitores para ouvir o programa.


Clique aqui...Minutos de Poesia 

Continuação 2

Continuação 3

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A NECESSIDADE DA LEITURA

 Por: Aleilton Fonseca

A engrenagem do mundo atual absorve as pessoas de forma tão avassaladora, que mal se tem tempo para abrir um livro. De fato, cada vez mais é frequente a frase: “Não tenho tempo de ler”.  Nada mais grave, porque uma pessoa que não lê passa a ver e interpretar o mundo através dos olhos alheios. Sem hábito de leitura, perde-se o contato com um imenso arquivo de saberes acumulados nas grandes obras da literatura universal.
A literatura nos revela as faces visíveis e ocultas da nossa condição, apresenta as misérias e as grandezas humanas, denuncia as mazelas e as injustiças. Assim ela se reveste de uma energia criativa e renovadora que pode acrescentar experiências e saberes como projeção de realidades imaginadas, auxiliando a formação da consciência crítica e da personalidade, antecipando e prevenindo as contingências da vida cotidiana. Através da literatura apreendemos e vivenciamos a gravidade de atos e fatos, antes mesmo de vivenciá-los na dura realidade. Na leitura, convivemos virtualmente com a maledicência, a traição e a impostura através das projeções dos textos ficcionais. Através da poesia aprendemos a perceber a beleza das formas, as imagens e os sentidos das coisas, para além de sua aparência real e objetiva.
Lendo ficção e vivenciando os seus enredos, aprendemos o valor da crítica, da ponderação e do arbítrio, antes de sentirmos na carne os embates da vida que nos ensina a ferro e fogo. A literatura, nas suas virtualidades, dá o exemplo e o espelho em que nos mirarmos e apreendermos o mundo das possibilidades. Ensina-nos a refletir sobre as tragédias e as injustiças, antes mesmo que elas venham a acontecer, para que as vivenciemos e as combatamos no mundo real. A literatura nos conduz a exercitar os sentimentos e as percepções, elevando a nossa mente para uma relação mais significativa com a vida cotidiana. Assim, a leitura adquire grande importância ao promover e estimular o equilíbrio emocional e a reação ponderada e produtiva diante de situações críticas.
A literatura tem um caráter formativo, educativo e civilizador. Sem a vivência da narrativa e da poesia, as potencialidades afetivas podem declinar e o ser humano pode ter diminuído seu grau de civilização, retornando relativamente ao estado de natureza, em que o instinto de conservação repõe a agressividade e a autopreservação como vetores da violência, do egoísmo e do etnocentrismo que passam a presidir as relações entre indivíduos, grupos sociais e nações.
Uma sociedade, por mais rica material e tecnologicamente que seja, estará em decadência e em dissolução se não cultiva as suas potencialidades expressivas, sobretudo através do pensamento, das artes e da literatura — não como simples espetáculo, mas como vivências formativas da personalidade diante da vida pessoal e coletiva.
No entanto, cada vez mais a literatura perde espaço, atenção e importância nos dias atuais. Mas, com isso, o mundo não se torna melhor. Ele nos parece caótico, consumista, violento, egoísta – uma sociedade absorta nas roletas da produtividade tecnológica, nos slogans do mercado, nos interesses de grandes corporações econômicas. Trata-se de uma sociedade que abdica de valores e práticas humanistas para cultuar, sobretudo, as voláteis cifras das bolsas e os dividendos da exploração pecuniária, promovendo a devastação da natureza e a exploração do trabalho e da inteligência. E, apesar de tanto produzir, encontra-se em franca crise material, em que a fome e a indigência se multiplicam pelo planeta. Trata-se de mundo desigual onde os povos abastados naufragam em crises e enfermidades físicas e psíquicas, tão ou mais infelizes quanto os famintos e deserdados dos países pobres e desamparados. Este é um mundo que negligencia os valores do cultivo da arte e da literatura como alimento diário de sua condição de humanidade.
A grande maioria de homens e mulheres não tem condições, não tem tempo, não tem motivação para se alimentar com o pão secular da arte e da literatura. As pessoas correm o risco de se tornarem seres maquinizados na estrutura produtiva, movendo-se de um canto para outro, sem outra aspiração senão angariar recursos para pagar suas eternas dívidas de consumo e de manutenção, para satisfazer necessidades inventadas pelo consumismo de objetos e serviços não essenciais à saúde do corpo e da mente. Para enfrentar esse culto à dissolução, precisamos recuperar o tempo de leitura, o convívio saudável com a poesia, a narrativa, as artes, reativando o exercício proveitoso da imaginação.
A literatura representa os sopros, os avisos, os planos, as intuições, os ensinos do nosso inconsciente coletivo, em busca desse horizonte utópico. É a humanidade que fala e dialoga em cada ritual de escrita e leitura que se instala no ciclo literário, envolvendo o autor, a língua viva e o leitor. Sempre que um texto flui de seu autor e atinge o leitor, estabelece-se a comunicação primordial entre os seres e o universo. O escritor é, antes de mais nada, um mensageiro. Ele empresta sua imaginação e sua voz à fala do gênero humano, cuja voz permanece na memória e na vida de cada leitor que o lê e o revive a cada leitura, dias, meses, anos, séculos, milênios mais tarde.
Atualmente, grandes massas humanas encontram-se marginalizadas e afastadas dos bens artísticos.  Muitas pessoas são cada vez mais faltas da experiência e da formação que as lições da arte e da literatura lhes dariam, integralizando na sua ação e reação diante da vida e dos semelhantes o respeito, a justiça, a honestidade, a tolerância, a fraternidade como bens superiores da vida. Quem não lê, não exerce plenamente sua condição humana. E a leitura faz muita falta. 

Também disponível aqui

Imagem: O pensador, de Rodin 

terça-feira, 10 de maio de 2011

A poesia e a cidade, Aleilton Fonseca


O surgimento da literatura moderna é intrínseco às movimentações das grandes cidades que cresciam vertiginosamente, em meio ao caos e à crise de valores, entre o final do século XIX e o início do século XX. O processo acelerado de urbanização, a adequação do espaço público ao ritmo da vida cotidiana e o intenso fluxo de pessoas constam de seu contínuo vir a ser. A busca de uma nova linguagem literária para expressar essas transformações se constitui num objetivo fundamental dos poetas e ficcionistas para garantir a sobrevivência e a inserção da literatura na nova realidade das metrópoles.

Para o poeta moderno, os diversos matizes das cidades trazem consequências em relação à forma de observar e exprimir a realidade de sua experiência cotidiana. A cidade passa a ser vista como um lugar sempre estranho, em ininterrupta mutação. E na multidão de homens desconhecidos e apressados que se acotovelam na engrenagem, o poeta é também um rosto estranho. O seu canto não encontra eco imediato. Imerso na teia urbana, concretização física da consciência moderna, ele reage como artista e como ser humano através do discurso de sua poesia. Da observação das ruas e avenidas extensas e perigosas, das torres de pedra, cimento e ferro é preciso extrair um sentido poético novo e expressá-lo em linguagem moderna, positiva ou negativamente. Sobre as formas da cidade tentacular, o poeta projeta o seu ideal e vislumbra a silhueta da futura urbe, em que a vida e a poesia possam se reconciliar, em nome da humanidade. Enquanto isso não é possível, a cidade se agita diante de seus olhos e do seu canto, levanta-se como esfinge e repõe o expressivo desafio mítico: decifra-me ou te devoro.

A poesia da modernidade, na abertura de suas trilhas iniciais, evolui em duas direções principais, muitas vezes de maneira ambígua, contraditória, dialética. Geralmente, os poemas traduzem as imagens do desencanto ou do encanto em relação ao progresso, com a recusa ou a incorporação das massas que constituíam a cidade em constante movimentação. Na base desse ponto de vista, está uma atitude de estranhamento, seja de forma encantada, seja de forma desencantada. O desafio que se apresenta é que o mundo mudara e a poesia precisava mudar para torná-lo linguagem, daí a necessidade de se estabelecerem novas formas de correspondências entre os objetos do mundo e sua tradução em imagens poéticas.

Assim, o discurso poético flui diante do estranho mundo que se apresenta ao olhar sensível e que é preciso incorporar a um discurso de aceitação e/ou de recusa. O encanto e o desencanto em relação ao progresso material da sociedade humana atualizam-se na técnica, na linguagem e na focalização, como formas de recusa e/ou incorporação seletiva dos seus temas e valores. O grande ator desse espaço são as massas, no seio da qual o poeta circula como simples mortal, observador e participante atento. Diante da massa fourmillante (formigante) que avança em todas as direções, demolindo ruas e edificações antigas que lhe impeçam o caminho e, em seu lugar, abrindo avenidas e construindo edifícios, submetendo os trajetos dos passantes à lógica dos veículos a motor, o poeta precisa tomar posição, diante de um mundo que é preciso incorporar ou recusar como objeto válido para a consideração da poesia.

O angloamericano T. S. Eliot é o poeta que assume uma atitude de distanciamento, abandona o presente e volta-se para as fontes das tradições do passado, recusando as massas que ele considera multidões urbanas irredimidas, como exemplo de degenerescência e esterilidade. O pessimismo de T.S. Eliot está presente de forma enfática nos poemas “The waste land” (1922) e “The hollow men” (1925), em que o mundo na era da modernidade é visto como uma espécie de “terra arrasada”, habitada por “homens ocos.” O poeta brasileiro Augusto dos Anjos já havia plasmado, a seu modo, a imagem da decadência humana na metrópole, no longo poema “Os doentes” (1912). Já Fernando Pessoa mantém com a cidade moderna uma relação de amor e ódio, traduzindo as múltiplas possibilidades de vivenciá-la através de um coro de vozes líricas que constituem os seus diferentes heterônimos. O russo Vladímir Maiakovski entrega-se a ação revolucionária e compõe a nova poesia inserida no processo de construção da sociedade socialista. De outro modo, o norte-americano Hart Crane também mergulha no presente da cidade com entusiasmo, em seu livro White Buildings, de 1926. Paradoxalmente, ambos os poetas cometem suicídio, renegando as possibilidades de uma existência satisfatória no mundo moderno, tanto nos termos do socialismo russo, no caso de Maiakovski, como no cenário do capitalismo norte-americano, no caso de Hart Crane.

Evidentemente, as duas posições fundamentais assumidas pelos poetas, de aceitação e de recusa, não são estanques no discurso poético moderno. Na verdade as perspectivas de abordagem são dinâmicas, pois a poesia move-se dialeticamente em situações nas quais freqüentemente se contrapõem visões positivas de determinados aspectos e negativas de outros. O poeta estende sobre a vida da cidade moderna um olhar dialético capaz de transubstanciar em seu texto os feixes de contradições que regem sua lógica cotidiana e as relações entre os indivíduos. Dessa maneira, a poesia da cidade muitas vezes exibe um estado de permanente tensão ao tematizar os valores urbanos e seus diferentes aspectos. Os discursos poéticos geralmente transitam entre os dois extremos, de forma dinâmica, pendendo dialeticamente entre a aceitação e a recusa dos valores modernos. Portanto, momentos de crença e de descrença nesses valores se alternam, pessimismo, ironia e entusiasmo dividem espaços ou se chocam nos diversos textos que exprimem a cidade em processo. Diante desses procedimentos, observa-se que o poeta moderno aproxima-se e distancia-se metaforicamente da cidade, num movimento de constante recusa e retorno, em tom irônico e afetivo. O poeta está consciente de seu irrecusável estatuto de artista da vida urbana, embora sentindo um mal-estar sem cura. Angústia e esperança, utopia e realidade, constituem forças motivadoras que ele maneja nesse espaço possível da sua experiência de vida e de sua sobrevivência como indivíduo e como artista.

Desse modo, o discurso da poesia incorpora as relações contraditórias e problemáticas do poeta no mundo, fixando imagens que traduzem a negação/ afirmação dos valores e das circunstâncias de vida que a cidade oferece, ao lado das indagações acerca do próprio fazer poético diante dos desafios da estética da modernidade. Estes elementos consubstanciam o ponto de vista do poeta, a partir do qual se desenvolvem as posições de aceitação, recusa, questionamento, problematização, análise e reflexão, em discursos marcados pelo jogo de tensões e contradições inerentes ao universo poético da cidade moderna. O poeta não integra o epicentro da transformação material do mundo, uma engrenagem que o dispensa. Sua posição é de deslocamento, a partir da qual constrói um discurso crítico de recusa e resistência, como observador e experienciador da vida que a modernidade lhe impõe.

Estas questões também se relacionam com a poesia moderna brasileira. A vida literária brasileira não ficou infensa à grande movimentação das vanguardas europeias, no momento em que se plasmava a nova poética das metrópoles. Ao lado disso, também as principais cidades passavam por um acelerado processo de urbanização, na esteira das transformações urbanas experimentadas pelas metrópoles europeias. Com o atraso de algumas décadas, mas igualmente vivenciando experiências semelhantes no urbanismo, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro se constituíam também como palco de observação e de vivências para os artistas. A renovação literária se dá no mesmo contexto das reformas urbanas, ao lado da expansão da indústria, do comércio e dos transportes, no bojo do processo geral de modernização do país.

O primeiro poeta brasileiro a mergulhar na experiência poética de cantar a cidade moderna de maneira sistemática foi Mário de Andrade. Atento às experimentações das vanguardas e impressionado com as cidades tentaculares do poeta belga Émile Verhaeren, o poeta paulista concebe um projeto de traduzir São Paulo em imagens de uma escrita poética, o que faz no seu livro de estreia, Pauliceia desvairada (1922) e no seu último livro Lira Paulistana (1945). Em todos os seus livros encontram-se poemas que tematizam a cidade de São Paulo, que já assumia a posição de principal metrópole brasileira. Em vários poemas seus, preponderam observações líricas sobre a vida urbana, suas circunstâncias e vicissitudes cotidianas, transfiguradas pelo ponto de vista crítico do poeta atento às questões da modernidade. Observa-se a preocupação constante com temas da vida urbana, em seus aspectos intrínsecos à existência do homem no intrincado labirinto da cidade que se vai transformando e impondo rápidas mudanças na forma como os indivíduos participam do processo. Dessa forma, a poesia brasileira, através de um dos seus autores mais representativos, também produz a sua contribuição para a lírica da cidade moderna, inserindo-se de maneira expressiva na tradição da poesia urbana ocidental.


Disponível em:Caramure

HOMENAGEM ÀS MÃES


Fotografia: Cristiane Oliveira






A poesia e a maternidade são temas que se interagem completamente porque se harmonizam. Ambos estão ligados à necessidade intrínseca do ser humano de criar, gerar, transformar… A poesia cuida de nossa alma e a mãe de nossa vida. Ambos os valores são importantes para o desenvolvimento da humanidade. Por isso, no tempo do consumo, do descartável, do pragmatismo individualista, nos escondemos de nós mesmos, deformando o perfil do humano, negando qualquer ligação nossa com a possibilidade de mudanças. Assim estou me referindo a um otimismo transformador que foi e é o responsável pelas grandes realizações no mundo. Poesia e maternidade estão diretamente ligados a este conceito. Não existe mãe que não acredite no melhor para seu filho, nem poeta que não veja a sua poesia como agente transformador.



Diante desta realidade e confirmando a contradição do mundo atual é que reunimos uma fotógrafa e cinco poetas baianos em um shoping center de Salvador para uma exposição de poemas cartazes. Confesso hoje que em alguns momentos desta produção tivemos receio de não dar certo, afinal estava usando como espaço o grande símbolo do consumo moderno. Mas a surpresa foi maravilhosa, o que prova que, por mais contraditório que sejamos, apesar de consumistas não perdemos a essência da nossa humanidade.



Assim, em uma noite de abril de 2009 estavam reunidos: os poetas Aleilton Fonseca, Cleise Mendes, Damário Dacruz, Mabel Velloso, Washington Queiróz e a fotografa Cristiane Oliveira na praça central de um shoping. Todos prontos para aquela aventura Quixotesca de levar poesia para o “consumidor”. Para completar a situação, um grande temporal caiu em Salvador, o que poderia atrapalhar a festa. Mas não! A participação das pessoas que estavam no local junto com alguns convidados, que enfrentaram um verdadeiro “dilúvio” para prestigiar o evento, foi impressionante. Foram mais de duas horas de autógrafos e depoimentos emocionados dos presentes. Assim se fez o Palavra Mãe que agora o Caramurê reapresenta em uma versão digital.



Fernando Oberlaender

Disponível também em: Caramure

Este post foi pulicado com atraso por causa de problemas técnicos. peço desculpas aos leitores. (Paula Laranjeira)