domingo, 5 de maio de 2013

O Arlequim da Pauliceia – leituras e comentários


O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade: passeio por uma cidade de sonhos. - Divulgação

A Pauliceia de Mário de Andrade, vista de um bonde poético.

Por: Renato Pompeu

Foi preciso significativamente um baiano, o poeta, ficcionista, ensaísta e professor universitário Aleilton Fonseca, para produzir um dos livros que mais consagram a paulistanidade, elevando-a a categoria cultural universal, lembrando o dito do grande escritor russo Lev Tolstoi, “Canta a tua aldeia e serás universal”. Trata-se de O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade, obra lançada pela Geração Editorial e pela UEFS Editora.
Sedução é fascínio, é isso que sentimos por isso que se apresenta como uma viagem de bonde pela São Paulo da primeira metade do século XX, numa trama em que Fonseca reuniu todos os seus talentos – a poesia, a ficção, a ensaística e a pesquisa erudita – para narrar uma expedição pelos lugares ícones da cidade, entremeada de trechos de poemas do grande escritor e poeta que se considerava mais paulistano do que paulista ou brasileiro, e por fotos da época, referentes aos lugares que Fonseca descreve e Mário de Andrade canta.
Navegamos por uma cidade de sonhos, no tempo em que São Paulo era uma cidade cheia da arte de viver, com ruas e vales repletos de prédios encantadoramente europeus dos fins do século XIX, um ambiente neoclássico vagamente ítalo-francês, povoado também por exuberâncias verdejantes de árvores, arbustos e relvados plenamente tropicais que se combinavam belamente com os tons predominantemente ocres e pratas do Teatro Municipal e da Catedral Metropolitana.
Tudo isso vagamente embaçado pela autêntica garoa – a umidade então permanentemente emanada da Mata Atlântica que, por sobre a Serra do Mar, flanqueava a cidade. Hoje pouco resta da Mata Atlântica nos arredores da cidade e praticamente nada resta da verdadeira garoa, nome hoje reservado ao que antigamente se chamava de chuvisco, como se a cidade precisasse se apegar a um passado que não existe mais, a não ser na imaginação e no coração.
Naquela época, as avenidas de fundo de vale eram realmente dignas de seu nome: fitas de prata, como na foto que ilustra o Ponto de Partida da viagem fantástica de bonde, entre morros de floresta virgem. Sobreposto à imagem de uma moderna avenida povoada por velozes carros e possantes caminhões, as ilhas que a dividem ao meio  encantadoramente ornamentadas de árvores enfileiradas, enquanto sobre ela se debruçam massas da Mata Atlântica, o texto do Arlequim da Pauliceia proclama: “Meu pensamento é tal e qual São Paulo, é histórico e completo. É presente e passado e dele nasce meu ser verdadeiro”.
Nessas duas páginas de um livro de 300 páginas, estão concentradas, como se observássemos pela lâmina de um microscópio eletrônico a constituição de um inteiro ser vivo, todas as virtudes e belezas do livro de Fonseca. A obra é de uma complexidade ímpar. 
Trata-se de uma composição composta de composições que se referem umas às outras. Cada texto de Fonseca é refletido em cada imagem, que por sua vez é refletida em cada trecho de Mário de Andrade, o qual por sua vez é refletido no texto de Fonseca.
A complexidade das referências que se entrecruzam, seja sobre o modernismo sublimado do Prédio Martinelli, seja sobre o urbanismo algo barroco do verdejante Vale do Anhangabaú da época, é digna não só da imagem caleidoscópica do traje recortado em losangos multicoloridos do secular Arlequim, como também do traço mais particular do melhor modernismo, em que, como no romance Ulisses do irlandês James Joyce, ou na cidade de São Paulo tanto da época como na de hoje, não só o todo é maior do que as partes, como igualmente cada parte é, literalmente, maior do que o todo.
E assim chegamos à essência do livro de Fonseca: como reunião de uma totalidade composta de fragmentos, em que cada pequena parte brilha como um universo próprio, como universo que reúne múltiplos universos autorreferentes, tanto textuais como visuais e poéticos, o livro acaba sendo um arlequinesco poema mais do que modernista.
Disponível em:Diário do comércio


Memória Paulistana 
Livro presta homenagem aos 120 anos de Mário de Andrade
Obra estuda a influência da cidade na produção do criador de grandes obras da literatura nacional

por Maurício Xavier 
 


Disponível em:Veja-SP


Passeando em Sampa com Mário de Andrade
Um olhar apaixonado sobre uma obra apaixonada. O resultado são estas milhares de linhas/trilhos que conduzem o leitor aos bondes da São Paulo da garoa, aos lampiões a gás, levando-o a acompanhar sensorialmente a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ao lado de transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade; mulheres à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o gemido cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje. O que diria Mario de Andrade se visse a São Paulo atual do alto do Pico do Jaraguá, onde pedira, em testamento poético,  que os seus olhos fossem sepultados?
Aleilton Fonseca disseca a obra e a alma do famoso escritor, acrescentando pontos de vistas surpreendentes. Se você nunca leu Mário de Andrade ficará com vontade de ler. E se já leu fará uma nova leitura, uma redescoberta. De maneira elegante, Aleilton se coloca em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com seus semelhantes. Mário, frisa o autor, “procurava incorporar-se ao coletivo, como forma de destruir em si o egoísmo das distinções particulares, despojando-se dos valores que o tornam um indivíduo só e solitário”.
Aleilton nos oferece uma prosa poética, juntando fotos antigas da cidade a excertos da obra do modernista. Uma das fotografias mostra passageiros sentados de costas num bonde, talvez o mesmo em que Mário um dia se sentira sozinho ao escrever: “O bonde está cheio/De novo porém/Não sou mais ninguém”. Ao exprimir a cidade em versos, o poeta modernista procurou “domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano”, acentua o autor, acrescentando que as críticas e os elogios do poeta a São Paulo são puros atos de amor.
Pegue o bonde, então, caro leitor, e vai conversando com Aleilton Fonseca e Mário de Andrade. Não se assuste se você vir passar um veloz Metrô ao largo. Compare as duas metrópoles, mas volte para o presente. Pode doer. Volte devagarinho.
 Jaime Pereira da Silva (Jornalista)

Poemas para comemorar o aniversário de SP


 Por Edison veiga
Um passeio pela São Paulo das primeiras décadas do século 20. O recém-lançado livro O Arlequim da Pauliceia, de Aleilton Fonseca (Geração Editorial, 296 páginas, R$ 29,90), mostra o amor que nutria pela capital paulista o poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo Mário de Andrade (1893-1945) – este multifacetado modernista, um dos mais conhecidos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922.
O livro proporciona ao leitor um verdadeiro passeio com o modernista Mário de Andrade – de bonde, sob a garoa ou nas noites frouxamente iluminadas por lampiões. Entre poemas e relatos, é possível acompanhar a construção de marcos paulistanos, como o Teatro Municipal, a Catedral da Sé e o Edifício Martinelli. Costumes, hábitos e estilos da época também são destacados – tanto nos homens de terno, gravata e chapéu quanto nas mulheres vestidas como elegantes francesas.
A atmosfera é completada com as descrições dos primeiros automóveis importados e o deslumbramento diante dos grandes prédios que começavam a tomar conta da paisagem do centro da cidade.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 21 de janeiro de 2013.
Disponível em:blog do Estadão


O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade



O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade
Autor: Aleilton Fonseca
Gênero: Poesia
Acabamento: Brochura
Formato: 18,5 x 23 cm
Págs: 296
Peso: 605g
ISBN: 9788581300993
Preço: 29,90
Editora: Geração

Sinopse:

Esqueça a pressa. Pegue o bonde e viaje lentamente pela São Paulo do início do século passado em companhia de Mário de Andrade e de fragmentos de sua poesia. Este livro, de autoria de Aleilton Fonseca, é um túnel do tempo, um passeio pelo centro velho de Sampa, lembrando, de certa forma, o filme Meia noite em Paris, em que Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes escritores e pintores da belle époque.
Textos e fotos se encaixam com perfeição para nos fazer voltar ao passado, mergulhando-nos na obra do modernista, que amou São Paulo como ninguém. Vista uma capa para se proteger da garoa que caía insistentemente sobre a cidade, tornando-a londrina e melancólica. E sinta como Mário de Andrade amou a maior megalópole do Brasil. Boa viagem. Você está em ótima companhia. “Prazer em conhecê-lo, meu caro Aleilton”, diria o modernista.

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Viaje de bonde com Mário de Andrade

Este passeio poético pelo centro velho de Sampa lembra, grosso modo, o filme Meia noite em Paris, em que Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes escritores e pintores da belle époque. Só que o encontro é “apenas” com Mário de Andrade, que vale por muitos.
Em O arlequim da Pauliceia, Aleilton Fonseca destaca o amor de Mário de Andrade por São Paulo, ao mesmo tempo em que descobre novos sentidos em sua obra, mesclando excertos dela e fotografias das primeiras décadas do século 20. O resultado primoroso nos conduz a uma viagem nostálgica e poética.
Sensorialmente, o leitor terá o prazer de andar de bonde, molhar-se na São Paulo da garoa, iluminar-se à luz dos lampiões a gás, acompanhar a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ver simples transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade, mulheres vestidas à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o burburinho cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje.
Se você nunca leu Mário de Andrade esta obra vai despertar o seu desejo. E se já leu vai ter uma nova leitura, uma redescoberta. Aleilton se coloca elegante e humildemente em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com os seus semelhantes.
“Ao tematizar a cidade de São Paulo, Mário de Andrade produz, sobretudo, uma poética do olhar. A atitude de contemplação da paisagem urbana é um dos traços mais fortes de toda a sua obra”, destaca o autor. Segundo ele, o modernista pregava uma poesia que exprimisse os sentimentos unânimes do homem diante da agitada vida urbana. Exprimir a cidade em versos significava, para o poeta, domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano, explica Fonseca.
O leitor está em ótima companhia. Desacelere e volte ao início do século passado. Depois volte devagarinho, para não se assustar com a cidade atual diante de si. Mário de Andrade já previa esta explosão e este caos, pero sin perder la ternura.  

Entrevista com o autor

1. Quando começou a escrever? Qual foi o seu primeiro livro publicado?
Comecei a escrever poesia e ficção aos 17 anos, quando ainda morava em Ilhéus, cidade da Gabriela de Jorge Amado. Publicava nos jornais de Ilhéus e de Salvador. Em 1981, já em Salvador, lancei meu primeiro livro de poesia. Resolvi fazer o curso Letras, a fim de me tornar professor de literatura e tentar construir a carreira de escritor. Deu certo. Fiz graduação na UFBA, mestrado na UFPB e concluí o doutorado na Universidade de São Paulo em 1997, com uma tese sobre Mário de Andrade. Sou professor universitário há 28 anos. Tornei-me escritor, tenho cerca de 20 livros já publicados, em poesia, conto, romance e ensaio.
2. O que te motivou a escrever o Arlequim da Pauliceia? Quanto tempo levou para escrever o livro?
O que me motivou a escrever o livro foi o meu espanto e o meu encantamento com a cidade de São Paulo. Visitei a cidade, pela primeira vez, em outubro de 1992. Fiquei chocado. Morei em São Paulo de março de 1993 a dezembro de 1995. Foi uma experiência extraordinária. Eu cheguei com um projeto de estudo, sobre música e ficção, mas mudei. Resolvi estudar as imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade. Escrevi a tese em três anos. Defendi e deixei na gaveta. Anos mais tarde, resolvi extrair da tese a parte em que faço um ensaio interpretativo da poesia de Mário, destacando as imagens que ele traduz da cidade de seu tempo, de Pauliceia desvairada (1922) a Lira paulistana (1945). Uma viagem surpreendente através da cidade amada pelo poeta.
3. De onde vem o amor por São Paulo? Quando começou a pesquisar sobre a cidade?
Comecei a pesquisar sobre a cidade em 1993, quando iniciei o projeto da tese/ livro. O meu amor e a minha admiração por São Paulo eu os adquiri de duas maneiras:  a primeira, pelo choque, ao me deparar com a metrópole em 1993, vivendo nela suas misérias e grandezas durante 3 anos;  a segunda, foi através da poesia de Mário de Andrade. São Paulo é pura comoção, na poesia de Mário e em meu olhar de espanto. Sempre volto a São Paulo e me admiro com sua grandeza. Essa cidade imensa me comove, me anula como indivíduo, e me eleva como ser; me esmaga com sua engrenagem e me orgulha com sua magnitude. Amedronta-me e me encanta.
4. Qual foi a sua impressão da cidade em relação à relatada no seu livro?
Morei na Vila Sônia, na Rua Heitor dos Prazeres, durante 3 anos, de 1993 a 1995. Assisti às mudanças políticas da época, no início do plano real, à escalada da violência, a constante expansão urbana. Enfrentei uma enchente do Tietê/Pinheiros, fui assaltado, tive a casa arrombada e furtada. Também vi espetáculos maravilhosos de arte, teatro e literatura, exposições incríveis de artes, visitei os museus, vivi intensamente o clima da USP, fiz passeios, conheci gente de expressão e ideias. Como diz Mário, num poema da Lira paulistana: “tudo se passou em São Paulo!”.  Sempre me impressionou a constante transformação visual da cidade. Eu lia isso em Mário e fazia comparações. Por exemplo, comparava o que via no atual Vale do Anhangabaú com as fotos do passado, e me perguntava: como foi possível transformar aquele local idílico num deserto de cimento e asfalto? Na lógica da cidade tudo é possível. Faz 5 anos voltei à Rua Heitor dos Prazeres, e me espantei com o novo quadro. O lado direito da rua desapareceu completamente: casas, jardins, quintais, marcas…  para dar lugar ao muro da garagem do metrô, em Vila Sônia. Várias famílias que ali moravam, e com as quais eu e meus filhos fizemos amizade e tivemos convivência…nem vestígio deles nem de suas casas. Eu revia a rua original em minha memória. Uma sensação incrível. Eis a metrópole viva, revolvendo as próprias entranhas, recompondo seu tecido, seu corpo, seu espírito. As pessoas são apenas detalhes.
5. Por que escolheu esse título para o livro?
O título do livro é uma descoberta recente. Ao resolver publicar o ensaio, descobri que o título devia ser centrado na figura de Mário de Andrade, a partir da condição que ele assume como cantor, trovador e domador da cidade. O arlequim é uma alegoria da condição que o poeta Mário de Andrade assume para representar – no palco da poesia – a sua cidade amada. Sua poesia é um drama, um canto doído de amor a São Paulo.
6. De que forma São Paulo influenciou a poesia de Mário de Andrade, na sua opinião? Total e visceralmente. Mário dizia que era um poeta paulistano, e não paulista nem brasileiro, tal era sua devoção lírica à cidade. Ele a considerava sua “noiva”, e sua poesia era o filho dessa união problemática. Toda a sua obra poética atravessa a cidade, desde Pauliceia desvairada até Lira paulistana, desde o poema inicial, no qual a cidade e sua “Inspiração”, até o canto de despedida “A meditação sobre o Tietê”. É uma relação completa, singular, sofrida e admirável.
7. Esse livro propõe uma longa e deliciosa viagem pela São Paulo do início do século passado em companhia de Mário de Andrade e de fragmentos de sua poesia. O que o leitor irá encontrar nessa viagem ao túnel do tempo?
O leitor poderá passear com os olhos por ruas, cruzamentos, esquinas e praças através de várias fotos antigas que trazem de volta as imagens que a memória coletiva já perdeu. E o leitor trilhará por passagens cruciais de uma poesia de amor a São Paulo, uma espécie de roteiro sentimental de uma cidade em marcha para se transformar na metrópole de hoje, com suas grandezas e misérias. O poeta Mário de Andrade tem uma visão amorosa, mas também muito crítica acerca da cidade. Ao final, vivido e experiente, ele abandona a comoção de louvor à São Paulo e tenta corrigir os seus rumos, mas ninguém o escuta, pois estão todos surdos com a marcha voraz da máquina urbana. O poeta, conclui seu canto de despedida, ”A meditação”, entregando-se simbolicamente às águas escuras do rio Tietê. E morre alguns dias depois, em 25 de fevereiro de 1945.

Disponível em: Geração editorial


terça-feira, 16 de abril de 2013

CONVITE DE LANÇAMENTO



Caros amigos e leitores, vocês estão convidados
para o lançamento de meu livro 


"O ARLEQUIM DA PAULICEIA. 

Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade"


Local:  Livraria Saraiva, do Salvador Shopping.
Dia: 24 de abril, quarta-feira, a partir das 18h.


Grato. Um abraço

Aleilton fonseca


sábado, 16 de março de 2013

Projeto Momentos da leitura


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Romances de Aleilton Fonseca são estudados em evento na Sorbonne



O escritor e acadêmico baiano Aleilton Fonseca tem seus romances estudados na Universidade de Berlim (Alemanha) e será tema de mesa em evento na Universidade Sorbonne, da França, em março. O professor alemão Georg Wink (Freie Universität Berlin) apresentará o trabalho intitulado: “Sertão revisitado: dialogando com os clássicos em Nhô Guimarães e O pêndulo de Euclides, de Aleilton Fonseca” no evento “Littérature brésilienne contemporaine: espaces, traductions et médiations culturelles, a realizar-se, na França, em 7 e 8 de março. Confiram AQUI a programação do evento.

O Desterro dos mortos: pequenas observações




Comentários e observações sobre o livro "O desterro dos mortos".

domingo, 2 de dezembro de 2012

Lançamento/ O ARLEQUIM DA PAULICEIA - Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade, Aleilton Fonseca


FONSECA, Aleilton. O ARLEQUIM DA PAULICEIA - Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade. São Paulo: Geração Editorial, 2012. 300 págs. ilustradas (fotos de Sâo Paulo antiga).





Passeando em Sampa com Mário de Andrade

 Um olhar apaixonado sobre uma obra apaixonada. O resultado são estas milhares de linhas/trilhos que conduzem o leitor aos bondes da São Paulo da garoa, aos lampiões a gás, levando-o a acompanhar sensorialmente a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ao lado de transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade; mulheres à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o gemido cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje. O que diria Mario de Andrade se visse a São Paulo atual do alto do Pico do Jaraguá, onde pedira, em testamento poético, que os seus olhos fossem sepultados?
Aleilton Fonseca disseca a obra e a alma do famoso escritor, acrescentando pontos de vistas surpreendentes. Se você nunca leu Mário de Andrade ficará com vontade de ler. E se já leu fará uma nova leitura, uma redescoberta. De maneira elegante, Aleilton se coloca em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com seus semelhantes. Mário, frisa o autor, “procurava incorporar-se ao coletivo, como forma de destruir em si o egoísmo das distinções particulares, despojando-se dos valores que o tornam um indivíduo só e solitário”.
Aleilton nos oferece uma prosa poética juntando fotos antigas da cidade a excertos da obra do modernista. Uma das fotografias mostra passageiros sentados de costas num bonde, talvez o mesmo em que Mário um dia se sentira sozinho ao escrever: “O bonde está cheio/De novo porém/Não sou mais ninguém”. Ao exprimir a cidade em versos, o poeta modernista procurou “domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano”, acentua o autor, acrescentando que as críticas e os elogios do poeta a São Paulo são puros atos de amor.
Pegue o bonde, então, caro leitor, e vai conversando com Aleilton Fonseca e Mário de Andrade. Não se assuste se você vir passar um veloz Metrô ao largo. Compare as duas metrópoles, mas volte para o presente. Pode doer. Volte devagarinho. 

Jaime Pereira da Silva (Jornalista)

domingo, 25 de novembro de 2012

"28e. Festival International de la Poésie"



Nesta foto, reúne-se parte dos 80 poetas que participaram do "28e. Festival International de la Poésie", na cidade de Trois-Rivières, Québec/Canadá, de 28 de setembro a 7 de outubro de 2012. Tive a honra de ser o poeta convidado para representar o Brasil, em cerca de 30 atividades, nos dez dias do evento

domingo, 30 de setembro de 2012

28º. Festival Internacional da Poesia no Canadá


O escritor e acadêmico Aleilton Fonseca, professor da UEFS, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE-SP e da Academia de Letras da Bahia, estará participando do 28e FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA POÈSIE, no Quebec, Canadá, como escritor brasileiro convidado. O evento acontece de 28 setembro a 7 outubro, na cidade de Trois-Rivière, Quebec – Canadá. O evento é anual, e este ano conta com a presença de cerca de 80 poetas convidados de diversos países, bem como um grande público formado por jornalistas, críticos, estudiosos, estudantes e leitores em geral.
No evento, Aleilton Fonseca estará participando de várias atividades e sessões bilingues de leitura de poemas, bate-papos, encontros e discussões sobre poesia. Também lançará o livro bilíngue “Une rivière dans les yeux/um rio nos olhos” – poemas, tradução de Dominique Stoenesco, uma coedição
das editoras baianas Mondrongo e Via Litterarum.
Depois do Canaa, o escritor baiano seguirá para a França, de 10 a 18 de outubro, para participar de eventos em universidades francesas (em Rennes e em Nantes), onde também lançará o livro de poemas, em encontros literários e acadêmicos.
riviere

SITE DO EVENTO: Aqui


* PARTES DO PROGRAMA COM A PARTICIPAÇÃO DE ALEILTON FONSECA*

* 28 de outubro – Abertura

* 29 de setembro – sábado*

8 h – 9 h 30 : *Petit déjeuner*: *Fédération des Festivals Internationaux de Poésie*, *Réservé aux poètes invités.* Petit Salon, restaurant Le Rouge vin, Hôtel Gouverneur, 975, rue Hart, 819 379-9813. *Poètes* *invités : *Javier Alvarado (Panama), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil*), Kätlin Kaldmaa (Estonie), Drazen Katunaric (Croatie), Sigurdur Palsson (Islande), Rigoberto Paredes (Honduras), Simona Popescu (Roumanie), Pablo Poblète (France/Chili), Carles Torner (Catalogne/Espagne), John Watson (Australie). *Animateur* : Gaston Bellemare (Québec).

10 h – 11 h 30 : *Liberté de parole et poésie dans le monde : questions et lectures.* Vieille Prison de Trois-Rivières, 200, rue Laviolette, 819 379-9813. *Poètes* : Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Sylvestre Clancier (France), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Emmanuel Simard (Québec). * Animateur* : Gaston Bellemare (Québec).

17 h – 18 h 30 : *Apéro-p**oésie :* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure, 819 378-9925. *Poètes* : Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil*), Victor Mendiola (Mexique), Emmanuel Simard (Québec).

*30 de setembro – domingo*

16 h – 17 h : *Poètes en prison. *Vieille prison, 200, rue Laviolette, 819 372-0406. *Poètes* : Fredric Gary Comeau (Nouveau-Brunswick/Québec), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Drazen Katunaric (Croatie), Antonio D’Alfonso, Émile Martel, Prix du Gouverneur
général-poésie-1995 (Québec).

18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Le Saint-Germain Bistro, 401, rue Saint-Roch, 819 372-0607. *Début des lectures : 18 h 30.* *Poètes : *François Guerrette, Prix Jean-Lafrenière/Zénob-2012 (Québec), Raymond Guy Leblanc (Nouveau-Brunswick), Aleilton Fonseca (Brésil), Giovanny Gomez (Colombie),
Victor Mendiola (Mexique).

23 h :* Poèmes de nuit.* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure, 819 378-9925. *Poètes* : Michel Côté, Prix littéraire Le Droit-poésie-2011, Émile Roberge, Emmanuel Simard (Québec), Michel Dallaire (Ontario), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Victor Mendiola (Mexique).

*Dia 2 de outubro – terça-feira:*

12 h 30 – 13 h 15 : *Réservé aux étudiants de Villa Sainte-Marcelline. Dîner-Poésie – Rencontre de poètes. Poètes* : Galerie d’Art du Parc : *Aleilton Fonseca (Brésil)*. Salle régionale de la Maison de la culture : Drazen Katunaric (Croatie). Musée québécois de culture populaire : Sigurdur Palsson (Islande).

18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Bistro L’Ancêtre,603, rue des Ursulines, 819 373-7077. *Poètes* : Fredric Gary Comeau (Nouveau-Brunswick/Québec), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Giovanny Gomez (Colombie), Germaine Beaulieu (Québec).

20 h 30 : *Récital-poésie*. Café Bar Zénob,171, rue Bonaventure, 819 378-9925. *Poètes* : Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Isabelle Dumais (Québec), José Claer (Ontario), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, John Watson (Australie).

*3 de outubro – quarta-feira*

13 h 30 – 15 h : *Poésie ludique*. *Artiste* :Régent Ladouceur. Galerie d’art Le Réfectoire, Musée des Ursulines, 734, rue des Ursulines, 819 375-7922. *Poèmes* : Carl Bessette. *Poètes* : Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000, Jean-Philippe Dupuis (Québec), Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Rigoberto Paredes (Honduras),
Simona Popescu (Roumanie).

16 h – 17 h : *Goûter-poésie. *Nys Pâtissier, 1449, rue Notre-Dame centre, 819 691-9080. *Poètes : **Aleilton Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa (Estonie), Amir Or (Israël).

18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Le Saint-Germain Bistro, 401, rue Saint-Roch, 819 372-0607. *Début des lectures : 18 h 30.* *Poètes* : Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000 (Québec), Pablo Poblète (France/Chili), *Aleilton Fonseca (Brésil)*.

*4 de outubro – quinta-feira*

9 h – 10 h : *Tartines et poésie.*Restaurant Le Sacristain, 300, rue Bonaventure, 819 694-1344. *Poètes :*Michel Thérien (Ontario), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa (Estonie), Sigurdur Palsson (Islande), Étienne Ruhaud (France).

12 h : *Dîner-poésie*. *Apportez votre lunch*. Foyer de la Maison de la culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville, 819 379-9813. *Poètes* : *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa (Estonie), Vladimir Zakharov (Russie), Paule Doyon (Québec).

17 h : *Apéro-poésie*. Bar l’Hexagone, Hôtel Delta Trois-Rivières, 1620, rue Notre-Dame Centre, 819 376-1991. *Poètes *: Sarah Yi-Mei Tsiang (Ontario), Aleilton Fonseca (Brésil), Aarón Rueda (Mexique), Odelin Salmeron (Québec).

*4 de outubro – sexta-feira*

12 h : *Dîner-poésie.* Café Le Bucafin, 920, boul. du Saint-Maurice, 819 376-2122.*Poètes* : *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique), Victor Mendiola (Mexique), Pablo Poblète (France/Chili), Victor Redondo (Argentine).

17 h : *Apéro-poésie*. Foyer de la Maison de la culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville, 819 379-9813. *Musique : *Daniel Lessard. *Poètes : *Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Carole David, Prix Alain-Grandbois-2011 (Québec), Margaret Michèle Cook (Ontario), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique), Vladimir Zakharov (Russie).

*5 de outubro – sábado*

16 h : *Rencontre d’information pour les poètes de la Grande soirée Québecor de la poésie* à la Maison de la culture : Françoise Coulmin, Prix International de Poésie Antonio Viccaro-2012 (France), Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000, Joël Des Rosiers, Prix Athanase-David-2011, Marco Geoffroy, Prix Piché de poésie de l’UQTR-2012, Prix de poésie Radio-Canada-2012 (Québec), Marilyn Dumont (Alberta), Phil Hall, Prix du Gouverneur général-poésie-2011 (Ontario), Javier Alvarado (Panama), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique), Kätlin Kaldmaa (Estonie), Erik Lindner (Pays-Bas), Victor Mendiola (Mexique), Sigurdur Palsson (Islande), Victor Redondo (Argentine), Carles Torner (Catalogne/Espagne), Vladimir Zakharov (Russie), John Watson (Australie), Amir Or (Israël), Rigoberto Paredes (Honduras).

20 h : *Grande soirée Québecor de la poésie *: dédiée, aux poètes décédés au cours de l’année et spécialement à : Louky Bersianik, Rémi-Paul Forgues, Jean-Pierre Guay, Irving Layton, Angéline Neveu, Marie Savard (Québec), Wislawa Szymborska, Prix Nobel de littérature 1996 (Pologne). Maison de la culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville. Coût : à partir de 15 $ taxes incluses. *Réservations* *entre 11 h et 18 h* : 819 380-9797 ou billetterie@v3r.net ou 1 866 416-9797 (sans frais). *Poètes :*Françoise Coulmin, Prix International de Poésie Antonio Viccaro-2012 (France), Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Carole David, Prix Alain-Grandbois-2011, Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000, Joël Des Rosiers, Prix Athanase-David-2011, Louise Dupré, Prix du Gouverneur général-Poésie-2011, Marco Geoffroy, Prix Piché de poésie de l’UQTR-2012 (Québec), Prix de poésie Radio-Canada-2012 (Québec), Marilyn Dumont (Alberta), Phil Hall, Prix du Gouverneur général-poésie-2011 (Ontario), Javier Alvarado (Panama), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil),** * Aarón Rueda (Mexique), Kätlin Kaldmaa (Estonie), Erik Lindner (Pays-Bas), Victor Mendiola (Mexique), Sigurdur Palsson (Islande), Victor Redondo (Argentine), Carles Torner (Catalogne/Espagne), Vladimir Zakharov (Russie), John Watson (Australie), Amir Or (Israël), Rigoberto Paredes (Honduras).

*6 de outubro – domingo*

13 h 30 – 15 h : *Poésie ludique*. *Artiste* :Régent Ladouceur. Galerie d’art Le Réfectoire, Musée des Ursulines, 734, rue des Ursulines, 819 375-7922.*Poèmes* : Carl Bessette. *Poètes* : Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Claire-Anne Magnès (Wallonie-Belgique), Étienne Ruhaud (France), Robert Giroux, Pica (Québec).

17 h : *Musique du monde et poésie d’ailleurs*. Salle Louis-Philippe-Poisson, Maison de la culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville, 819 379-9813.*Musiciens : *Claire Tremblay et Sébastien Deshaies. *Poètes *: *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Claire-Anne Magnès (Wallonie-Belgique), Victor Mendiola (Mexique), Rigoberto Paredes (Honduras

Encerramento:

*Fin des activités du Festival International de la Poésie.*
23 h :* **Poèmes de nuit.* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure, 819 378-9925.*Poètes* : tous les poètes invités du 28e FIP encore présents.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

28e. FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA POÉSIE 2012


ALEILTON FONSECA É UM DOS ESCRITORES CONVIDADOS PARA PARTICIPAR DO 28º. FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA POÉSIE 2012.

 28 de setembro a 7 de outubro
Trois-Rivières - Québec - Canada

Veja o site do evento aqui





terça-feira, 21 de agosto de 2012

Revista Cinza no Café entrevista Aleilton Fonseca



Não deixem de ler mais essa conversa literária!




sábado, 21 de julho de 2012

Feliz Aniversário!

Mais um dia...Novo dia...Outro dia...Muitos dias...
Dia de receber, ainda mais, o carinho da família, dos amigos e também dos leitores.
Hoje é dia de refletir sobre a vida, sobre os passas dados, os caminhos trilhados e renovar os planos para os próximos dias...os próximos anos! E também os próximos livros (rsrs).
Assim, desejamos a você, querido Aleilton, muita saúde, muita luz, uma paz constante, infinitas alegrias, toda felicidade que couber em sua alma, amor sempre e crescente, sua família sempre próxima,que Deus o abençôe infinitamente, e claro, muitooo SUCESSO!
Parabéns!!!






domingo, 8 de julho de 2012

MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA, (org.) Aleilton Fonseca


No próximo sábado, dia 14 de julho, Aleilton Fonseca estará na cidade de Belmonte-Bahia, para o lançamento do livro MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA. O livro, organizado por Fonseca, acaba de sair pela editora Global, de São Paulo, em edição nacional, na Coleção Melhores Poemas, com direção da escritora Edla van Stein. Além de organizar a coletânea, Aleilton Fonseca também fez o estudo crítico introdutório sobre a obra lírica do poeta belmontense. Sosígenes Costa nasceu em Belmonte, em 14 de novembro de 1902, viveu muitos anos em Ilhéus, e depois no Rio de Janeiro, onde faleceu, em 5 de novembro de 1968. Deixou apenas um livro publicado Obra poética (1959), que recebeu o primeiro Prêmio Jabuti de poesia, em 1960. O poeta foi redescoberto no final da década de 70, através de um ensaio Pavão parlenda paraíso, de José Paulo Paes, da reedição do seu livro de estreia, ampliado e organizado por Paes, e da edição do longo poema narrativo Iararana (1979). No final dos anos 90, sua obra voltou à tona, graças a um ensaio original de Gerana Damulakis, Sosígenes Costa - o poeta grego da Bahia (1996). Em 2002, o centenário do poeta foi comemorado na ALB, através de um seminário promovido pela revista Iararana, então editada por Carlos Ribeiro e Aleilton Fonseca. Em seguida, a publicação da revista Iararana (14 números), a Poesia completa (Conselho de Cultura da Bahia), a coletânea crítica A Sosígenes com afeto (Org. Hélio Pólvora) e Travessia de oásis. A sensualidade da poesia de Sosígenes Costa (Florisvaldo Mattos) consolidaram o nome do autor, chamando a atenção para sua obra. Surgiram então artigos,e studos e ensaios sobre a obra do poeta dos pavões e das paisagens atlânticas. Em 2007, a pesquiadora carioca Jane Malafaia defendeu uma dissertação de mestrado (O modernismo singular de Sosígenes Costa) na Universidade Federal Fluminense, e em setembro próximo defende tese de doutorado (a primeira sobre o poeta) na mesma UFF, sobre os torneios das metáforas na poesia de Sosígenes Costa. O livro MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA insere o poeta belmontense numa seleta coleção da melhor poesia brasileira de todos os tempos, fazendo jus ao seu valor estético, temático e cultural.

domingo, 3 de junho de 2012

Convite/Lnçamento: Memorial dos corpos sutis, de Aleilton Fonseca.


Lançamento do livro "Memorial dos corpos sutis". Dia 5 de junho, terça, à 19 h no Bar Póstudo, no Rio Velmelho, Salvador-Bahia.



Galera de Salvador que não tiver outro compromisso agendado...vamos prestigiar!

sábado, 3 de março de 2012

ALÔ, TELEMARKETING! Aleilton Fonseca

Tem cabimento uma coisa dessas? A pessoa está em casa lendo seu jornal, ou assistindo à TV, ou lavando os pratos, ou revendo o álbum de fotografia, ou apenas tirando um cochilo, então o telefone toca. Ao atender, com a maior boa vontade, depara-se com a voz impostada e a simpatia simulada da moça do telemarketing, especializada no uso gratuito de gerúndios.
– Bom dia, eu poderia estar falando com o Seu Fulano de Tal?
Se você é o Fulano de Tal, basta proferir uma única palavra, e pronto! Está fisgado. Ela, com um festivo tom de conversa, diz que o banco tal aprovou para você um mágico cartão, com facilidades encantadoras, crédito pré-aprovado de alguns mil reais e patati e patatá, etc e coisa e tal. E tenta completar assim o golpe de sedução:
– O senhor vai poder estar retirando um empréstimo de 5 mil reais...
Certa vez, alvejado por essa artilharia pesada, contra-ataquei na hora.
– Moça, eu não preciso de empréstimo. Ao contrário, posso até emprestar esse valor ou mais ao seu banco, quer? – esnobei um pouco para ver se ela se tocava e desistia de “estar me aporrinhando” tanto.
Ela não se tocou, ou se fez de desentendida. Passou a discorrer sobre as maravilhas do cartão, dos rentáveis fundos, do seguro, do fundo de aposentadoria. E enumerou diversas formas de sequestrar o meu pobre dinheirinho da minha conta corrente.
– Basta o senhor estar confirmando seus dados, e o cartão estará sendo enviado para o seu endereço automaticamente...
– Não... não quero..., não... não estou interessado...
– ... e o senhor poderá estar dispondo de nosso atendimento especial em sua casa...
– Não, não estou interessado... – eu insistia, mas ela parecia surda.
– ... vou estar agendando uma visita do nosso consultor para...
– Não, senhora! – e desliguei o telefone, sufocado com a insuportável saraivada de gerúndios.
Um amigo desenvolveu uma boa tática para se livrar desse famigerado tele-assédio. Ele atende, diz que vai chamar a pessoa interessada, larga o telefone na mesa, e deixa o tempo passar até que a moça desista e interrompa a ligação. O problema é que voltam a ligar algum tempo depois.
Para meu espanto, a minha mulher desenvolveu uma forma engenhosa e infalível de se desvencilhar da insuportável matraca gerundiva. Toda vez que a moça pergunta pela dona da casa, ela assume uma voz de diarista distraída e vai logo explicando:
– A patroa tá viajando, tou aqui só fazendo a faxina; deseja estar deixando um recado?
_________________
Do livro: FONSECA, Aleilton. A mulher dos sonhos & outras histórias de humor. Itabuna: Via Litterarum, 2010.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O GALANTEADOR - Aleilton Fonseca

A mulher ia tranquila pela calçada, em direção a sua residência, quando percebeu que, da janela de um automóvel, vinha o aceno de um desconhecido. Primeiro olhou discretamente, sem intenção de atender. O homem foi encostando o veículo, e insistiu no aceno, com um sorriso simpático. Ela hesitou em atender. Mas pensou: ora, ele deve estar querendo uma informação. Aproximou-se do motorista e, antes que dissesse algo, ouviu a abordagem inusitada:
– Oi, amor! Para onde vai? Quer ir comigo, minha linda?
Ela estacou, surpresa por um instante. Imediatamente se refez do susto, e riu divertida, achando a cena mais que engraçada, totalmente bizarra. O homem aguardava a resposta, com uma vaga esperança nos olhos semi-cerrados diante da intensa claridade do dia.
– Não, senhor; muito obrigada. Eu moro aqui perto.
– Que tal um chope? Vamos bater um papo.
– Não, agradeço pela gentileza.
Aproximando-se, a mulher olhou mais detidamente para o homem. Moreno, ligeiramente calvo, aparentava uns 45 anos. A marca nítida da aliança denunciava que ele a tirara do dedo, a fim de buscar um affair passageiro. Parecia um marido típico, afundado na rotina de um casamento saturado.
– Eu preciso bater um papo com você, amor! – ele insistiu.
– Ah, eu gostaria mesmo de falar com o senhor – disse a mulher, assumindo uma postura mais ativa.
O homem se animou. Então ela estava a fim de papo! Se conseguisse ganhá-la por um instante, seria a glória do dia. A mulher, com um olhar agora incisivo, continuou o diálogo:
– Em primeiro lugar, esse cigarro está lhe fazendo mal.
Ele, no susto, imediatamente esfregou o cigarro no cinzeiro do carro e atirou o toco longe, para demonstrar claramente a sua renúncia.
– Só fumo de vez em quando – explicou, na defensiva.
– Não devia fumar nunca. Isso mata a pessoa aos pouquinhos.
O homem, com o olhar intimidado, prestava atenção à conversa, entre curioso e espantado. A mulher prosseguiu a inspeção:
– Precisa ir à academia cuidar desses pneuzinhos aí...
– Ah, eu vou... semana que vem eu volto a malhar.
– E essa barriguinha de chope? Vai deixar de beber ou não vai?
– Sim, parei a partir de agora – prometeu, cruzando dois dedos sobre os lábios.
– Está acima do peso. Deixe o carro em casa e vá caminhar.
– Sim, sim: meu médico sempre me cobra isso – informou, assombrado.
– Por falar nisso, há quanto tempo não faz seus exames?
– Pois é... – murmurou, já encolhido, agarrando-se ao volante.
– E tem um exame que precisa fazer logo.
– E qual é? – perguntou, curioso e humilde.
– Está apertando muito os olhos... Faça um exame de vista urgente.
– É, tem razão – concordou, visivelmente vexado.
– E sua mulher? Cuide mais dela, leve-a para passear, viajem juntos.
– Pode deixar, pode deixar... – disse ele, já acionando o motor do carro.
– Se cuide, hein!
– A senhora por acaso é médica? – indagou, num tom respeitoso.
– Sou advogada, casada, e tenho 48 anos.
– Nossa! Eu lhe dava uns 30... – espantou-se, encabulado.
– Obrigada! É que eu não bebo, não fumo, como pouco, faço caminhada, durmo bem, pratico esporte, viajo muito... e sou fiel.
– Ah, bom... eu já vou indo... – ele engatou a marcha, queria fugir dali e enfiar a cabeça no chão.
A mulher sorriu; estava satisfeita com o resultado de seu contra-ataque. Percebeu que o homem, sem graça e desfeito, talvez pensasse consigo mesmo: “Bem que eu podia dormir sem essa”. Literalmente. Ele acionou o acelerador e já ia se afastando, quando a mulher fez a última recomendação:
–Tem um exame que deve fazer amanhã mesmo!
– E... qual é? – gemeu ele, quase em sofrimento psicológico.
A mulher sorriu divertida e arrematou o colóquio, enquanto o galanteador esperava o sinal abrir para sumir dali correndo:
– Seu primeiro exame de próstata!


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Este texto faz parte do livro
"A mulher dos sonhos & outras Histórias de humor"

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

UMA INFORMAÇÃO, POR FAVOR! Aleilton Fonseca

Uma noite, meu filho me ligou, pedindo para ir apanhá-lo na casa de um amigo. Lacônico e despachado, como todo adolescente, contentou-se em me informar que estava no bairro de Brotas, no Conjunto Catavento. E desligou. Liguei de volta, mas deu caixa.
Conheço a região mais ou menos. E achei que acabaria chegando lá no tal endereço sem muito esforço. Ledo engano. Depois de rodar meia hora sem achar o rumo certo, admiti que estava perdido. Sem mapa nem paciência, parei o carro numa esquina e abordei uma velhinha, perdão, digo: uma senhora da melhor idade.
– Boa noite. Uma informação, por favor!
A boa senhora parou e, me olhando de esguelha, desconfiada, aguardou a pergunta.
– A senhora sabe onde fica o Conjunto Catavento?
– Cata o quê? – ela apertou os olhos e apurou os ouvidos.
– Catavento – repeti.
– Ah, é lá pra cima, perto da casa de comadre Sebastiana.
– E onde fica a casa de comadre Sebastiana? – arrisquei, ora!
– Perto do Conjunto Catavento.
Depois dessa, eu ia perguntar mais o quê? Fiquei tão abismado que arrastei o carro dali sem sequer agradecer pela valiosa informação. Segui subindo a rua, prestando atenção aos detalhes.
Mais adiante, havia outra bifurcação. Eu precisava escolher um dos caminhos a seguir. E agora? Felizmente percebi que vinha, a passos calmos, um senhor, também da melhor idade. Animado, eu o abordei:
– Boa noite. Uma informação, por favor!
– Pois não, cidadão – ele disse, solícito e perfilado.
Logo percebi, pelos olhos e pelos passos, que aquele senhor vinha, no mínimo, de uma animada mesa de bar. Assim mesmo, continuei a entrevista.
– O senhor sabe onde fica o Conjunto Catavento?
– Cata quem?
– Catavento.
– Ah, é por ali, olhe. O senhor vai ali desse lado, e segue, vai seguindo em frente... Chegando ali não tem minha casa? Então! Quando o senhor avistar minha casa, é logo ali, o Catavento.
Eu não ia fazer a bobagem de perder tempo com aquela conversa. Agradeci ao homem e fui indo na direção indicada. Quem sabe, adiante eu teria mais sorte. Segui em frente, sem perder a esportiva.
O lugar era realmente confuso. E eu, cada vez mais atrapalhado, não achava o tal endereço. Havia uma lanchonete. Parei ali, e resolvi telefonar para o meu filho. Explique que estava perto, porém perdido; precisava de alguma referência.
–Você está onde? – ele perguntou.
– Em frente a uma lanchonete.
– Ah, é perto. Olha, fica aí mesmo que eu já estou chegando.
Pois bem, tanto melhor. Pus-me a esperar. Daí a pouco, entre transeuntes e automóveis, eis que vejo de novo o senhor que me dera a curiosa informação. Ele me reconheceu. Parou, me olhou, veio em minha direção. Próximo a mim, notei que fazia uma cara de surpresa. Estava muito desapontado.
– Ué, o senhor não achou? Não me leve a mal, mas eu ensinei certo. O senhor foi que não soube raciocinar.
– Tudo bem, eu... – tentei me explicar.
– Eu não lhe disse que era perto de minha casa?
– É, mas...
– Olhe a minha casa ali, olhe! – ele apontava com ênfase.
– Qual? — não sei pra que perguntei isso.
– Aquela lá, pintada de azul e rosa.
– Ah, sim, estou vendo...
– Então! Logo depois, na esquina, já é o Conjunto Catavento.
– Ah, bom...
– Eu ensinei certo, o senhor foi que não soube achar...
– Me desculpe... – eu gaguejei, me sentindo um idiota.
– É, mas da próxima vez tenha mais cuidado – ele disse, tocando na cabeça com o indicador.
Gente, aquilo era demais! Ele passava dos limites. Eu ia responder alguma coisa a ele, mas meu filho já chegava e era preciso dar meia-volta. Mesmo assim, arrisquei me divertir mais um pouco, com aquela situação bizarra.
– Por acaso, o senhor é marido de dona Sebastiana?
– Sou sim, por quê? O senhor conhece Sebá de onde? – ele perguntou intrigado, apertando os olhos, cheio de desconfiança.
– Não, por nada... – eu disse isso, engatei a marcha e fui saindo de fininho.


Do livro "A mulher dos sonhos & outras Histórias de humor"

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nhô Guimarães em Ilhéus


Sinopse Nhô Guimarães


Nhô Guimarães é uma adaptação do romance homônimo de Aleilton Fonseca, escritor grapiúna membro da Academia de Letras da Bahia, para a linguagem teatral. O livro foi concebido em 2006, como forma de homenagear os 50 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O espetáculo, em forma de monólogo, transpõe para o palco a vida, as ideias e a mítica do nosso sertão, privilegiando a linguagem falada rica em neologismos, recheadas de palavras incomuns, próprias dessas regiões. Esse tratamento é mantido na encenação como forma de valorização da diversidade linguística, existente na língua portuguesa.
A estória é apresentada através dos causos contados por uma senhora octogenária a um visitante. Entre uma estória e outra, a velha cita a presença de um amigo do falecido marido, Nhô Guimarães, senhor de jeitos elegantes, que sempre os visitava, com "seu ouvido bom de ouvir causos e seus óculos pretos de aros redondos". Uma referência direta ao escritor mineiro João Guimarães Rosa. Enquanto relata suas lembranças, a velha desenvolve ações cotidianas, como coar um café, fazer bolinho de feijão, fumar cachimbo, busca-se criar uma transposição de quem assiste para o ambiente do cotidiano interiorano.
Em 2008, ano em que se comemorou o centenário do escritor mineiro, João Guimarães Rosa, o Núcleo Criaturas Cênicas de Salvador, realizou a adaptação do romance Nhô Guimarães, lançado em 2006 pela Bertrand Brasil, para a linguagem teatral. A adaptação foi realizada por Deusi Magalhães e Edinilson Motta Pará, atriz e diretor desta montagem, que teve sua pré-estréia no teatro do IRDEB em novembro de 2008 e foi um dos vencedores do Programa BNB de Cultura/2009, com o projeto Nhô Guimarães Pelo Sertão.




Aleilton Fonseca


O autor de Nhô Guimarães é natural de Firmino Alves e ilheense de coração, tendo vivido em Ilhéus de 1964 a 1979, quando se mudou para Salvador, para estudar na UFBA. Estudou no Grupo Escolar Dom Eduardo, da Ponta da Pedra, de 1966 a 1970. De 1971 a 1976 estudou no Colégio Estadual de Ilhéus, no Malhado. Entre 1977 e 1978 estudou na EMARC, em Uruçuca, onde fez o curso de Técnico de Agrimensura. De 1975 a 1978 fez parte da extinta Filarmônica Santa Cecília, em Ilhéus, na qual tocava clarineta. Em 1978, passou no vestibular de Letras da UESC (FESPI, na época) e na UFBA, e resolveu mudar-se para Salvador.  Desde antão, todos os anos volta a Ilhéus para rever a cidade, amigos e parentes. Ainda em Ilhéus começou a escrever e tomou gosto pela literatura de Jorge Amado, Adonias Filho e Hélio Pólvora. Publicou seus primeiros textos no antigo Jornal da Manhã, de Ilhéus, entre 1977 e 1979. É professor da UEFS e membro da Academia de Letras da Bahia.

domingo, 20 de novembro de 2011

BRIGITTE BARDOT


EM BÚZIOS, COM BRIGITTE BARDOT -  10/07/2011 


Eu fui a Búzios e conheci Brigitte
sentada na mala, à prova do tempo
que cava marcas em tudo que existe
tornando passado a flor do momento.

A noite avançava, perto das onze,
e Brigitte me recebia na praça
o rosto belo, talhado no bronze,
abraços e beijos cheios de graça.

Doce aos passantes, amando-os calada,
posa pra fotos de recordação,
e sob o olhar da lua,  iluminada

recebe abraços dos que vêm agora
tocar seu corpo, de antiga paixão,
enquanto ela só do mar se enamora.

-Aleilton Fonseca-