quarta-feira, 24 de julho de 2013
IV Simposio Internacional de Humanidades 2013
TEMA DO SIMPÓSIO:
‘La poesía: un río entre tres orillas.’ - ‘A poesia: um rio entre três beiras.’
LOCAL: UniNorte - Universidad del Norte Paraguay - Gran Hotel del Paraguay - 6 al 9 agosto 2013 - Asunción - Paraguay
domingo, 14 de julho de 2013
CONVITE/ Lançamento: Melhores poemas de Sogígenes Costa
Convidamos a todos para o lançamento do
livro MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA - organizado por Aleilton
Fonseca, pela Editora Global. Uma coletânea da melhor poesia do grande
poeta de Belmonte e Ilhéus.
DATA: Dia 16 de julho, terça-feira, das 17h às 19h30.
LOCAL: Será na Academia de Letras da Bahia, Av.
Joana Angélica 198, Bairro Nazaré, Salvador- Bahia (ao lado da Escola de
Eletromecânica, Largo da Poeira).
domingo, 16 de junho de 2013
Rio Cururupe
Rio Cururupe - poema de Aleilton Fonseca e música de Sérgio di Ramos.
O rio Cururupe fica em Ilhéus, perto de Olivença. É um sítio histórico,
pois em suas margens os índios Tupinambás defenderam seu território
contra a invasão dos portugueses, em
1559, século XVI. Os índios foram massacrados e conta a lenda que as
águas avermelhadas (ferruginosas) representam o sangue indígena ali
derramado.
RIO CURURUPE (Link para o vídeo)
Aleilton Fonseca
Rio que sai do ventre das pedras,
e viaja nas veias verdes, vegetais
do entorno dos séculos, das eras,
cerne vivo de cantos imemoriais.
Um corpo de prantos a deslizar
no leito de mangues e de areias,
que se entrega às ondas do mar
nos encontros das marés cheias.
Águas de ferro, recantos ínvios,
suor e sangue, lamento a velar
as almas heróicas de seus índios,
filhos da terra, povo Tupinambá.
Eu mergulho no seio de tuas águas
que a voz do mar chama e vaticina,
lavo em teu lenço minhas lágrimas,
te busco e te abraço, sigo a tua sina.
Entre amigos...
Ruy Espinheira Filho, Antonio Brasileiro,
Aleilton Fonseca, Roberval Pereyr e Antônio Torres, II Simpósio de
Literatura baiana, UNEB, Campus de Conceição do Coité-BA, 5 e 6 de junho
de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
O Arlequim da Pauliceia – leituras e comentários

O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade: passeio por uma cidade de sonhos. - Divulgação
A Pauliceia de Mário de Andrade, vista de um bonde poético.
Por: Renato Pompeu
Foi
preciso significativamente um baiano, o poeta, ficcionista, ensaísta e
professor universitário Aleilton Fonseca, para produzir um dos livros
que mais consagram a paulistanidade, elevando-a a categoria cultural
universal, lembrando o dito do grande escritor russo Lev Tolstoi, “Canta
a tua aldeia e serás universal”. Trata-se de O Arlequim da Pauliceia –
Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade, obra lançada pela
Geração Editorial e pela UEFS Editora.
Sedução é fascínio, é isso que sentimos por isso que se apresenta como
uma viagem de bonde pela São Paulo da primeira metade do século XX, numa
trama em que Fonseca reuniu todos os seus talentos – a poesia, a
ficção, a ensaística e a pesquisa erudita – para narrar uma expedição
pelos lugares ícones da cidade, entremeada de trechos de poemas do
grande escritor e poeta que se considerava mais paulistano do que
paulista ou brasileiro, e por fotos da época, referentes aos lugares que
Fonseca descreve e Mário de Andrade canta.
Navegamos por uma cidade de sonhos, no tempo em que São Paulo era uma
cidade cheia da arte de viver, com ruas e vales repletos de prédios
encantadoramente europeus dos fins do século XIX, um ambiente
neoclássico vagamente ítalo-francês, povoado também por exuberâncias
verdejantes de árvores, arbustos e relvados plenamente tropicais que se
combinavam belamente com os tons predominantemente ocres e pratas do
Teatro Municipal e da Catedral Metropolitana.
Tudo
isso vagamente embaçado pela autêntica garoa – a umidade então
permanentemente emanada da Mata Atlântica que, por sobre a Serra do Mar,
flanqueava a cidade. Hoje pouco resta da Mata Atlântica nos arredores
da cidade e praticamente nada resta da verdadeira garoa, nome hoje
reservado ao que antigamente se chamava de chuvisco, como se a cidade
precisasse se apegar a um passado que não existe mais, a não ser na
imaginação e no coração.
Naquela época, as avenidas de fundo de vale eram realmente dignas de seu
nome: fitas de prata, como na foto que ilustra o Ponto de Partida da
viagem fantástica de bonde, entre morros de floresta virgem. Sobreposto à
imagem de uma moderna avenida povoada por velozes carros e possantes
caminhões, as ilhas que a dividem ao meio encantadoramente ornamentadas
de árvores enfileiradas, enquanto sobre ela se debruçam massas da Mata
Atlântica, o texto do Arlequim da Pauliceia proclama: “Meu pensamento é
tal e qual São Paulo, é histórico e completo. É presente e passado e
dele nasce meu ser verdadeiro”.
Nessas duas páginas de um livro de 300 páginas, estão concentradas, como
se observássemos pela lâmina de um microscópio eletrônico a
constituição de um inteiro ser vivo, todas as virtudes e belezas do
livro de Fonseca. A obra é de uma complexidade ímpar.
Trata-se de uma composição composta de composições que se referem umas
às outras. Cada texto de Fonseca é refletido em cada imagem, que por sua
vez é refletida em cada trecho de Mário de Andrade, o qual por sua vez é
refletido no texto de Fonseca.
A complexidade das referências que se entrecruzam, seja sobre o
modernismo sublimado do Prédio Martinelli, seja sobre o urbanismo algo
barroco do verdejante Vale do Anhangabaú da época, é digna não só da
imagem caleidoscópica do traje recortado em losangos multicoloridos do
secular Arlequim, como também do traço mais particular do melhor
modernismo, em que, como no romance Ulisses do irlandês James Joyce, ou
na cidade de São Paulo tanto da época como na de hoje, não só o todo é
maior do que as partes, como igualmente cada parte é, literalmente,
maior do que o todo.
E assim chegamos à essência do livro de Fonseca: como reunião de uma
totalidade composta de fragmentos, em que cada pequena parte brilha como
um universo próprio, como universo que reúne múltiplos universos
autorreferentes, tanto textuais como visuais e poéticos, o livro acaba
sendo um arlequinesco poema mais do que modernista.
Disponível em:Diário do comércio
Memória Paulistana
Livro presta homenagem aos 120 anos de Mário de Andrade
Obra estuda a influência da cidade na produção do criador de grandes obras da literatura nacional
por Maurício Xavier
Disponível em:Veja-SP
Passeando em Sampa com Mário de Andrade
Um
olhar apaixonado sobre uma obra apaixonada. O resultado são estas
milhares de linhas/trilhos que conduzem o leitor aos bondes da São Paulo
da garoa, aos lampiões a gás, levando-o a acompanhar sensorialmente a
construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício
Martinelli, ao lado de transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro
velho da cidade; mulheres à la française, à sombra dos primeiros
arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o
gemido cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em
direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje. O que
diria Mario de Andrade se visse a São Paulo atual do alto do Pico do
Jaraguá, onde pedira, em testamento poético, que os seus olhos fossem
sepultados?
Aleilton
Fonseca disseca a obra e a alma do famoso escritor, acrescentando
pontos de vistas surpreendentes. Se você nunca leu Mário de Andrade
ficará com vontade de ler. E se já leu fará uma nova leitura, uma
redescoberta. De maneira elegante, Aleilton se coloca em segundo plano
para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem
e se incorporam na busca de compartilhar o
sentimento e a poesia com seus semelhantes. Mário, frisa o autor,
“procurava incorporar-se ao coletivo, como forma de destruir em si o
egoísmo das distinções particulares, despojando-se dos valores que o
tornam um indivíduo só e solitário”.
Aleilton
nos oferece uma prosa poética, juntando fotos antigas da cidade a
excertos da obra do modernista. Uma das fotografias mostra passageiros
sentados de costas num bonde, talvez o mesmo em que Mário um dia se
sentira sozinho ao escrever: “O bonde está cheio/De novo porém/Não sou mais ninguém”. Ao
exprimir a cidade em versos, o poeta modernista procurou “domá-la,
pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a
inteligível, transparente ao sentimento humano”, acentua o autor,
acrescentando que as críticas e os elogios do poeta a São Paulo são puros atos de amor.
Pegue o bonde, então, caro leitor, e vai conversando com Aleilton
Fonseca e Mário de Andrade. Não se assuste se você vir passar um veloz
Metrô ao largo. Compare as duas metrópoles, mas volte para o presente.
Pode doer. Volte devagarinho.
Jaime Pereira da Silva (Jornalista)
Disponível em:Academia de Letras de Itabuna
Poemas para comemorar o aniversário de SP
Por Edison veiga
Um passeio pela São Paulo das primeiras décadas do século 20. O recém-lançado livro O Arlequim da Pauliceia,
de Aleilton Fonseca (Geração Editorial, 296 páginas, R$ 29,90), mostra o
amor que nutria pela capital paulista o poeta, romancista, musicólogo,
historiador, crítico de arte e fotógrafo Mário de Andrade (1893-1945) –
este multifacetado modernista, um dos mais conhecidos participantes da
Semana de Arte Moderna de 1922.
O livro proporciona ao leitor um verdadeiro passeio com o modernista Mário de Andrade – de bonde, sob a garoa ou nas noites frouxamente iluminadas por lampiões. Entre poemas e relatos, é possível acompanhar a construção de marcos paulistanos, como o Teatro Municipal, a Catedral da Sé e o Edifício Martinelli. Costumes, hábitos e estilos da época também são destacados – tanto nos homens de terno, gravata e chapéu quanto nas mulheres vestidas como elegantes francesas.
A atmosfera é completada com as descrições dos primeiros automóveis importados e o deslumbramento diante dos grandes prédios que começavam a tomar conta da paisagem do centro da cidade.
Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 21 de janeiro de 2013.
O livro proporciona ao leitor um verdadeiro passeio com o modernista Mário de Andrade – de bonde, sob a garoa ou nas noites frouxamente iluminadas por lampiões. Entre poemas e relatos, é possível acompanhar a construção de marcos paulistanos, como o Teatro Municipal, a Catedral da Sé e o Edifício Martinelli. Costumes, hábitos e estilos da época também são destacados – tanto nos homens de terno, gravata e chapéu quanto nas mulheres vestidas como elegantes francesas.
A atmosfera é completada com as descrições dos primeiros automóveis importados e o deslumbramento diante dos grandes prédios que começavam a tomar conta da paisagem do centro da cidade.
Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 21 de janeiro de 2013.
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O Arlequim da Pauliceia
O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade
O Arlequim da Pauliceia – Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade
Autor: Aleilton Fonseca
Gênero: Poesia
Acabamento: Brochura
Formato: 18,5 x 23 cm
Págs: 296
Peso: 605g
ISBN: 9788581300993
Preço: 29,90
Editora: Geração
Sinopse:
Esqueça a pressa. Pegue o bonde e viaje
lentamente pela São Paulo do início do século passado em companhia de
Mário de Andrade e de fragmentos de sua poesia. Este livro, de autoria
de Aleilton Fonseca, é um túnel do tempo, um passeio pelo centro velho
de Sampa, lembrando, de certa forma, o filme Meia noite em Paris, em que
Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes escritores e
pintores da belle époque.
Textos e fotos se encaixam com perfeição para nos fazer voltar ao passado, mergulhando-nos na obra do modernista, que amou São Paulo como ninguém. Vista uma capa para se proteger da garoa que caía insistentemente sobre a cidade, tornando-a londrina e melancólica. E sinta como Mário de Andrade amou a maior megalópole do Brasil. Boa viagem. Você está em ótima companhia. “Prazer em conhecê-lo, meu caro Aleilton”, diria o modernista.
Textos e fotos se encaixam com perfeição para nos fazer voltar ao passado, mergulhando-nos na obra do modernista, que amou São Paulo como ninguém. Vista uma capa para se proteger da garoa que caía insistentemente sobre a cidade, tornando-a londrina e melancólica. E sinta como Mário de Andrade amou a maior megalópole do Brasil. Boa viagem. Você está em ótima companhia. “Prazer em conhecê-lo, meu caro Aleilton”, diria o modernista.
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Viaje de bonde com Mário de Andrade
Este passeio poético pelo centro velho de Sampa lembra, grosso modo, o filme Meia noite em Paris,
em que Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes
escritores e pintores da belle époque. Só que o encontro é “apenas” com
Mário de Andrade, que vale por muitos.
Em O arlequim da Pauliceia,
Aleilton Fonseca destaca o amor de Mário de Andrade por São Paulo, ao
mesmo tempo em que descobre novos sentidos em sua obra, mesclando
excertos dela e fotografias das primeiras décadas do século 20. O
resultado primoroso nos conduz a uma viagem nostálgica e poética.
Sensorialmente, o leitor terá o prazer de andar de bonde, molhar-se na São Paulo da garoa, iluminar-se à luz dos lampiões a gás, acompanhar a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ver simples transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade, mulheres vestidas à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o burburinho cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje.
Se você nunca leu Mário de Andrade esta obra vai despertar o seu desejo. E se já leu vai ter uma nova leitura, uma redescoberta. Aleilton se coloca elegante e humildemente em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com os seus semelhantes.
“Ao tematizar a cidade de São Paulo, Mário de Andrade produz, sobretudo, uma poética do olhar. A atitude de contemplação da paisagem urbana é um dos traços mais fortes de toda a sua obra”, destaca o autor. Segundo ele, o modernista pregava uma poesia que exprimisse os sentimentos unânimes do homem diante da agitada vida urbana. Exprimir a cidade em versos significava, para o poeta, domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano, explica Fonseca.
O leitor está em ótima companhia. Desacelere e volte ao início do século passado. Depois volte devagarinho, para não se assustar com a cidade atual diante de si. Mário de Andrade já previa esta explosão e este caos, pero sin perder la ternura.
Sensorialmente, o leitor terá o prazer de andar de bonde, molhar-se na São Paulo da garoa, iluminar-se à luz dos lampiões a gás, acompanhar a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ver simples transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade, mulheres vestidas à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o burburinho cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje.
Se você nunca leu Mário de Andrade esta obra vai despertar o seu desejo. E se já leu vai ter uma nova leitura, uma redescoberta. Aleilton se coloca elegante e humildemente em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com os seus semelhantes.
“Ao tematizar a cidade de São Paulo, Mário de Andrade produz, sobretudo, uma poética do olhar. A atitude de contemplação da paisagem urbana é um dos traços mais fortes de toda a sua obra”, destaca o autor. Segundo ele, o modernista pregava uma poesia que exprimisse os sentimentos unânimes do homem diante da agitada vida urbana. Exprimir a cidade em versos significava, para o poeta, domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano, explica Fonseca.
O leitor está em ótima companhia. Desacelere e volte ao início do século passado. Depois volte devagarinho, para não se assustar com a cidade atual diante de si. Mário de Andrade já previa esta explosão e este caos, pero sin perder la ternura.
Entrevista com o autor
1. Quando começou a escrever? Qual foi o seu primeiro livro publicado?
Comecei a escrever poesia e ficção aos 17 anos, quando ainda morava em Ilhéus, cidade da Gabriela de Jorge Amado. Publicava nos jornais de Ilhéus e de Salvador. Em 1981, já em Salvador, lancei meu primeiro livro de poesia. Resolvi fazer o curso Letras, a fim de me tornar professor de literatura e tentar construir a carreira de escritor. Deu certo. Fiz graduação na UFBA, mestrado na UFPB e concluí o doutorado na Universidade de São Paulo em 1997, com uma tese sobre Mário de Andrade. Sou professor universitário há 28 anos. Tornei-me escritor, tenho cerca de 20 livros já publicados, em poesia, conto, romance e ensaio.
Comecei a escrever poesia e ficção aos 17 anos, quando ainda morava em Ilhéus, cidade da Gabriela de Jorge Amado. Publicava nos jornais de Ilhéus e de Salvador. Em 1981, já em Salvador, lancei meu primeiro livro de poesia. Resolvi fazer o curso Letras, a fim de me tornar professor de literatura e tentar construir a carreira de escritor. Deu certo. Fiz graduação na UFBA, mestrado na UFPB e concluí o doutorado na Universidade de São Paulo em 1997, com uma tese sobre Mário de Andrade. Sou professor universitário há 28 anos. Tornei-me escritor, tenho cerca de 20 livros já publicados, em poesia, conto, romance e ensaio.
2. O que te motivou a escrever o Arlequim da Pauliceia? Quanto tempo levou para escrever o livro?
O que me motivou a escrever o livro foi o meu espanto e o meu encantamento com a cidade de São Paulo. Visitei a cidade, pela primeira vez, em outubro de 1992. Fiquei chocado. Morei em São Paulo de março de 1993 a dezembro de 1995. Foi uma experiência extraordinária. Eu cheguei com um projeto de estudo, sobre música e ficção, mas mudei. Resolvi estudar as imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade. Escrevi a tese em três anos. Defendi e deixei na gaveta. Anos mais tarde, resolvi extrair da tese a parte em que faço um ensaio interpretativo da poesia de Mário, destacando as imagens que ele traduz da cidade de seu tempo, de Pauliceia desvairada (1922) a Lira paulistana (1945). Uma viagem surpreendente através da cidade amada pelo poeta.
O que me motivou a escrever o livro foi o meu espanto e o meu encantamento com a cidade de São Paulo. Visitei a cidade, pela primeira vez, em outubro de 1992. Fiquei chocado. Morei em São Paulo de março de 1993 a dezembro de 1995. Foi uma experiência extraordinária. Eu cheguei com um projeto de estudo, sobre música e ficção, mas mudei. Resolvi estudar as imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade. Escrevi a tese em três anos. Defendi e deixei na gaveta. Anos mais tarde, resolvi extrair da tese a parte em que faço um ensaio interpretativo da poesia de Mário, destacando as imagens que ele traduz da cidade de seu tempo, de Pauliceia desvairada (1922) a Lira paulistana (1945). Uma viagem surpreendente através da cidade amada pelo poeta.
3. De onde vem o amor por São Paulo? Quando começou a pesquisar sobre a cidade?
Comecei a pesquisar sobre a cidade em 1993, quando iniciei o projeto da tese/ livro. O meu amor e a minha admiração por São Paulo eu os adquiri de duas maneiras: a primeira, pelo choque, ao me deparar com a metrópole em 1993, vivendo nela suas misérias e grandezas durante 3 anos; a segunda, foi através da poesia de Mário de Andrade. São Paulo é pura comoção, na poesia de Mário e em meu olhar de espanto. Sempre volto a São Paulo e me admiro com sua grandeza. Essa cidade imensa me comove, me anula como indivíduo, e me eleva como ser; me esmaga com sua engrenagem e me orgulha com sua magnitude. Amedronta-me e me encanta.
Comecei a pesquisar sobre a cidade em 1993, quando iniciei o projeto da tese/ livro. O meu amor e a minha admiração por São Paulo eu os adquiri de duas maneiras: a primeira, pelo choque, ao me deparar com a metrópole em 1993, vivendo nela suas misérias e grandezas durante 3 anos; a segunda, foi através da poesia de Mário de Andrade. São Paulo é pura comoção, na poesia de Mário e em meu olhar de espanto. Sempre volto a São Paulo e me admiro com sua grandeza. Essa cidade imensa me comove, me anula como indivíduo, e me eleva como ser; me esmaga com sua engrenagem e me orgulha com sua magnitude. Amedronta-me e me encanta.
4. Qual foi a sua impressão da cidade em relação à relatada no seu livro?
Morei na Vila Sônia, na Rua Heitor dos Prazeres, durante 3 anos, de 1993 a 1995. Assisti às mudanças políticas da época, no início do plano real, à escalada da violência, a constante expansão urbana. Enfrentei uma enchente do Tietê/Pinheiros, fui assaltado, tive a casa arrombada e furtada. Também vi espetáculos maravilhosos de arte, teatro e literatura, exposições incríveis de artes, visitei os museus, vivi intensamente o clima da USP, fiz passeios, conheci gente de expressão e ideias. Como diz Mário, num poema da Lira paulistana: “tudo se passou em São Paulo!”. Sempre me impressionou a constante transformação visual da cidade. Eu lia isso em Mário e fazia comparações. Por exemplo, comparava o que via no atual Vale do Anhangabaú com as fotos do passado, e me perguntava: como foi possível transformar aquele local idílico num deserto de cimento e asfalto? Na lógica da cidade tudo é possível. Faz 5 anos voltei à Rua Heitor dos Prazeres, e me espantei com o novo quadro. O lado direito da rua desapareceu completamente: casas, jardins, quintais, marcas… para dar lugar ao muro da garagem do metrô, em Vila Sônia. Várias famílias que ali moravam, e com as quais eu e meus filhos fizemos amizade e tivemos convivência…nem vestígio deles nem de suas casas. Eu revia a rua original em minha memória. Uma sensação incrível. Eis a metrópole viva, revolvendo as próprias entranhas, recompondo seu tecido, seu corpo, seu espírito. As pessoas são apenas detalhes.
Morei na Vila Sônia, na Rua Heitor dos Prazeres, durante 3 anos, de 1993 a 1995. Assisti às mudanças políticas da época, no início do plano real, à escalada da violência, a constante expansão urbana. Enfrentei uma enchente do Tietê/Pinheiros, fui assaltado, tive a casa arrombada e furtada. Também vi espetáculos maravilhosos de arte, teatro e literatura, exposições incríveis de artes, visitei os museus, vivi intensamente o clima da USP, fiz passeios, conheci gente de expressão e ideias. Como diz Mário, num poema da Lira paulistana: “tudo se passou em São Paulo!”. Sempre me impressionou a constante transformação visual da cidade. Eu lia isso em Mário e fazia comparações. Por exemplo, comparava o que via no atual Vale do Anhangabaú com as fotos do passado, e me perguntava: como foi possível transformar aquele local idílico num deserto de cimento e asfalto? Na lógica da cidade tudo é possível. Faz 5 anos voltei à Rua Heitor dos Prazeres, e me espantei com o novo quadro. O lado direito da rua desapareceu completamente: casas, jardins, quintais, marcas… para dar lugar ao muro da garagem do metrô, em Vila Sônia. Várias famílias que ali moravam, e com as quais eu e meus filhos fizemos amizade e tivemos convivência…nem vestígio deles nem de suas casas. Eu revia a rua original em minha memória. Uma sensação incrível. Eis a metrópole viva, revolvendo as próprias entranhas, recompondo seu tecido, seu corpo, seu espírito. As pessoas são apenas detalhes.
5. Por que escolheu esse título para o livro?
O título do livro é uma descoberta recente. Ao resolver publicar o ensaio, descobri que o título devia ser centrado na figura de Mário de Andrade, a partir da condição que ele assume como cantor, trovador e domador da cidade. O arlequim é uma alegoria da condição que o poeta Mário de Andrade assume para representar – no palco da poesia – a sua cidade amada. Sua poesia é um drama, um canto doído de amor a São Paulo.
O título do livro é uma descoberta recente. Ao resolver publicar o ensaio, descobri que o título devia ser centrado na figura de Mário de Andrade, a partir da condição que ele assume como cantor, trovador e domador da cidade. O arlequim é uma alegoria da condição que o poeta Mário de Andrade assume para representar – no palco da poesia – a sua cidade amada. Sua poesia é um drama, um canto doído de amor a São Paulo.
6. De que forma São Paulo influenciou a poesia de Mário de Andrade, na sua opinião? Total
e visceralmente. Mário dizia que era um poeta paulistano, e não
paulista nem brasileiro, tal era sua devoção lírica à cidade. Ele a
considerava sua “noiva”, e sua poesia era o filho dessa união
problemática. Toda a sua obra poética atravessa a cidade, desde Pauliceia desvairada até Lira paulistana,
desde o poema inicial, no qual a cidade e sua “Inspiração”, até o canto
de despedida “A meditação sobre o Tietê”. É uma relação completa,
singular, sofrida e admirável.
7. Esse livro propõe uma longa e
deliciosa viagem pela São Paulo do início do século passado em
companhia de Mário de Andrade e de fragmentos de sua poesia. O que o
leitor irá encontrar nessa viagem ao túnel do tempo?
O leitor poderá passear com os olhos por ruas, cruzamentos, esquinas e praças através de várias fotos antigas que trazem de volta as imagens que a memória coletiva já perdeu. E o leitor trilhará por passagens cruciais de uma poesia de amor a São Paulo, uma espécie de roteiro sentimental de uma cidade em marcha para se transformar na metrópole de hoje, com suas grandezas e misérias. O poeta Mário de Andrade tem uma visão amorosa, mas também muito crítica acerca da cidade. Ao final, vivido e experiente, ele abandona a comoção de louvor à São Paulo e tenta corrigir os seus rumos, mas ninguém o escuta, pois estão todos surdos com a marcha voraz da máquina urbana. O poeta, conclui seu canto de despedida, ”A meditação”, entregando-se simbolicamente às águas escuras do rio Tietê. E morre alguns dias depois, em 25 de fevereiro de 1945.
O leitor poderá passear com os olhos por ruas, cruzamentos, esquinas e praças através de várias fotos antigas que trazem de volta as imagens que a memória coletiva já perdeu. E o leitor trilhará por passagens cruciais de uma poesia de amor a São Paulo, uma espécie de roteiro sentimental de uma cidade em marcha para se transformar na metrópole de hoje, com suas grandezas e misérias. O poeta Mário de Andrade tem uma visão amorosa, mas também muito crítica acerca da cidade. Ao final, vivido e experiente, ele abandona a comoção de louvor à São Paulo e tenta corrigir os seus rumos, mas ninguém o escuta, pois estão todos surdos com a marcha voraz da máquina urbana. O poeta, conclui seu canto de despedida, ”A meditação”, entregando-se simbolicamente às águas escuras do rio Tietê. E morre alguns dias depois, em 25 de fevereiro de 1945.
Disponível em: Geração editorial
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O Arlequim da Pauliceia
terça-feira, 16 de abril de 2013
CONVITE DE LANÇAMENTO
Caros amigos e leitores, vocês
estão convidados
para o lançamento de meu livro
para o lançamento de meu livro
"O ARLEQUIM DA
PAULICEIA.
Imagens de São Paulo na poesia
de Mário de Andrade"
Local: Livraria Saraiva,
do Salvador Shopping.
Dia: 24 de abril, quarta-feira, a partir das 18h.
Dia: 24 de abril, quarta-feira, a partir das 18h.
Grato. Um abraço
Aleilton fonseca
sábado, 16 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Romances de Aleilton Fonseca são estudados em evento na Sorbonne
O escritor e acadêmico baiano Aleilton Fonseca tem seus romances
estudados na Universidade de Berlim (Alemanha) e será tema de mesa em
evento na Universidade Sorbonne, da França, em março. O professor alemão
Georg Wink (Freie Universität Berlin) apresentará o trabalho
intitulado: “Sertão revisitado: dialogando com os clássicos em Nhô
Guimarães e O pêndulo de Euclides, de Aleilton Fonseca” no evento
“Littérature brésilienne contemporaine: espaces, traductions et
médiations culturelles, a realizar-se, na França, em 7 e 8 de março.
Confiram AQUI a programação do evento.
O Desterro dos mortos: pequenas observações
Comentários e observações sobre o livro "O desterro dos mortos".
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O desterro dos mortos,
Vídeo
domingo, 2 de dezembro de 2012
Lançamento/ O ARLEQUIM DA PAULICEIA - Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade, Aleilton Fonseca
FONSECA, Aleilton. O ARLEQUIM DA PAULICEIA - Imagens de São Paulo na Poesia de Mário de Andrade. São Paulo: Geração Editorial, 2012. 300 págs. ilustradas (fotos de Sâo Paulo antiga).
Passeando em Sampa com Mário de Andrade
Um olhar apaixonado sobre uma obra apaixonada. O resultado são estas milhares de linhas/trilhos que conduzem o leitor aos bondes da São Paulo da garoa, aos lampiões a gás, levando-o a acompanhar sensorialmente a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ao lado de transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade; mulheres à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o gemido cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje. O que diria Mario de Andrade se visse a São Paulo atual do alto do Pico do Jaraguá, onde pedira, em testamento poético, que os seus olhos fossem sepultados?
Aleilton Fonseca disseca a obra e a alma do famoso escritor, acrescentando pontos de vistas surpreendentes. Se você nunca leu Mário de Andrade ficará com vontade de ler. E se já leu fará uma nova leitura, uma redescoberta. De maneira elegante, Aleilton se coloca em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com seus semelhantes. Mário, frisa o autor, “procurava incorporar-se ao coletivo, como forma de destruir em si o egoísmo das distinções particulares, despojando-se dos valores que o tornam um indivíduo só e solitário”.
Aleilton nos oferece uma prosa poética juntando fotos antigas da cidade a excertos da obra do modernista. Uma das fotografias mostra passageiros sentados de costas num bonde, talvez o mesmo em que Mário um dia se sentira sozinho ao escrever: “O bonde está cheio/De novo porém/Não sou mais ninguém”. Ao exprimir a cidade em versos, o poeta modernista procurou “domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano”, acentua o autor, acrescentando que as críticas e os elogios do poeta a São Paulo são puros atos de amor.
Pegue o bonde, então, caro leitor, e vai conversando com Aleilton Fonseca e Mário de Andrade. Não se assuste se você vir passar um veloz Metrô ao largo. Compare as duas metrópoles, mas volte para o presente. Pode doer. Volte devagarinho.
Jaime Pereira da Silva (Jornalista)
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Livro,
O Arlequim da Pauliceia
domingo, 25 de novembro de 2012
"28e. Festival International de la Poésie"
Nesta
foto, reúne-se parte dos 80 poetas que participaram do "28e. Festival
International de la Poésie", na cidade de Trois-Rivières, Québec/Canadá,
de 28 de setembro a 7 de outubro de 2012. Tive a honra de ser o poeta
convidado para representar o Brasil, em cerca de 30 atividades, nos dez
dias do evento
domingo, 30 de setembro de 2012
28º. Festival Internacional da Poesia no Canadá
O escritor e acadêmico Aleilton Fonseca, professor
da UEFS, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE-SP e da Academia de
Letras da Bahia, estará participando do 28e FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA
POÈSIE, no Quebec, Canadá, como escritor brasileiro convidado. O evento
acontece de 28 setembro a 7 outubro, na cidade de Trois-Rivière, Quebec – Canadá. O
evento é anual, e este ano conta com a presença de cerca de 80 poetas
convidados de diversos países, bem como um grande público formado por
jornalistas, críticos, estudiosos, estudantes e leitores em geral.
No evento, Aleilton Fonseca estará participando de várias atividades e sessões bilingues de leitura de poemas, bate-papos, encontros e discussões sobre poesia. Também lançará o livro bilíngue “Une rivière dans les yeux/um rio nos olhos” – poemas, tradução de Dominique Stoenesco, uma coedição
das editoras baianas Mondrongo e Via Litterarum.
Depois do Canaa, o escritor baiano seguirá para a França, de 10 a 18 de outubro, para participar de eventos em universidades francesas (em Rennes e em Nantes), onde também lançará o livro de poemas, em encontros literários e acadêmicos.
das editoras baianas Mondrongo e Via Litterarum.
Depois do Canaa, o escritor baiano seguirá para a França, de 10 a 18 de outubro, para participar de eventos em universidades francesas (em Rennes e em Nantes), onde também lançará o livro de poemas, em encontros literários e acadêmicos.
SITE DO EVENTO: Aqui
* PARTES DO PROGRAMA COM A PARTICIPAÇÃO DE ALEILTON FONSECA*
* 28 de outubro – Abertura
* 29 de setembro – sábado*
8 h – 9 h 30 : *Petit déjeuner*: *Fédération des Festivals Internationaux de Poésie*, *Réservé aux poètes invités.* Petit Salon, restaurant Le Rouge vin, Hôtel Gouverneur, 975, rue Hart, 819 379-9813. *Poètes* *invités : *Javier Alvarado (Panama), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil*), Kätlin Kaldmaa (Estonie), Drazen Katunaric (Croatie), Sigurdur Palsson (Islande), Rigoberto Paredes (Honduras), Simona Popescu (Roumanie), Pablo Poblète (France/Chili), Carles Torner (Catalogne/Espagne), John Watson (Australie). *Animateur* : Gaston Bellemare (Québec).
10 h – 11 h 30 : *Liberté de parole et poésie dans le monde : questions et lectures.* Vieille Prison de Trois-Rivières, 200, rue Laviolette, 819 379-9813. *Poètes* : Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Sylvestre Clancier (France), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Emmanuel Simard (Québec). * Animateur* : Gaston Bellemare (Québec).
17 h – 18 h 30 : *Apéro-p**oésie :* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure, 819 378-9925. *Poètes* : Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil*), Victor Mendiola (Mexique), Emmanuel Simard (Québec).
*30 de setembro – domingo*
16 h – 17 h : *Poètes en prison. *Vieille prison, 200, rue Laviolette, 819 372-0406. *Poètes* : Fredric Gary Comeau (Nouveau-Brunswick/Québec), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Drazen Katunaric (Croatie), Antonio D’Alfonso, Émile Martel, Prix du Gouverneur
général-poésie-1995 (Québec).
général-poésie-1995 (Québec).
18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Le Saint-Germain Bistro, 401, rue Saint-Roch, 819 372-0607. *Début des lectures : 18 h 30.* *Poètes : *François
Guerrette, Prix Jean-Lafrenière/Zénob-2012 (Québec), Raymond Guy Leblanc
(Nouveau-Brunswick), Aleilton Fonseca (Brésil), Giovanny Gomez (Colombie),
Victor Mendiola (Mexique).
Victor Mendiola (Mexique).
23 h :* Poèmes de nuit.* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure, 819 378-9925.
*Poètes* : Michel Côté, Prix littéraire Le Droit-poésie-2011, Émile
Roberge, Emmanuel Simard (Québec), Michel Dallaire (Ontario), *Aleilton
Fonseca (Brésil)*, Victor Mendiola (Mexique).
*Dia 2 de outubro – terça-feira:*
12 h 30 – 13 h 15 : *Réservé aux étudiants de Villa Sainte-Marcelline.
Dîner-Poésie – Rencontre de poètes. Poètes* : Galerie d’Art du Parc : *Aleilton
Fonseca (Brésil)*. Salle régionale de la Maison de la culture : Drazen
Katunaric (Croatie). Musée québécois de culture populaire : Sigurdur
Palsson (Islande).
18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Bistro L’Ancêtre,603, rue des Ursulines,
819 373-7077. *Poètes* : Fredric Gary Comeau (Nouveau-Brunswick/Québec),
Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Giovanny
Gomez (Colombie), Germaine Beaulieu (Québec).
20 h 30 : *Récital-poésie*. Café Bar Zénob,171, rue Bonaventure,
819 378-9925. *Poètes* : Jean-Paul Daoust, Prix
Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Isabelle Dumais (Québec), José Claer
(Ontario), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, John Watson (Australie).
*3 de outubro – quarta-feira*
13 h 30 – 15 h : *Poésie ludique*. *Artiste* :Régent Ladouceur. Galerie
d’art Le Réfectoire, Musée des Ursulines,
734, rue des Ursulines, 819 375-7922. *Poèmes* : Carl Bessette. *Poètes* :
Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du
Gouverneur général-poésie-2000, Jean-Philippe Dupuis (Québec), Georges
Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Rigoberto Paredes (Honduras),
Simona Popescu (Roumanie).
Simona Popescu (Roumanie).
16 h – 17 h : *Goûter-poésie. *Nys Pâtissier, 1449, rue Notre-Dame centre,
819 691-9080. *Poètes : **Aleilton Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa
(Estonie), Amir Or (Israël).
18 h : *Souper-poésie*. Restaurant Le Saint-Germain Bistro, 401, rue
Saint-Roch, 819 372-0607. *Début des lectures : 18 h 30.* *Poètes* :
Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Normand de
Bellefeuille, Grand Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur
général-poésie-2000 (Québec), Pablo Poblète (France/Chili), *Aleilton
Fonseca (Brésil)*.
*4 de outubro – quinta-feira*
9 h – 10 h : *Tartines et poésie.*Restaurant Le Sacristain, 300, rue
Bonaventure, 819 694-1344. *Poètes :*Michel Thérien (Ontario), *Aleilton
Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa (Estonie), Sigurdur Palsson (Islande),
Étienne Ruhaud (France).
12 h : *Dîner-poésie*. *Apportez votre lunch*. Foyer de la Maison de la
culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville,
819 379-9813. *Poètes* : *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Kätlin Kaldmaa
(Estonie), Vladimir Zakharov (Russie), Paule Doyon (Québec).
17 h : *Apéro-poésie*. Bar l’Hexagone, Hôtel Delta Trois-Rivières, 1620,
rue Notre-Dame Centre, 819 376-1991. *Poètes *: Sarah Yi-Mei Tsiang
(Ontario), Aleilton Fonseca (Brésil), Aarón Rueda (Mexique), Odelin
Salmeron (Québec).
*4 de outubro – sexta-feira*
12 h : *Dîner-poésie.* Café Le Bucafin, 920, boul. du Saint-Maurice,
819 376-2122.*Poètes* : *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique),
Victor Mendiola (Mexique), Pablo Poblète (France/Chili), Victor Redondo
(Argentine).
17 h : *Apéro-poésie*. Foyer de la Maison de la culture, 1425, place de
l’Hôtel-de-Ville, 819 379-9813. *Musique : *Daniel Lessard. *Poètes :
*Jean-Paul
Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Carole David, Prix
Alain-Grandbois-2011 (Québec), Margaret Michèle Cook (Ontario), *Aleilton
Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique), Vladimir Zakharov (Russie).
*5 de outubro – sábado*
16 h : *Rencontre d’information pour les poètes de la Grande soirée
Québecor de la poésie* à la Maison de la culture : Françoise Coulmin, Prix
International de Poésie Antonio Viccaro-2012 (France), Jean-Paul Daoust,
Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Normand de Bellefeuille, Grand
Prix Québecor du FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000, Joël
Des Rosiers, Prix Athanase-David-2011, Marco Geoffroy, Prix Piché de poésie de l’UQTR-2012, Prix de poésie Radio-Canada-2012 (Québec), Marilyn Dumont
(Alberta), Phil Hall, Prix du Gouverneur général-poésie-2011 (Ontario),
Javier Alvarado (Panama), Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Georges Castera
(Haïti), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Aarón Rueda (Mexique), Kätlin Kaldmaa
(Estonie), Erik Lindner (Pays-Bas), Victor Mendiola (Mexique), Sigurdur
Palsson (Islande), Victor Redondo (Argentine), Carles Torner
(Catalogne/Espagne), Vladimir Zakharov (Russie), John Watson (Australie),
Amir Or (Israël), Rigoberto Paredes (Honduras).
20 h : *Grande soirée Québecor de la poésie *: dédiée, aux poètes décédés
au cours de l’année et spécialement à : Louky Bersianik, Rémi-Paul Forgues,
Jean-Pierre Guay, Irving Layton, Angéline Neveu, Marie Savard (Québec),
Wislawa Szymborska, Prix Nobel de littérature 1996 (Pologne). Maison de la
culture, 1425, place de l’Hôtel-de-Ville. Coût : à partir de 15 $ taxes
incluses. *Réservations* *entre 11 h et 18 h* : 819 380-9797 ou
billetterie@v3r.net ou 1 866 416-9797 (sans frais). *Poètes :*Françoise
Coulmin, Prix International de Poésie Antonio Viccaro-2012 (France),
Jean-Paul Daoust, Prix Jaime-Sabines-Gatien-Lapointe-2012, Carole David,
Prix Alain-Grandbois-2011, Normand de Bellefeuille, Grand Prix Québecor du
FIP-2012 et Prix du Gouverneur général-poésie-2000, Joël Des Rosiers, Prix
Athanase-David-2011, Louise Dupré, Prix du Gouverneur général-Poésie-2011,
Marco Geoffroy, Prix Piché de poésie de l’UQTR-2012 (Québec), Prix de
poésie Radio-Canada-2012 (Québec), Marilyn Dumont (Alberta), Phil Hall,
Prix du Gouverneur général-poésie-2011 (Ontario), Javier Alvarado (Panama),
Kazimierz Brakoniecki (Pologne), Georges Castera (Haïti), *Aleilton Fonseca
(Brésil),** * Aarón Rueda (Mexique), Kätlin Kaldmaa (Estonie), Erik Lindner
(Pays-Bas), Victor Mendiola (Mexique), Sigurdur Palsson (Islande), Victor
Redondo (Argentine), Carles Torner (Catalogne/Espagne), Vladimir Zakharov
(Russie), John Watson (Australie), Amir Or (Israël), Rigoberto Paredes
(Honduras).
*6 de outubro – domingo*
13 h 30 – 15 h : *Poésie ludique*. *Artiste* :Régent Ladouceur. Galerie
d’art Le Réfectoire, Musée des Ursulines,
734, rue des Ursulines, 819 375-7922.*Poèmes* : Carl Bessette. *Poètes* :
Kazimierz Brakoniecki (Pologne), *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Claire-Anne
Magnès (Wallonie-Belgique), Étienne Ruhaud (France), Robert Giroux, Pica
(Québec).
17 h : *Musique du monde et poésie d’ailleurs*. Salle Louis-Philippe-Poisson, Maison de la culture, 1425, place de
l’Hôtel-de-Ville, 819 379-9813.*Musiciens : *Claire Tremblay et Sébastien
Deshaies. *Poètes *: *Aleilton Fonseca (Brésil)*, Claire-Anne Magnès
(Wallonie-Belgique), Victor Mendiola (Mexique), Rigoberto Paredes (Honduras
Encerramento:
*Fin des activités du Festival International de la Poésie.*
23 h :* **Poèmes de nuit.* Café Bar Zénob, 171, rue Bonaventure,
819 378-9925.*Poètes* : tous les poètes invités du 28e FIP encore présents.
Fonte: (Blog da Academia de Letras da Bahia)
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
28e. FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA POÉSIE 2012
ALEILTON FONSECA É UM DOS ESCRITORES CONVIDADOS PARA PARTICIPAR DO 28º. FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA POÉSIE 2012.
28 de setembro a 7 de outubro
Trois-Rivières - Québec - Canada
Trois-Rivières - Québec - Canada
terça-feira, 21 de agosto de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
Feliz Aniversário!
Mais um dia...Novo dia...Outro dia...Muitos dias...
Dia de receber, ainda mais, o carinho da família, dos amigos e também dos leitores.
Hoje é dia de refletir sobre a vida, sobre os passas dados, os caminhos trilhados e renovar os planos para os próximos dias...os próximos anos! E também os próximos livros (rsrs).
Assim, desejamos a você, querido Aleilton, muita saúde, muita luz, uma paz constante, infinitas alegrias, toda felicidade que couber em sua alma, amor sempre e crescente, sua família sempre próxima,que Deus o abençôe infinitamente, e claro, muitooo SUCESSO!
Parabéns!!!
Dia de receber, ainda mais, o carinho da família, dos amigos e também dos leitores.
Hoje é dia de refletir sobre a vida, sobre os passas dados, os caminhos trilhados e renovar os planos para os próximos dias...os próximos anos! E também os próximos livros (rsrs).
Assim, desejamos a você, querido Aleilton, muita saúde, muita luz, uma paz constante, infinitas alegrias, toda felicidade que couber em sua alma, amor sempre e crescente, sua família sempre próxima,que Deus o abençôe infinitamente, e claro, muitooo SUCESSO!
Parabéns!!!
domingo, 8 de julho de 2012
MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA, (org.) Aleilton Fonseca
No próximo sábado, dia 14 de julho, Aleilton
Fonseca estará na cidade de Belmonte-Bahia, para o lançamento do livro
MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA. O livro, organizado por Fonseca,
acaba de sair pela editora Global, de São Paulo, em edição nacional, na
Coleção Melhores Poemas, com direção da escritora Edla van Stein. Além
de organizar a coletânea, Aleilton Fonseca também fez o estudo crítico
introdutório sobre a obra lírica do poeta belmontense. Sosígenes Costa
nasceu em Belmonte, em 14 de novembro de 1902, viveu muitos anos em
Ilhéus, e depois no Rio de Janeiro, onde faleceu, em 5 de novembro de
1968. Deixou apenas um livro publicado Obra poética (1959), que recebeu o
primeiro Prêmio Jabuti de poesia, em 1960. O poeta foi redescoberto no
final da década de 70, através de um ensaio Pavão parlenda paraíso, de
José Paulo Paes, da reedição do seu livro de estreia, ampliado e
organizado por Paes, e da edição do longo poema narrativo Iararana
(1979). No final dos anos 90, sua obra voltou à tona, graças a um ensaio
original de Gerana Damulakis, Sosígenes Costa - o poeta grego da Bahia
(1996). Em 2002, o centenário do poeta foi comemorado na ALB, através de
um seminário promovido pela revista Iararana, então editada por Carlos
Ribeiro e Aleilton Fonseca. Em seguida, a publicação da revista Iararana
(14 números), a Poesia completa (Conselho de Cultura da Bahia), a
coletânea crítica A Sosígenes com afeto (Org. Hélio Pólvora) e Travessia
de oásis. A sensualidade da poesia de Sosígenes Costa (Florisvaldo
Mattos) consolidaram o nome do autor, chamando a atenção para sua obra.
Surgiram então artigos,e studos e ensaios sobre a obra do poeta dos
pavões e das paisagens atlânticas. Em 2007, a pesquiadora carioca Jane
Malafaia defendeu uma dissertação de mestrado (O modernismo singular de
Sosígenes Costa) na Universidade Federal Fluminense, e em setembro
próximo defende tese de doutorado (a primeira sobre o poeta) na mesma
UFF, sobre os torneios das metáforas na poesia de Sosígenes Costa. O
livro MELHORES POEMAS DE SOSÍGENES COSTA insere o poeta belmontense numa
seleta coleção da melhor poesia brasileira de todos os tempos, fazendo
jus ao seu valor estético, temático e cultural.
domingo, 3 de junho de 2012
Convite/Lnçamento: Memorial dos corpos sutis, de Aleilton Fonseca.
Lançamento do livro "Memorial dos corpos sutis". Dia 5 de junho, terça, à 19 h no Bar Póstudo, no Rio Velmelho, Salvador-Bahia.
Galera de Salvador que não tiver outro compromisso agendado...vamos prestigiar!
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sábado, 3 de março de 2012
ALÔ, TELEMARKETING! Aleilton Fonseca
Tem cabimento uma coisa dessas? A pessoa está em casa lendo seu jornal, ou assistindo à TV, ou lavando os pratos, ou revendo o álbum de fotografia, ou apenas tirando um cochilo, então o telefone toca. Ao atender, com a maior boa vontade, depara-se com a voz impostada e a simpatia simulada da moça do telemarketing, especializada no uso gratuito de gerúndios.
– Bom dia, eu poderia estar falando com o Seu Fulano de Tal?
Se você é o Fulano de Tal, basta proferir uma única palavra, e pronto! Está fisgado. Ela, com um festivo tom de conversa, diz que o banco tal aprovou para você um mágico cartão, com facilidades encantadoras, crédito pré-aprovado de alguns mil reais e patati e patatá, etc e coisa e tal. E tenta completar assim o golpe de sedução:
– O senhor vai poder estar retirando um empréstimo de 5 mil reais...
Certa vez, alvejado por essa artilharia pesada, contra-ataquei na hora.
– Moça, eu não preciso de empréstimo. Ao contrário, posso até emprestar esse valor ou mais ao seu banco, quer? – esnobei um pouco para ver se ela se tocava e desistia de “estar me aporrinhando” tanto.
Ela não se tocou, ou se fez de desentendida. Passou a discorrer sobre as maravilhas do cartão, dos rentáveis fundos, do seguro, do fundo de aposentadoria. E enumerou diversas formas de sequestrar o meu pobre dinheirinho da minha conta corrente.
– Basta o senhor estar confirmando seus dados, e o cartão estará sendo enviado para o seu endereço automaticamente...
– Não... não quero..., não... não estou interessado...
– ... e o senhor poderá estar dispondo de nosso atendimento especial em sua casa...
– Não, não estou interessado... – eu insistia, mas ela parecia surda.
– ... vou estar agendando uma visita do nosso consultor para...
– Não, senhora! – e desliguei o telefone, sufocado com a insuportável saraivada de gerúndios.
Um amigo desenvolveu uma boa tática para se livrar desse famigerado tele-assédio. Ele atende, diz que vai chamar a pessoa interessada, larga o telefone na mesa, e deixa o tempo passar até que a moça desista e interrompa a ligação. O problema é que voltam a ligar algum tempo depois.
Para meu espanto, a minha mulher desenvolveu uma forma engenhosa e infalível de se desvencilhar da insuportável matraca gerundiva. Toda vez que a moça pergunta pela dona da casa, ela assume uma voz de diarista distraída e vai logo explicando:
– A patroa tá viajando, tou aqui só fazendo a faxina; deseja estar deixando um recado?
_________________
Do livro: FONSECA, Aleilton. A mulher dos sonhos & outras histórias de humor. Itabuna: Via Litterarum, 2010.
– Bom dia, eu poderia estar falando com o Seu Fulano de Tal?
Se você é o Fulano de Tal, basta proferir uma única palavra, e pronto! Está fisgado. Ela, com um festivo tom de conversa, diz que o banco tal aprovou para você um mágico cartão, com facilidades encantadoras, crédito pré-aprovado de alguns mil reais e patati e patatá, etc e coisa e tal. E tenta completar assim o golpe de sedução:
– O senhor vai poder estar retirando um empréstimo de 5 mil reais...
Certa vez, alvejado por essa artilharia pesada, contra-ataquei na hora.
– Moça, eu não preciso de empréstimo. Ao contrário, posso até emprestar esse valor ou mais ao seu banco, quer? – esnobei um pouco para ver se ela se tocava e desistia de “estar me aporrinhando” tanto.
Ela não se tocou, ou se fez de desentendida. Passou a discorrer sobre as maravilhas do cartão, dos rentáveis fundos, do seguro, do fundo de aposentadoria. E enumerou diversas formas de sequestrar o meu pobre dinheirinho da minha conta corrente.
– Basta o senhor estar confirmando seus dados, e o cartão estará sendo enviado para o seu endereço automaticamente...
– Não... não quero..., não... não estou interessado...
– ... e o senhor poderá estar dispondo de nosso atendimento especial em sua casa...
– Não, não estou interessado... – eu insistia, mas ela parecia surda.
– ... vou estar agendando uma visita do nosso consultor para...
– Não, senhora! – e desliguei o telefone, sufocado com a insuportável saraivada de gerúndios.
Um amigo desenvolveu uma boa tática para se livrar desse famigerado tele-assédio. Ele atende, diz que vai chamar a pessoa interessada, larga o telefone na mesa, e deixa o tempo passar até que a moça desista e interrompa a ligação. O problema é que voltam a ligar algum tempo depois.
Para meu espanto, a minha mulher desenvolveu uma forma engenhosa e infalível de se desvencilhar da insuportável matraca gerundiva. Toda vez que a moça pergunta pela dona da casa, ela assume uma voz de diarista distraída e vai logo explicando:
– A patroa tá viajando, tou aqui só fazendo a faxina; deseja estar deixando um recado?
_________________
Do livro: FONSECA, Aleilton. A mulher dos sonhos & outras histórias de humor. Itabuna: Via Litterarum, 2010.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
O GALANTEADOR - Aleilton Fonseca
A mulher ia tranquila pela calçada, em direção a sua residência, quando percebeu que, da janela de um automóvel, vinha o aceno de um desconhecido. Primeiro olhou discretamente, sem intenção de atender. O homem foi encostando o veículo, e insistiu no aceno, com um sorriso simpático. Ela hesitou em atender. Mas pensou: ora, ele deve estar querendo uma informação. Aproximou-se do motorista e, antes que dissesse algo, ouviu a abordagem inusitada:
– Oi, amor! Para onde vai? Quer ir comigo, minha linda?
Ela estacou, surpresa por um instante. Imediatamente se refez do susto, e riu divertida, achando a cena mais que engraçada, totalmente bizarra. O homem aguardava a resposta, com uma vaga esperança nos olhos semi-cerrados diante da intensa claridade do dia.
– Não, senhor; muito obrigada. Eu moro aqui perto.
– Que tal um chope? Vamos bater um papo.
– Não, agradeço pela gentileza.
Aproximando-se, a mulher olhou mais detidamente para o homem. Moreno, ligeiramente calvo, aparentava uns 45 anos. A marca nítida da aliança denunciava que ele a tirara do dedo, a fim de buscar um affair passageiro. Parecia um marido típico, afundado na rotina de um casamento saturado.
– Eu preciso bater um papo com você, amor! – ele insistiu.
– Ah, eu gostaria mesmo de falar com o senhor – disse a mulher, assumindo uma postura mais ativa.
O homem se animou. Então ela estava a fim de papo! Se conseguisse ganhá-la por um instante, seria a glória do dia. A mulher, com um olhar agora incisivo, continuou o diálogo:
– Em primeiro lugar, esse cigarro está lhe fazendo mal.
Ele, no susto, imediatamente esfregou o cigarro no cinzeiro do carro e atirou o toco longe, para demonstrar claramente a sua renúncia.
– Só fumo de vez em quando – explicou, na defensiva.
– Não devia fumar nunca. Isso mata a pessoa aos pouquinhos.
O homem, com o olhar intimidado, prestava atenção à conversa, entre curioso e espantado. A mulher prosseguiu a inspeção:
– Precisa ir à academia cuidar desses pneuzinhos aí...
– Ah, eu vou... semana que vem eu volto a malhar.
– E essa barriguinha de chope? Vai deixar de beber ou não vai?
– Sim, parei a partir de agora – prometeu, cruzando dois dedos sobre os lábios.
– Está acima do peso. Deixe o carro em casa e vá caminhar.
– Sim, sim: meu médico sempre me cobra isso – informou, assombrado.
– Por falar nisso, há quanto tempo não faz seus exames?
– Pois é... – murmurou, já encolhido, agarrando-se ao volante.
– E tem um exame que precisa fazer logo.
– E qual é? – perguntou, curioso e humilde.
– Está apertando muito os olhos... Faça um exame de vista urgente.
– É, tem razão – concordou, visivelmente vexado.
– E sua mulher? Cuide mais dela, leve-a para passear, viajem juntos.
– Pode deixar, pode deixar... – disse ele, já acionando o motor do carro.
– Se cuide, hein!
– A senhora por acaso é médica? – indagou, num tom respeitoso.
– Sou advogada, casada, e tenho 48 anos.
– Nossa! Eu lhe dava uns 30... – espantou-se, encabulado.
– Obrigada! É que eu não bebo, não fumo, como pouco, faço caminhada, durmo bem, pratico esporte, viajo muito... e sou fiel.
– Ah, bom... eu já vou indo... – ele engatou a marcha, queria fugir dali e enfiar a cabeça no chão.
A mulher sorriu; estava satisfeita com o resultado de seu contra-ataque. Percebeu que o homem, sem graça e desfeito, talvez pensasse consigo mesmo: “Bem que eu podia dormir sem essa”. Literalmente. Ele acionou o acelerador e já ia se afastando, quando a mulher fez a última recomendação:
–Tem um exame que deve fazer amanhã mesmo!
– E... qual é? – gemeu ele, quase em sofrimento psicológico.
A mulher sorriu divertida e arrematou o colóquio, enquanto o galanteador esperava o sinal abrir para sumir dali correndo:
– Seu primeiro exame de próstata!
----------------------------------------------
Este texto faz parte do livro
"A mulher dos sonhos & outras Histórias de humor"
– Oi, amor! Para onde vai? Quer ir comigo, minha linda?
Ela estacou, surpresa por um instante. Imediatamente se refez do susto, e riu divertida, achando a cena mais que engraçada, totalmente bizarra. O homem aguardava a resposta, com uma vaga esperança nos olhos semi-cerrados diante da intensa claridade do dia.
– Não, senhor; muito obrigada. Eu moro aqui perto.
– Que tal um chope? Vamos bater um papo.
– Não, agradeço pela gentileza.
Aproximando-se, a mulher olhou mais detidamente para o homem. Moreno, ligeiramente calvo, aparentava uns 45 anos. A marca nítida da aliança denunciava que ele a tirara do dedo, a fim de buscar um affair passageiro. Parecia um marido típico, afundado na rotina de um casamento saturado.
– Eu preciso bater um papo com você, amor! – ele insistiu.
– Ah, eu gostaria mesmo de falar com o senhor – disse a mulher, assumindo uma postura mais ativa.
O homem se animou. Então ela estava a fim de papo! Se conseguisse ganhá-la por um instante, seria a glória do dia. A mulher, com um olhar agora incisivo, continuou o diálogo:
– Em primeiro lugar, esse cigarro está lhe fazendo mal.
Ele, no susto, imediatamente esfregou o cigarro no cinzeiro do carro e atirou o toco longe, para demonstrar claramente a sua renúncia.
– Só fumo de vez em quando – explicou, na defensiva.
– Não devia fumar nunca. Isso mata a pessoa aos pouquinhos.
O homem, com o olhar intimidado, prestava atenção à conversa, entre curioso e espantado. A mulher prosseguiu a inspeção:
– Precisa ir à academia cuidar desses pneuzinhos aí...
– Ah, eu vou... semana que vem eu volto a malhar.
– E essa barriguinha de chope? Vai deixar de beber ou não vai?
– Sim, parei a partir de agora – prometeu, cruzando dois dedos sobre os lábios.
– Está acima do peso. Deixe o carro em casa e vá caminhar.
– Sim, sim: meu médico sempre me cobra isso – informou, assombrado.
– Por falar nisso, há quanto tempo não faz seus exames?
– Pois é... – murmurou, já encolhido, agarrando-se ao volante.
– E tem um exame que precisa fazer logo.
– E qual é? – perguntou, curioso e humilde.
– Está apertando muito os olhos... Faça um exame de vista urgente.
– É, tem razão – concordou, visivelmente vexado.
– E sua mulher? Cuide mais dela, leve-a para passear, viajem juntos.
– Pode deixar, pode deixar... – disse ele, já acionando o motor do carro.
– Se cuide, hein!
– A senhora por acaso é médica? – indagou, num tom respeitoso.
– Sou advogada, casada, e tenho 48 anos.
– Nossa! Eu lhe dava uns 30... – espantou-se, encabulado.
– Obrigada! É que eu não bebo, não fumo, como pouco, faço caminhada, durmo bem, pratico esporte, viajo muito... e sou fiel.
– Ah, bom... eu já vou indo... – ele engatou a marcha, queria fugir dali e enfiar a cabeça no chão.
A mulher sorriu; estava satisfeita com o resultado de seu contra-ataque. Percebeu que o homem, sem graça e desfeito, talvez pensasse consigo mesmo: “Bem que eu podia dormir sem essa”. Literalmente. Ele acionou o acelerador e já ia se afastando, quando a mulher fez a última recomendação:
–Tem um exame que deve fazer amanhã mesmo!
– E... qual é? – gemeu ele, quase em sofrimento psicológico.
A mulher sorriu divertida e arrematou o colóquio, enquanto o galanteador esperava o sinal abrir para sumir dali correndo:
– Seu primeiro exame de próstata!
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Este texto faz parte do livro
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