domingo, 19 de setembro de 2010

V COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA

CURSO CASTRO ALVES 2010


V COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA

22 a 24 de setembro

das 14h30 às 19h30 - Carga horária: 20 h

Coordenador:

Aleilton Fonseca (UEFS/ALB)

Academia de Letras da Bahia


Presidente

Edivaldo M. Boaventura

Av.Joana Angélica, 198 - Nazaré

Salvador-BA - 40050000

Tel/fax: (71) 3321-4308

http://www.academiadeletrasdabahia.org.br

contato@academiadeletrasdabahia.org.br

Universidade Estadual de Feira de Santana


Reitor

José Carlos Barreto de Santana

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E DIVERSIDADE CULTURAL

COORDENADOR

ALEILTON FONSECA

Prédio de Pós-Graduação em Educação, Letras e Artes

Módulo 2 - UEFS

Av. Transnordestina s/n – Novo Horizonte

44.036-900 - Feira de Santana - Bahia

Tel/Fax: (75) 3224-8287 - Fax

http://www.uefs.br/ppgldc

posldc@uefs.br

PROGRAMA GERAL

22/09 - Quarta-feira

14h30 - Sessões 1, 2, 3 e 4 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Palavra de Abertura:

Edivaldo M. Boaventura – Presidente da ALB

17h10 - Mesa redonda: Pontos de Literatura Baiana

Coordenação: Aleilton Fonseca (UEFS/ALB)

Sobre nortes e sinais: como se chega à Literatura Baiana?

Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)

Letras (en)cena: Cleise Furtado Mendes no entrelugar da Literatura e do Teatro da Bahia

Eduardo Silva Dantas de Matos (UFBA)

Novíssima Literatura Baiana: as derivas do sujeito na escrita de Ângela Vilma, Sandro Ornellas e Marcus Vinicius Rodrigues

Lívia Maria Natália de Souza Santos (UFBA)

18h00 - Filme: Castro Alves: Retrato falado do poeta

Direção: Silvio Tendler

23/09 - Quinta-feira

14h30 - Sessões 5, 6, 7 e 8 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Conferência: A Bahia na modernidade da Literatura Brasileira

Valdomiro Santana (Fund. Pedro Calmon)

18h00 - Documentário: A Bahia de Euclides da Cunha

Direção: Carlos Pronzato

24/09 - Sexta-feira

14h30 - Sessões 9,10,11 e 12 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Conferência: As musas de Castro Alves

Antônio Carlos Secchin (UFRJ/ALB/Academia Brasileira de Letras)

18h00 - Recital: Castro Alves em seus Poemas de Amor

Aicha Marques e Sandro Rangel

Direção: Aicha Marques


SESSÕES DE COMUNICAÇÕES

Dia 22/09 - quarta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 1 – Aspectos da literatura baiana

Auditório Magalhães Neto

Coordenação: Ângela Vilma Santos Bispo (UFRB-CFP)

VOZES INTERCALADAS NO ATLÂNTICO: AFINIDADES E DISSONÂNCIAS EM JORGE AMADO E PEPETELA

Derneval Andrade Ferreira (UNEB)

NOTAS DA HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA “AO PRIMEIRO ACADÊMICO BAHIANO”, SEBASTIÃO DA ROCHA PITA

Manoel Barreto Júnior (FTC)

A LUVA E O MODERNISMO BAIANO

Monalisa Valente Ferreira (UFRB-CFP)

CASCALHO, DE HERBERTO SALES: A MEMÓRIA TELÚRICA

Ângela Vilma Santos Bispo (UFRB-CFP)

IMAGENS DO SERTÃO NO ROMANCE DE ALEILTON FONSECA

Joabson Lima Figueiredo (UNEB)

MARCELO E SEUS AMIGOS INVISÍVEIS: REFLEXÕES SOBRE O FENÔMENO BULLYING A PARTIR DA PROSA DE HELENA PARENTE CUNHA

Léa Costa Santana Dias (UNEB/Euclides da Cunha)

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA: CONFLUÊNCIA DE ARTES

Solange S. Santana (PPGLitC/ UFBA)


Dia 22/09 - quarta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 2 – Literatura e crítica textual

Auditório Pedro Calmon

Coordenação: Rosa Borges dos Santos (UFBA)

A CRÍTICA TEXTUAL A SERVIÇO DA LITERATURA DRAMÁTICA BAIANA

Rosa Borges dos Santos (UFBA)

“DÊSDEMONA E OTELO”: A ANTROPONÍMIA POÉTICA DE ARTHUR DE SALLES

Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS)

LITERATURA E TEATRO NA IMPRENSA BAIANA

Carla Ceci Rocha Fagundes (IC-FAPESB/UFBA)

Williane Silva Corôa (UFBA/PPGLitC)

Rosa Borges dos Santos (UFBA)

ACERVO ESPAÇO XISTO BAHIA: VOZES E VESTÍGIOS DA LITERATURA E DA MEMÓRIA DRAMÁTICA BAIANA NA ÉPOCA DA CENSURA

Ludmila Antunes de Jesus (UFBA)

Liliam Carine (IC –PIBIC/UFBA)

LITERATURA DRAMÁTICA E CORDEL: O EXERCÍCIO DO FILÓLOGO-LINGUISTA EM A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO

Fabiana Prudente Correia (Grad./UFBA)

Ludmila Antunes de Jesus (Pós-graduanda/ UFBA)

PROPOSTA DE EDIÇÃO CRÍTICA DO ROMANCE NHÔ GUIMARÃES, DE ALEILTON FONSECA

Adna Couto (PpgLDC /UEFS)

A DRAMATURGIA CENSURADA DE ARIOVALDO MATOS: O QUE REVELA O ESPÓLIO DO AUTOR?

Mabel Meira Mota (PPGLitC -UFBA)

Rosa Borges dos Santos (UFBA)


Dia 22/09 - quarta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 3 – Poesia e crítica

Sala de Reunião (Térreo)

Coordenação: Maria da Conceição Reis Teixeira (UNEB)

TRADIÇÕES POPULARES NA LITERATURA DE ARTHUR DE SALLES: O RAMO DA FIGUEIRA

Maria da Conceição Reis Teixeira (UNEB)

“CLEPSIDRA”: O GOTEJO DA MEMÓRIA PELOS VÃOS DO EXISTIR – INCURSÕES PELA LÍRICA E RECORDAÇÃO EM MYRIAM FRAGA

Ivo Falcão da Silva (IC- Instituto de Letras - UFBA)

ROBERVAL PEREYR: DIMENSIONAMENTO E CONFIGURAÇÃO DO LIRISMO MODERNO

Elton Magalhães (Grad./UFBA)

EVOCAÇÕES EX-CÊNTRICAS NA POESIA DE RAMON VANE

Daniela Galdino Nascimento (UNEB)

“EU QUERIA MORRER DENTRO DAS ÀRVORES”: A OBRA POÉTICA DE VALDELICE PINHEIRO SOB O SIGNO DA MODERNIDADE

José Rosa dos Santos Júnior (PpgLDC - UEFS)

José Miranda Oliveira Júnior (Grad./ UESC)

AS MUSAS DE CASTRO ALVES NA POESIA DE MYRIAM FRAGA

Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (UNEB/Xique-Xique)

LUIZ GAMA E A CRÍTICA BRASILEIRA

Ana Maria Silva Carmo (Grad. /UFBA)

Dia 22/09 - quarta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 4 – Ficção, drama e teatro

Sala Edith Gama (Térreo)

Coordenação: Patricia C. Borges F. Fialho Cerqueira (UEFS)

DIAS GOMES E O TEATRO BAIANO, UMA RELAÇÃO INTERSEMIÓTICA

Patricia Conceição Borges Franca Fialho Cerqueira (UEFS)

CACOS, CONTATOS E CONFRONTOS: A RECONSTRUÇÃO LITERÁRIA EM LÁBARO ESTRELADO

Alexandre Carvalho Pitta (Grad./UFBA)

NIVALDA COSTA: A DRAMATURGA E SUA OBRA ATRAVÉS DE SEU ACERVO PARTICULAR

Débora de Souza (Pós-Grad./UFBA)

O TEATRO INFANTIL NO CONTEXTO DA DITADURA MILITAR NA BAHIA

Alan Nunes Machado Júnior (Grad./UFBA)

Adriele Lacerda Benevides (Grad./UFBA)

Rosa Borges dos Santos (UFBA)

AS ONDAS DO COTIDIANO E A POLÍTICA DA SUBJETIVIDADE EM “O DIA D DO FOTOGRAFO”, DE LUIZ EUDES ANDRADE

Cristiana da Cruz Alves (UNEB-Alagoinhas)

A REPRESENTAÇÃO DA MULHER PÓS-MODERNA EM A ENXADA E A MULHER QUE MUDOU O SEU PRÓPRIO DESTINO DE EUCLIDES NETO.

Joilton Cardozo Alves (grad./ UNEB–Ipiaú)

JACUBA, DE WILSON LINS: RESGATE PARA UMA LEITURA SÓCIO-CULTURAL

Maurício de Oliveira Santos (Grad./UEFS)

Dia 23/09 - quinta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 5 – Questões de Ficção e memória

Auditório Magalhães Neto

Coordenação: Ivana Teixeira Figueiredo Gund (UNEB)

OS MANUSCRITOS NO ARQUIVO FAMILIAR DOS CALMONS: TESTEMUNHOS DE VIDA, OBRA E PENSAMENTO CALMONIANOS

Eneida Santana (IFBA)

Zeny Duarte - Orientadora (UFBA)

A DOCE PRESENÇA DA MORTE EM O DESTERRO DOS MORTOS, DE ALEILTON FONSECA

Ivana Teixeira Figueiredo Gund (UNEB/Teixeira de Freitas)

ESCRITA E LEITURA IMAGÉTICA DA SUBJETIVIDADE EM AS DOZE CORES DO VERMELHO

Patrícia Souza Oliveira (UNEB)

EXÍLIO: UM TERRITÓRIO DE APRENDIZAGEM EM NARRATIVAS DE JUDITH GROSSMANN

Fernanda Mota (UFBA)

OS SERTÕES COMO PRODUTOR DISCURSIVO: UM OLHAR SOBRE O NARRADOR D’O PÊNDULO DE EUCLIDES, DE ALEILTON FONSECA

Léa Costa Santana Dias (UNEB/ Euclides da Cunha)

REPRESENTAÇÃO DO SUJEITO PÓS-MODERNO EM LUNARIS, DE CARLOS RIBEIRO

Arolda Maria da Silva Figueiredo (UNEB/Teixeira de Freitas)

Dia 23/09 – quinta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 6 – Questões de Poesia

Auditório Pedro Calmon

Coordenação: Carlos Ribeiro (UFRB/ALB)

GREGÓRIO E KILKERRY NO DISCURSO DO NOVO

Jorge Augusto de Jesus Silva/ (Pós-graduando/UNEB)

RAPSÓDIA DO PRIMEIRO BEIJO: FOTOGRAFIAS AMOROSAS NA HERANÇA POÉTICA DE CARLOS CHIACCHIO

Fabricio dos Santos Brandão (UEFS/UNEB-Itaberaba)

MOVIMENTO POETAS NA PRAÇA: UMA POÉTICA DE RUPTURA E RESISTÊNCIA

Antonio de Pádua de Souza e Silva (UNEB/IFBA)

O GATO E OUTROS SÍMBOLOS NA POESIA DE LÚCIA SANTÓRI-CARNEIRO

Thiago Lins da Silva (PpgLDC/UEFS)

IDÍLIOS POÉTICOS: PEQUENOS ESBOÇOS ERÓTICOS EM HONORATO FILHO

Marcela Soares Rodrigues (Colégio Gênesis - F. Santana)

OFÍCIOS E FAZERES URBANOS NA POESIA DE MARIA DE CONCEIÇÃO PARANHOS

Ricardo Pacheco Reis (PpgLDC/UEFS)

PERCEPÇÕES DA LITERATURA POP NA POESIA DE WALY SALOMÃO

Anisio Assis Filho (PPGLitC-UFBA)

Dia 23/09 - quinta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 7 – Literatura e questões culturais

Sala de Reunião (Térreo)

Coordenação: Daiane da Fonseca Pereira (UNEB)

IDENTIDADE FEMININA NO CORDEL SULBAIANO: OS DESAFIOS DA MULHER TAL E QUAL NOS TEMPOS DA COLHER DE PAU

Andréia Batista Lins (PPG Linguagens e Representações /UESC)

MEMÓRIA E IDENTIDADE NA OBRA O MILAGRE DOS PÁSSAROS, DE JORGE AMADO

Giordanio Glaysson de Souza Santos (UNEB/Brumado)

JORGE AMADO E A INVENÇÃO DO NORDESTE

Daiane da Fonseca Pereira (Mest./UNEB)

UM GIRO EM TORNO DA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE ALAGOINHAS-BAHIA

Maria José de Oliveira Santos (UNEB – Alagoinhas)

A UTOPIA DO CACAU: A TRAJETÓRIA DO MITO DO PARAÍSO NOS ROMANCES TERRAS DO SEM FIM E SÃO JORGE DOS ILHÉUS, DE JORGE AMADO

Elisângela Oliveira de Santana (UNEB)

CYRO DE MATTOS: UMA AFINADA CANÇÃO DA BAHIA

Antonio Fernando Góes Santos Junior (Grad./UNEB)

Jocelma Silva Neres (Grad./UNEB)

O PÊNDULO DE EUCLIDES: CONFLUÊNCIAS ENTRE A OBRA DO ESCRITOR BAIANO ALEILTON FONSECA E O DISCURSO DE EUCLIDES DA CUNHA ACERCA DE ANTÔNIO CONSELHEIRO EM OS SERTÕES

Débora Cunha Costa (Grad. UNEB/Euclides da Cunha)

Ariane de Andrade Freitas (Grad.UNEB/Euclides da Cunha)

Dia 23/09 – quinta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 8 – Literatura e questões culturais

Sala Edith Gama (Térreo)

Coordenação: Enelita de Sousa Freitas (UNEB)

A CONFIGURAÇÃO DE UM HERÓI ÀS AVESSAS EM SARGENTO GETÚLIO, DE JOÃO UBALDO RIBEIRO

Enelita de Sousa Freitas (UNEB- Teixeira de Freitas)

MEMÓRIA, LINGUAGEM E IDENTIDADE: RELEITURAS DO PASSADO EM O PÊNDULO DE EUCLIDES, DE ALEILTON FONSECA.

Alcineia Corrêa dos Santos (Grad./UNEB)

Regina Pereira do Carmo(Grad/UNEB)

REPRESENTAÇÕES DA CULTURA E RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA NA OBRA A LEI DO SANTO, DE MUNIZ SODRÉ

Valdineia dos Santos Santana (Grad./UFBA)

MEMÓRIAS DE VELHO: SEMIOSE TESTEMUNHAL DA CIDADE SOL EM PROSA POÉTICA E POPULAR

Antonio Brito de Souza Junior (IFE Baiano)

LUIZA PRINCESA: UMA REPRESENTAÇÃO DE LUIZA MAHIN NO ROMANCE HISTÓRICO DE PEDRO CALMON

Aline Najara Silva Gonçalves (UNEB-Alagoinhas)

O ARCHANJO EXU OU DAS ORIGENS MÍTICAS DE MESTRE PEDRO - UMA ANÁLISE EM TENDA DOS MILAGRES, DE JORGE AMADO

Antônio Carlos Monteiro Teixeira Sobrinho (UNEB)

POESIA E RESISTÊNCIA: O SUJEITO REFLEXIVO DA POESIA DE ROBERVAL PEREYR

Idmar Boaventura Moreira (UEFS)

Dia 24/09 - sexta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 9 – Estudos críticos de Literatura Baiana

Auditório Magalhães Neto

Coordenação: Flávia Amparo (UFF-RJ)

VAMOS FALAR DE TERESA: PRESENÇA DE TERESA NA OBRA DE AUTORES BAIANOS, DO BARROCO AO SÉCULO XX

Flávia Amparo (UFF-RJ)

MÚCIO TEIXEIRA: A FONTE IGNORADA DA BIOGRAFIA DE CASTRO ALVES

Paulo Roberto Alves Santos (UFSM-RS)

TERRAS DO SEM FIM: DESTINOS PARALELOS MOSTRAM A RELAÇÃO ENTRE ECONOMIA, POLITICA E COMPORTAMENTO HUMANO

Renata Cristina Pereira Maia (EMZR-MG)

TURISMO E LITERATURA: EM MEMÓRIA DE CASTRO ALVES

Maria da Conceição Pinheiro Araújo (IFBA)

LITERATURA E HISTÓRIA: UM ESTUDO DA TRILOGIA DO CORONELISMO DE WILSON LINS

André Luís Machado Galvão (UFRB)

TOTONHIM E AS “VIAGENS” DE (RE) CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA - UMA ANÁLISE DAS ESTRUTURAS NARRATIVAS DA OBRA O CACHORRO E O LOBO, DE ANTÔNIO TORRES

Ulisses Macêdo Júnior (PpgLDC/UEFS)

A TENSÃO ENTRE O MITO E A RAZÃO NAS NARRATIVAS DE GLAUBER ROCHA E GUIMARÃES ROSA

Marisa Áurea de Sá Falcão (PPGLitC /UFBA)

Dia 24/09 - sexta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 10 – Abordagens da Literatura Baiana

Auditório Pedro Calmon

Coordenação: Rosana Ribeiro Patricio (UEFS)

HISTÓRIA E MEMÓRIA NA NARRATIVA MEDAUARIANA

Juciene Silva de Sousa Nascimento (PpgLDC-UEFS)

O VOO DO CONDOR NO REINO LITERÁRIO D’A PEDRA DO REINO, DE ARIANO SUASSUNA

Gildeone dos Santos Oliveira (PpgLDC-UEFS)

DA JANELA EU VIA... A PERSPECTIVA DA NARRADORA EM NHÔ GUIMARÃES DE ALEILTON FONSECA

Carolina Silva Moraes Pereira (PpgLDC-UEFS)

A VALORIZAÇÃO DA CULTURA POPULAR NO ROMANCE NHÔ GUIMARÃES, DE ALEILTON FONSECA

Elizangela Maria dos Santos (PpgLDC-UEFS)

VENTO DE VERSOS NA POESIA NEGRA DE LANDÊ ONAWALE

Denilson Lima Santos (FACE)

EU ME LEMBRO QUE... A PRESENÇA DA MEMÓRIA NO ROMANCE O PÊNDULO DE EUCLIDES, DE ALEILTON FONSECA

Edilane Abreu Duarte (PpgLDC-UEFS)

A MULHER DOS SONHOS: NOTAS SOBRE OS CONTOS DE HUMOR DE ALEILTON FONSECA

Marcelo Brito da Silva (PpgLDC/UEFS)

Dia 24/09 - sexta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 11 – Literatura Baiana: identidades e representações

Sala de Reunião (Térreo)

Coordenação: Nildecy de Miranda Bastos

REPRESENTAÇÃO E IDENTIDADE NA OBRA O SANTO INQUÉRITO, DE DIAS GOMES

Rosana Ramos Chaves (Pós-Grad. PPGLR/ UESC)

O SANGUE DERRAMADO: VIOLÊNCIA, CRUELDADE E VINGANÇA EM CORPO VIVO DE ADONIAS FILHO

Wanessa Guimarães da Silva (PpgLDC/UEFS)

RUY ESPINHEIRA FILHO: LIRISMO, MEMÓRIA E MELANCOLIA.

Mayara Michele Santos de Novais (PpgLDC-UEFS)

A (RE)CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS EM O CÃO AZUL E OUTROS POEMAS, DE GLÁUCIA LEMOS.

Fabricia dos Santos (Grad./UFBA)

IDENTIDADE E CONSTRUÇÃO: IMAGENS NEGRAS NA POESIA SOSIGENESIANA.

Jafé da Silva Cardoso(Grad./UNEB – T. Freitas)

LITERATURA FEMININA NOS CADERNOS NEGROS: REFLEXÕES SOBRE POEMAS DE MEL ADÚN

Shagaly Damiana Araujo Ferreira (Grad. UFBA)

UM POETA DO ROMÂNTISMO EM FEIRA DE SANTANA: FRANCISCO DE SALES BARBOSA

Cintia Portugal de Almeida (Grad./UEFS)

Dia 24/09 - sexta-feira – 14h30

Sessão de comunicações 12 – literatura baiana e cidade

Sala Edith Gama (Térreo)

Coordenação: Benedito Veiga (UEFS)

CASTRO ALVES E JOSEF STALIN: PROXIMIDADES AMADIANAS

Benedito Veiga (UEFS)

A LÍRICA URBANA EM FERNANDO DA ROCHA PERES

Rafaela Giovana Lima Santana (PpgLDC/UEFS)

CAPITÃES DA AREIA, NO APRENDIZADO DA CIDADE.

Luiz Antonio de Carvalho Valverde (UNEB/Conceição do Coité)

OLHARES SOBRE A CIDADE DE SALVADOR ATRAVÉS DE CAPITÃES DA AREIA, DE JORGE AMADO

Taise Teles Santana de Macedo (Esp. em Estudos Literários/UEFS)

A REPRESENTAÇÃO DA CIDADE NA LITERATURA BAIANA: UM OLHAR SOBRE O CONTO “REPORTAGEM URBANA” DE ARAMIS RIBEIRO COSTA.

Lilian Daianne Bezerra Mota (PPGLitC UFBA)

A REPRESENTAÇÃO DA SALVADOR CONTEMPORÂNEA NOS CONTOS DE JEAN WYLLYS

Juan Müller Fernandez (Grad.UNEB/Salvador)

XAVIER MARQUES E O PAPEL HISTÓRICO DA BAHIA EM O SARGENTO PEDRO

Arlania Menezes (PpgLDC/UEFS)

PINTO DE AGUIAR E HÉLIO SIMÕES NA LÍRICA BRASILEIRA: PERDIDOS & ACHADOS

Cleberton dos Santos (CEGLVF - UEFS)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

RELEITURAS DE UM CONTO DE ALEILTON FONSECA

Por:Angélica Milano Siqueira Ramos
(p.2)
Este artigo visa fazer uma releitura do conto de Aleilton Fonseca, Jaú dos bois, e ao mesmo tempo fazer análise, tecer comentários acerca de um tema que a princípio pode passar despercebido ao leitor, que em primeira instância só percebe o jogo do poder que resulta no sofrimento do personagem principal Jaú. Entretanto, após uma releitura mais aprofundada, notamos questões relacionadas a gênero que iremos abordar neste trabalho.
Segundo Coutinho:
A literatura, como toda arte é uma transfiguração do real, é a realidade recriada, através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são gênero, e com os quais ela toma corpo e nova realidade.
Gostaria de reproduzir inicialmente um trecho de uma das obras mais sensíveis e comoventes da literatura brasileira, o relato sobre Miguilim personagem da obra "Campo Geral" de Guimarães Rosa. Quero assim pontuar sobre a importância da leitura de obras literárias que realmente podem literalmente "abrir" nossos olhos, e nossa mente.
Vivia, lá no longe do sertão mineiro, um menino meio calado, muito triste que buscava entender as coisas que não entendia: da sua cidade Mutum , da sua casa, da ausência – do pai e do irmão querido, Dito. Chamava-se Miguilim, e arrastava a mesmice da tristeza de seus oito anos. Até que um dia vêm vindo na estrada dois homens a cavalo. Um todo de branco, perguntava o nome do menino.
- Miguilim. Eu sou o seu irmão Dito.
- E o Dito é dono dessas terras?
- Não. O Dito está em glória – Miguilim respondeu os olhos apertados.
O doutor quis falar com o pessoal da casa. Havia gente lá? Havia, sim: a mãe, o tio Terez... já na sala, saboreando o café, o estranho torna a reparar em Miguilim.
- Esse nosso rapazinho tem vista curta – o doutor coloca seus óculos no rosto do menino.
Miguilim nem podia acreditar! Pela primeira vez via as coisas direitinho! "Tudo era uma claridade, tudo de novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas." E ele corre, e olha tudo, e fala sem parar, e olha de novo, agora descobrindo o mundo...

Miguilim poderia levar uma existência inteira restrito em sua pouca visão a um mundo reduzido a imagens mínimas e sem clareza, e nem ao menos saberia que era tão míope, o mundo para ele não se mostrava claramente, mas como saber se aquela era sua condição? Ele jamais saberia.
O seu futuro seria de oportunidades reduzidas por conta de sua deficiência visual, não veria a beleza de um dia ensolarado, a natureza com suas nuances coloridas, poderia até chegar a formar família sem ver claramente o rosto de sua esposa e seus filhos, viveria sem perceber muita
(p. 3)
coisa do mundo. Felizmente algo inusitado aconteceu em sua vida. Apareceu o doutor com seus óculos, e o menino pode realmente ver.
Com relação à escrita e a leitura acontece mais ou menos à mesma coisa. A leitura do texto literário representa o que os óculos representarem para Miguilim: a capacidade de enxergar aspectos da sociedade com mais entendimento e propiciar maior argúcia das mudanças do mundo ao nosso redor. E isso resulta em um encantamento maior que advêm da constatação do poder da linguagem, e particularmente o valor das palavras em nossas vidas. Se a leitura é sobre tudo a compreensão dos autores a escrita é sobre tudo a compreensão do próprio sujeito. Sem a leitura e sem a escrita, muitos relatos e histórias da humanidade de suma importância.
Precisamos nos conhecer e conhecer o outro para que possamos participar de forma plena, da vida, da vivência com os outros e da construção de uma sociedade. A escrita de Aleilton Fonseca nos proporciona uma "viagem" além da página escrita, em seus contos. Olhamos para dentro de nós e reconhecemos afinidades com as idéias que perpassam seus contos em que a memória se fez presente, vida e morte nos trazem uma possibilidade de entendimento e de atitudes perante a forma de vida que adotamos.
Existe no texto de Aleilton Fonseca um "intercambio de experiências" como pontua Rita Aparecida em seu texto Posfácio – O conto de Aleilton Fonseca: a permanência do narrador.
O escritor baiano nos traz o narrador e junto com ele toda uma riqueza do fazer literário que confere a seus contos uma beleza singular, as narrativas de Aleilton Fonseca proporcionam uma forma de catarse de nossas próprias tristezas enclausuradas e não resolvidas, aquelas que colocamos a parte no disco rígido, no HD de nossa mente e deixamos latente quando nos deparamos com a temática da morte, memórias descritas em seus contos, forçosamente às nossas lembranças vem à tona. Por isso os contos do escritor Aleilton Fonseca têm uma função terapêutica e purificadora.
Os contos de Aleilton Fonseca perpassaram temas referentes a memórias que permitem aprendizagem de vida e de morte e induz o leitor a repensar sua condição de vida.
Há sempre uma volta ao passado, lembranças reminiscências, memórias, o homem e seu passado, o passado influenciando e transformando a trajetória da vida. A inquietação e o pensamento de que o passado poderia ser diferente, e diante da impossibilidade de mudar o passado pensa-se no que se pode fazer agora a aprendizagem da vida através da morte há uma mudança de paradigma a partir do evento morte que pode ser visto no final do
(p. 4)
conto "O Sorriso da Estrela" quando o narrador confessa no final: "Agora eu sinto que sou Dindinho", o apelido que ele rejeitava quando sua irmã era viva.
No conto "O Sorriso da Estrela", vemos as memórias à vida e a morte mostra-se uma obra terapêutica, pois, nos coloca num estado de purificação expurgo de alma ao nos identificarmos com a situação e percebe-se o esforço de apagamento da imagem do feminino "eu a considerava um estrago na minha vida", "Quis muito que morresse". A fala do personagem perpassa a questão de gênero quando se tenta silenciar a mulher, a voz feminina é abafada, entretanto, no conto a personagem feminina é centralizada apesar de não "falar" sua memória é apresentada, sua influência é patenteada e nos diálogos relembrados passa a ser a pedra de toque e o narrador no decorrer do texto permite perceber a forte presença feminina da mãe, da madrinha, e de Estela sua irmã.
No conto Jaú dos bois, algo que nos chama a atenção é o cenário distante da urbe com suas imagens fortes que cansam a vista, a cidadezinha com sua simplicidade e carências, é também um oásis em um mundo que preza tanto o desenvolvimento tecnológico com seus problemas e neuroses. O primo vai ao encontro de seu primo segundo Jaú dos bois, para levá-lo para tratamentos médicos na capital. Ironicamente a falta de "capital" causou a doença do primo como se percebe ao longo da leitura do conto.
O filho de José saiu da cidade e foi em busca de lembranças, memórias da infância de seu pai, parte da história paterna. A vida foi dura para Jaú que não teve muitas oportunidades, sempre viveu na pequena cidade, entretanto, ele tinha um tesouro que era sua história, valia a pena todo o sofrimento da viagem que seu primo enfrentou. No conto encontramos semelhança com outras obras da literatura brasileira, como por exemplo, "Vidas Secas" de Graciliano Ramos, seria Jaú dos bois outro Fabiano? Como "Fabiano: ele era um trabalhador explorado, labutava muito e ganhava pouco, era tão pouco que não dava nem para fazer uma "feira", apesar de trabalhar muito só recebia uma "ajuda".
Jaú também não tinha filhos, o que nos faz lembrar outro personagem de nossa literatura, especificamente da obra machadiana, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Onde o narrador diz que Brás Cubas não teve filhos talvez para não transmitir o legado de miséria. Teria sido esta a mesma razão do primo Jaú não ter filhos? Não teve filhos, não conseguiu comprar os bois Moreno e Marinheiro e assim livrá-los da morte, não chegou a ver sua história registrada escrita com palavras que não podia ler.
Contudo, o primo tinha esperanças, apesar de ter uma vida marcada por eventos tristes, mesmo assim ele acalentava em seu intimo a esperança que
(p.5)
aquele primo que veio da cidade como um filho tardio poderia sim registrar suas memórias de infância, suas aventuras, seu ofício sua vocação no trato com os bois, sim ele nutria esta esperança que afinal seus dias estavam findando, infelizmente ele já não podia mais esperar pelo primo tinha que partir, talvez pudesse assim descansar das lembranças que tornavam seus dias tão pesados, tão difíceis de suportar e antes de morrer preparou o legado para o primo, (a sua foto ladeado pelos bois Moreno e Marinheiro) como um pedido, um último pedido quem sabe após a sua morte sua história será enfim contada. Assim Jaú dos bois morreu com o acalento de quem tem com quem contar para enfim fechar um ciclo e iniciar outro. Com início e fim.
Percebe-se uma história de amor entre Jaú e os bois o que produz uma inquietação é a presença de Marta neste conto ela era a mulher de Jaú. Uma mulher sertaneja forte e trabalhadeira que certamente deve ter contribuído para que Jaú juntasse os cinco mil que ele ofereceu duas vezes pelos bois Moreno e Marinheiro, isso nos leva a pensar que tipo de vida Jaú oferecia a sua esposa já que se conformava em trabalhar para receber menos da metade de Jaú as sobras de amor que ele dedicava todos os dias aos bois.
Segundo Michel Focault no seu livro História da sexualidade:
"Mas aquele que se preocupa consigo mesmo não deve somente se casar, ele deve à sua vida de casamento uma forma refletida e um estilo particular. Esse estilo, com a moderação que ele exige, não é definido unicamente pelo domínio de si e pelo princípio de que é preciso governar-se a si próprio para poder dirigir os outros, ele se define também pela elaboração de uma certa forma de reciprocidade; no vínculo conjugal que marca tão fortemente a vida de cada um ser idêntico a si como um elemento com o qual se forma uma unidade substancial." ( Focault, p. 164)
Marta e Jaú não eram casados de acordo com o modelo apresentado por Michel Focault, na vida do casal certamente havia interesses conflitantes, um marido que amava uma junta de bois, e que ao passar pela separação dos animais, ele não tem mais ânimo para nada, sua vida acabou. Será que Marta compartilhava esses mesmos sentimentos? Como esposa e mulher seu interesse deveriam estar bem distantes dos interesses do seu marido, certamente questionava o fato dele trabalhar quase de graça já que era ela que completava o dinheiro da feira com o fruto de sua luta árdua.
Em nenhum momento Jaú revelou que pediu opinião a sua mulher sobre a questão dos bois, se seu patrão aceitasse os cinco mil que ele ofereceu com certeza ela não seria nem consultada nesse negócio. Percebemos que Marta na primeira visita do primo larga a vassoura e vai coar o café e é só, não tem vez nem voz, não tem retrato na parede ao lado do marido, é apenas uma
(p.6)
figurante na história de vida de Jaú sua função é assistir o marido na agonia de seu coração dilacerado pela perda insuportável que ela nem de longe poderia amenizar. No final do conto Marta recebe um forte abraço do primo que "transmite" para ela o abraço que seria para o primo. Ela é a porta-voz do último desejo de Jaú ela entrega o legado a ele. Stuart Hall no livro "A identidade Cultural na Pós Modernidade" diz:
Assim, a identidade é realmente algo formado ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento. Existe sempre algo "imaginário" ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta está sempre "em processo", sempre "sendo formada". (Hall 2006, p. 38).
Jaú construiu sua identidade, seu nome "Jaú dos bois" se configura como uma construção identitária construída e em processo e ele sentia um forte desejo de registrar para posteridade, sua história seu amor pelos bois, sua habilidade para lidar com os bois, sua disposição para o trabalho, seu orgulho de saber e fazer bem seu ofício. Ao ler o conto Jaú dos bois pela primeira vez fiz a "análise" do conto e do personagem Jaú como uma pessoa injustiçada explorada, inocente, um pobre sonhador desiludido que fora vítima de sua ingenuidade perante a vida e as pessoas, alguém que foi vítima de um jogo de poder e que perdeu esse jogo.
Entretanto, após algumas releituras cuidadosas do texto pude enxergar outro Jaú, não como vítima, mas no lugar daquele que detém o poder de mando e decisão, sem querer desmerecer a análise em que de fato ele é visto como aquele que sofre a ação. Agora olhando como aquele que pratica o mando. Como marido de Marta percebe-se que ele prescreve, ele formula e toma decisões de forma individualizada, no momento em que o patrão comunica a ele que vai vender os bois, Jaú se coloca na posição de negociante, ele decide e faz uma proposta:
-Ô seu João, eu lhe dou cinco mil hoje pelos bois, e o resto do serviço que o senhor tiver todo o seu serviço eu vou fazer de graça, não lhe custa nada. O senhor me deixa os boizinhos na canga pra eu trabalhar.
O patrão não aceitou, ele queria receber todo o dinheiro imediatamente, reflexo de uma sociedade consumista imediatista e capitalista, não havia possibilidades de aceitar a oferta de Jaú, seus sentimentos nem de longe poderia alterar a decisão do patrão, não cabia a Jaú nenhum recurso, ele não (p.7)
tinha o "capital" necessário e suficiente para fechar aquele negócio. Mas, e se o patrão aceitasse a oferta? Que mudança essa atitude provocaria em sua vida? Ele continuaria trabalhando, e de graça pelo resto de sua vida pouparia a vida dos bois, entretanto, daria tudo o que tinha. Ao reler este trecho eu parei e me perguntei: Como ele pôde tomar uma decisão desta sem consultar sua esposa? Ou a opinião dela não era importante? Marta não conseguiu ser mãe, portanto não cumpriu o que se espera de uma mulher no casamento de modelo patriarcal que é ser mãe, dedicar-se a prole seria sua missão, restou-lhe ser apenas a mulher dona de case de condição dependente e subalterna, revelando a imagem de uma mulher passiva e subserviente já que no conto o universo é completamente masculino não existe espaço para a fala feminina.
Os sentimentos e a história de Marta nem de leve são relatados, é como se ela não contasse, é como se sua presença na vida de Jaú não tivesse a menor importância. Esse apagamento da personagem Marta é gritante, entretanto, pode passar despercebido após uma leitura rápida do conto. Ao fazermos uma releitura, porém salta aos olhos à passividade, a forte característica patriarcal que faz a questão de gênero aparecer no conto e nos induz a enxergar a dominação, a opressão e a exclusão que poderia ser camuflada pela condição de Jaú que não é visto como alguém que domina.
Imediatamente percebi outro Jaú dos bois, um Jaú que amansava os bois e eles ficavam mansinhos, mansinhos... Um Jaú que tem uma esposa mansinha, mansinha, sem vez e sem voz. Ela não é consultada nas decisões que afetam o casal, decisões que dizem respeito à Marta e a ele.
O conto é narrado em um cenário onde os personagens são masculinos os únicos personagens femininos são Marta, e a "vizinha" que tem a função só de "apoio", não tem participação importante na narrativa. A partir desta constatação, percebi o "apagamento" de Marta que apesar de ser a mulher de Jaú e consequentemente deve ter sido sua ajudadora e companheira de lutas e convivência e, portanto poderia ter maior representatividade na vida de Jaú, talvez até pudesse enriquecer as narrativas da vida dele apresentando uma visão a partir da sua posição de cônjugue.
Marta aparece no conto como uma personagem que não participa, não interfere, não opina como esposa de Jaú ela aparece impotente frente aos fatos: Seu marido viveu em função do trabalho ao lado dos bois Marinheiro e Moreno, quando os bois são vendidos no pacote do negócio vai também a alegria de viver Jaú, Marta assiste a todo o processo de desgosto agonia e morte de seu marido. Ela não questiona apenas aceita os fatos. Aleilton Fonseca nos premia com seus contos. Sua prosa é leve, profunda e consistente nos envolve e nos tira da inércia de simples leitores apáticos, enxergamos muitas possibilidades e somos induzidos a pensar em tantas leituras possíveis e esta é a grande sacada deste grande escritor baiano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas, (Ed, Sol) Edição auxiliar para vestibular: "Introdução" Ahcar,
COUTINHO, Afrânio (org.) A literatura no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio 1986.
FOCAULT, Michel. História da sexualidade: o cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal, 1984.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós Modernidade – Tradução Tomás Tadeu da Silva, Guaraciara Lopes Louro. 6. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
ROSA, João Guimarães. Campo Geral. In: ROSA, João Guimarães. Corpo de baile (sete novelas) Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.
FONSECA, Aleilton. O desterro dos mortos: contos, Rio de Janeiro, Ed. Relume Dumará, 2001.
*Aluna do curso de pós graduação em Estudos Linguísticos e Literários da Faculdade Santíssimo Sacramento - FSSS. Alagoinhas - BA

domingo, 5 de setembro de 2010

Seminário NARRATIVAS E VIAGENS DO JUNCO AO MUNDO 70 ANOS DE ANTÔNIO TORRES

8 e 9 de setembro de 2010
Local: ANFITEATRO - Módulo 2 - UEFS


PROGRAMAÇÃO

Dia 8 de setembro – quarta-feira - Manhã
8h00 – Credenciamento dos participantes

8h30h Abertura: Homenagem a Antônio Torres
Grupo de Câmera do CUCA
Participantes: Rosa Eugênia – Caroline Abreu – Neemias Nascimento – Daniel Costa

9h – Mesa: A trajetória do escritor – Diálogo com Antônio Torres
Interlocutores: Maria Lenilda Carneiro S. David e Carlos Mascarenhas
Coordenação: Aleilton Fonseca

9h50h - Hora do cafezinho

10h - Mesa: Aspectos, temas e traduções da obra de Antônio Torres
Coordenação: Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)

A expansão das fronteiras literárias no Junco de Antônio Torres
Ivana Teixeira Figueiredo Gund (UNEB)

Visões da terra e canção popular no romance O cachorro e o lobo
Maria Lenilda Carneiro S. David (UEFS)

Sonhos quixotescos e jogos narrativos: atalhos poéticos em Carta ao bispo
Eugênia Mateus de Souza (UNEB)

A desconstrução da identidade nacional na construção de O nobre sequestrador
Benedito Veiga (UEFS)

As traduções de Essa Terra para o inglês, francês e alemão
Décio Torres Cruz (UFBA/UNEB)

Dia 8 de setembro – quarta-feira – tarde
13h50 – Entrada no Auditório
14h às 17h - Oficina Literária: “Para gostar de ler e ouvir” – com Antônio Torres
17h – Sessão de autógrafos de livros do autor


Dia 9 de setembro – quinta-feira – Manhã


8h15 - Entrada no Auditório

8h30h - Mesa: “Nosso” Querido Canibal: Narrativa, deslocamentos e imagens
Coordenação: Roberto Henrique Seidel (UEFS)

Hospitalidade e canibalismo na literatura de Antônio Torres
Carlos Mascarenhas (UFPE)

Tradição e contemporaneidade: deslocamentos do narrador em Meu querido canibal
Francisco Assis Miranda Mota (UNIJORGE)

Imagens inaugurais e cenas urbanas: recorrências identitárias em Meu querido canibal
Elvya Shirley Pereira (UEFS)

9h50 – Hora do cafezinho


10h – Sessão de Comunicações: Antônio Torres: ficção, situações e vivências
Coordenação: Rosana Ribeiro Patricio (UEFS)

Essa terra: uma terra de lembranças
Mayara Michele Santos de Novais (PpgLDC-UEFS)

“Essa terra me enxota”: deslocamento e fragmentação do sujeito no romance Essa terra
Edinage Maria Carneiro da Silva (PpgLDC-UEFS)

A travessia pela cidade natal e a metrópole moderna em Antônio Torres
Rafaela Giovana Lima Santana (PpgLDC/UEFS)

Identidades fragmentadas – o olhar profícuo Pelo fundo da agulha
Ulisses Macêdo Júnior (PpgLDC/UEFS)

Caminhos da narrativa: uma leitura de O nobre sequestrador
Maria Goreth Figueredo Vasconcelos (PpgLDC-UEFS)

Representação da mulher nordestina no conto “O dia de São Nunca”
Jeane Freitas dos Reis(IC-Fapesb-UEFS)


Dia 9 de setembro – quinta-feira – tarde
13h50 – Entrada no Auditório
14h – Sessão de Comunicações: Antônio Torres: comparações, diálogos e inserções
Coordenação: Francisco Ferreira de Lima (UEFS)

Sátiros d’Essa Terra releem Antônio Torres, o caboclo setenta
Cristiana da Cruz Alves (PPGCC-UNEB)

Por um pé de feijão e por um pedaço de chão: diálogos entre o conto de Antônio Torres e “Santana quemo-quemo” de Antônio Carlos Viana
Tatiane Santos de Araújo (PpgLDC-UEFS)

O indígena na cultura brasileira: estudo comparativo de Meu querido canibal e A confederação dos tamoios
Ana Célia Coelho (IC-Probic-UEFS)

Cunhambebe ou Peri? Duas faces de um mesmo mito
Andreia Ferreira Alves Carneiro (PpgLDC -UEFS)

A trilogia de Antônio Torres nos intercalços da migração
Amanda Silva (PpgLDC-UEFS)

Antonio Torres e Miguel Torga: Visões do sertão no olhar do menino
Marcelo Brito da Silva (PpgLDC -UEFS)

15h45 – Hora do cafezinho

16 h – Mesa: O conto de Antônio Torres
Coordenação: Roberto Henrique Seidel (UEFS)

Memória e infância em Meninos, eu conto
Thiago Lins da Silva (PpgLDC-UEFS)

Os móbiles da memória em Meninos, eu conto
Aleilton Fonseca (UEFS)


16h40 - Encerramento: Homenagem a Antônio Torres – Palavras finais

17h00 - Lançamento do livro:
Espaço nacional, fronteiras e deslocamentos na obra de Antônio Torres
(Organizadores: Roberto Henrique Seidel & Cláudio Cledson Novaes)

17h10 - Sessão de autógrafos de livros de Antônio Torres

domingo, 22 de agosto de 2010

Seminário Antônio Torres


domingo, 8 de agosto de 2010

Aleilton Fonseca: entre a memória e o imaginário / Entrevista

Por: Paula Ivony Laranjeira de Souza



Trecho da entrevista realizada em 2008 (para trabalho de TCC) com Aleilton Fonseca, que além de poeta, contista, romancista e membro da Academia Baiana de Letras, é professor-doutor na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Numa conversa significativa, o olhar fonsequiano sobre a literatura e as experiências cotidianas guardadas na memória, alimento do seu fazer literário. Após esta entrevista, é possível entender que o sujeito de que fala em seus textos faz parte de suas vivências – reais ou imaginárias. Personagens estes que também se configuram em sujeitos das nossas vivências.


1. Você nasceu no interior, mais precisamente Firmino Alves. Como era sua vida nesta e/ou em outras cidades do interior que já tenha morado?

R- Passei apenas a primeira infância em Firmino Alves. Quando tinha 4 anos de idade, minha família se mudou para Ilhéus. Lembro-me da paisagem rural, as roças de gado, de cacau e as casas de farinha, rios, plantações – e lembro de cenas cotidianas do centro da pequena cidade de Firmino Alves, que emancipou em 1960.

2. Elas contribuíram de alguma forma para a criação do espaço ficcional em seus contos? De que forma?

R – Creio que sim; todas as experiências acumulam-se como um saber que se manifesta naquilo que escrevemos. Toda obra literária tem um lastro na vivência e na imaginação. Esses saberes se manifestam nos temas, na configuração dos personagens, nos valores que são acionados nas tramas dos contos.

3. Ao ler seus contos nos deparamos com dois temas: a memória e a morte. Em entrevista a José Inácio V. de Melo, você fala sobre o porquê da temática morte, mas e a memória, estaria relacionada ao “Boom da memória” das gerações pós-guerra? Ou tem outro motivo?

R – A memória com que trabalho não é datada; ela é intrínseca ao ser humano como um material que constitui um saber do vivido, do intuído e do imaginado. A memória de nosso viver cotidiano se constitui como uma marca pessoal; cada indivíduo possui essa memória, essa consciência de si, dos outros e do mundo, da existência, da vida e dos saberes. Eu me utilizo dessa memória e a reconfiguro através da imaginação para inventar personagens e situações ficcionais como simulacro da realidade. Por isso, minha ficção assemelha-se a vivências reais.

4. Sobre seu livro O desterro dos mortos, como você o define?

R – Trata-se de um livro em que a ficção se torna uma forma de compreender o sentido das perdas e resolver seus vazios através das epifanias do cotidiano. Onde há vazio, na verdade manifesta-se algo que ainda não percebemos. Na dialética da vida, nenhuma perda é vazio total, pois inaugura a possibilidade do que vem a ser em lugar do que se perdeu. O livro mostra isso: as perdas são momentos de descobertas e de crescimento.

5. O conceito de mimesis é, para a compreensão da Poética de Aristóteles, um termo chave que sustenta suas considerações a respeito da Arte poética; termo este que designa, em sua acepção mais geral, imitação. Como você relacionaria O desterro dos mortos e a mimese?

R- Acredito na literatura como “lições de vida”, ou seja, como simulacro de uma realidade possível, porém não real e sim imaginada, que guarda verossimilhança com a vida e se torna uma forma de vivência vicária. Nesse sentido, adoto o princípio aristotélico de que a literatura é verossimilhança e catarse. O desterro dos mortos é isso: catarse e verossimilhança, pois a imaginação recria uma realidade possível, como forma de atingir os afetos, os sentimentos do leitor, levando-o a vivenciar momentos de catarse e reflexão.

6. Ao entrar na universidade de todas as descobertas que fiz, a mais preciosa foi a de que a literatura não era algo dado e acabado. No entanto, muitas pessoas não têm acesso à universidade e infelizmente acabam não conhecendo o lado “vivo” da literatura. Muitos não têm acesso às novas produções literárias. Em sua opinião, o que contribui para isso?

R – A cultura ocidental tende a sacralizar as obras e os autores, tornando-os referências distantes do cotidiano das pessoas. A literatura deve ser vista como um processo em aberto, pois o sentido último de cada obra é dado, revelado e renovado a cada leitura. Todo leitor é autor, no ato da leitura, pois ele instaura os sentidos que se atualizam em sua leitura. O texto pode ser retomado, reescrito, reelaborado, pois se oferece a um processo contínuo de produção de sentidos. Todos deveriam poder vivenciar a literatura de uma perspectiva de “dentro”, como leitor/re-escritor. Isso tornaria a literatura uma prática mais coletiva e mais próxima de todos.

7. O que se percebe é que você sempre foi muito atuante no que se refere a literatura: movimentos literário, revistas, poesias, prosa, crítica literária. Como é ser um escritor nesse país e/ou na Bahia?

R – Muito difícil. Na Bahia um autor publica dez livros, os jornais noticiam todos, e nem assim ele se torna conhecido e respeitado como escritor. Nosso estado ainda não assimilou a literatura e o escritor como elementos da cultura e da economia que valem a pena como investimento simbólico e econômico. Não se promovem os escritores no sistema de ensino, não se promove o livro como bem de consumo importante e indispensável à formação integral do cidadão. Tudo que se faz aqui é muito pouco e sem perspectiva de continuidade e de consistência. A Bahia precisa de uma política de educação para a leitura, uma campanha de valorização do livro para consumo cotidiano.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

CURSO CASTRO ALVES 2010 - V COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA


22 a 24 de setembro - das 14h30 às 19h30 - Carga horária: 20 h
Academia de Letras da Bahia
PONTO DE CULTURA ESPAÇO DAS LETRAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E DIVERSIDADE CULTURAL- DLA/UEFS
Local: ALB - Av Joana Angélica, 198 Nazaré- Salvador- BA - tel (71) 3321-4308



INSCRIÇÕES:
Prezados(as) colegas e colaboradores:
Este ano, o Curso Castro Alves 2010 e o V Colóquio de Literatura Baiana acontecem nos dias 22, 23 e 24 de setembro de 2010, na Academia de Letras da Bahia.
Além das mesas principais (aguardem o programa final) às 17h, teremos sessões de comunicações nos 3 dias, das 14h30 às 16h40.
São apenas 40 vagas para comunicações sobre autores, obras, temas e questões de literatura baiana.
As inscrições para apresentação de trabalho vão até o dia 31/08/2010, mas só enquanto houver vaga.
O(a) interessado(a) deve preencher a ficha, e enviar, com o título, seu nome e instituição e resumo de 5 a 8 linhas.
Para ouvintes em geral, a inscrição custará 5 reais, e será até o início do evento. São apenas 120 vagas no total.
As inscrições só serão aceitas enquanto houver vaga.
Para participar, por favor, solicitar e/ou preencher a ficha de inscrição (cf. abaixo) e enviar para o e-mail aleilton50@gmail.com
Ao enviar a ficha, aguardar a CARTA DE ACEITE.
Para apresentar trabalho, o interessado poderá efetuar o pagamento da taxa de inscrição conforme instruções que receberá anexas à carta de aceite.
Serão conferidos certificados de 20 horas aos participantes (com valor de atividade complementar para graduandos).
Após o evento, haverá uma seleção dos trabalhos apresentados para um livro a ser publicado em 2011.
Pedimos, por obséquio, divulgar esta circular a alunos, colegas e outros eventuais interessados.
Atenciosamente:
Aleilton Fonseca - Coordenador

(Recorte esta ficha, cole num e-mail, precnha e envie para aleilton50@gmail.com )

FICHA DE INSCRIÇÃO
Identificação:
Nome completo:
Profissão:

Instituição:

Endereço completo:
Tel:

e-mail:
Forma e taxa de Inscrição:
( ) OUVINTES (Estudante, graduados, etc) - valor: R$ 5,00 - a pagar na Academia, no primeiro dia do evento.

( ) Estudante/graduação c/Apres. de Comunicação (IC ou pesquisa, com o nome do orientador) - valor R$ 20,00
( ) Profissional/pós-graduando/outro (c/ Apres. de Comunicação) - valor R$ 50,00


Titulo da Comunicação:

Nome/instituição

Orientador/instituição (quando for o caso)

Resumo de 5 linhas:
Data: ___/08/2010.

OBS: Após o envio, aguardar o e-mail de CARTA DE ACEITE, e instruções para consolidar a inscrição.
PROGRAMA DO EVENTO

16/09 - Quarta-feira

14h30 - Sessões 1, 2 e 3 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Conferência

18h30 - Apresentação artística

17/09 - Quinta-feira

14h30 - Sessões 4, 5 e 6 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Mesa redonda

18h30 - Lançamento dos livros dos eventos 2008 e 2009.

18/09 - Sexta-feira

14h30 - Sessões 7, 8 e 9 - Comunicações de Literatura Baiana

17h00 - Conferência: O lirismo em Castro Alves - Antônio Carlos Secchin

18h20 - Encerramento

18h30 - Apresentação artística

Presidente: Edivaldo M. Boaventura (ALB)
Coordenador: Aleilton Fonseca (UEFS/ALB)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Encontro Literário da Academia de Letras da Bahia


Em Salvador, nesta quinta-feira.


Clique no cartaz p maiores informações.

sábado, 10 de julho de 2010

Entrevista exclusiva com Aleilton Fonseca


Por: Rinaldo de Fernandes



Aleilton Fonseca é ficcionista, ensaísta e poeta. Publicou vários livros, entre os quais as coletâneas de contos Jaú dos bois (Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997), O desterro dos mortos (Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001), O canto de Alvorada (Rio de Janeiro: José Olympio, 2003; 2ª edição em 2004), o ensaio Enredo romântico, música ao fundo (Rio de Janeiro: 7 Letras, 1996) e os romances Nhô-Guimarães (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006) e O pêndulo de Euclides (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009). Recebeu, entre outros, o Prêmio Nacional Herberto Sales/Contos (2001) da Academia de Letras da Bahia. É co-editor de Iararana: revista de arte, crítica e literatura, editada em Salvador desde 1998. Em agosto de 2004, foi eleito para a cadeira 20 da Academia de Letras da Bahia. Doutor em Letras pela USP, é professor de Literatura Brasileira na Universidade Estadual de Feira de Santana (BA).

Rinaldo de Fernandes – Você tem dois romances publicados, ambos na linha da intertextualidade: um dialoga com Guimarães Rosa e o outro com Euclides da Cunha. Por que essa opção?

Aleilton Fonseca – Antes de tudo, sou um leitor, e esses dois autores contribuíram muito para a minha formação e identidade intelectuais. Os temas rosianos me impressionam e o texto euclidiano sobre Canudos me deixa perplexo. Por isso, eu quis dialogar com a trajetória e a escrita de ambos. Meus dois romances os transformam em personagens de ficção, e, ao mesmo tempo, trazem à discussão certos aspectos de sua narrativa, em face de suas ideias e experiências de vida. Ao lado disso, tento criar situações novas em que a voz sertaneja assume o lugar principal da narrativa, fluindo em torno dos temas, apresentando outras nuanças e outra compreensão dos fatos culturais e históricos do sertão.

Rinaldo de Fernandes – Outra característica importante de seus romances é a oralidade. Fale sobre isso.

Aleilton Fonseca – Isso tem a ver com a minha formação híbrida, ao mesmo tempo sertaneja, na infância, e citadina, na juventude. Cresci ouvindo histórias maravilhosas contadas por minha avó e minha mãe. Sou de origem rural, e ainda jovem migrei para a cidade. A oralidade está na base de minha formação e de minha imaginação, daí procuro estabelecer uma transição desse universo para a escrita, mas sem apagar suas marcas culturais. Geralmente os narradores letrados utilizam linguagens de origem escolar e bibliográfica (para não dizer livresca), já os narradores orais dão uma contribuição igualmente importante cuja fonte é a linguagem original da experiência direta com a vida, no seio das culturas populares.

Rinaldo de Fernandes – Você se considera um autor regionalista? O que é o regionalismo para você?

Aleilton Fonseca – Sou um escritor de língua portuguesa. Considero “Regionalismo” um rótulo ultrapassado, um equívoco na nomenclatura classificatória da literatura brasileira. Só existe aqui. O conceito vem sendo muito questionado ou relativizado em notas e introduções de teses e ensaios atuais. É preciso ter coragem de rever isso. Não é um termo literário, mas geográfico e sociológico, cuja origem remonta ao cientificismo do século XIX. Adquiriu um sentido ideológico, na medida em que tem servido para “isolar” autores diferentes, numa mesma rubrica, excluindo-os relativamente da “literatura nacional”. É preciso desmontar esse conceito e nos livrar de seu ranço ideológico.

Rinaldo de Fernandes – Você já falou em “romance baiano”. Como vê essa relação entre literatura regional e a de expressão nacional? Pode-se falar em “literatura baiana” ou mesmo “gaúcha”?

Aleilton Fonseca – No interior da cultura, a produção literária tem uma dimensão política, e isso tem a ver com publicação, difusão, consumo, reconhecimento e prestígio de autores, cujo epicentro pode ter origem nos lugares sociais e culturais nos quais eles se inserem, e de onde se podem projetar para o país e o mundo. Daí os adjetivos. É com essa compreensão que podemos falar em afirmação do romance baiano, do romance nordestino ou do romance gaúcho, mineiro, paraibano, etc. Essas definições pertencem a um campo extraliterário, porém pertinente e interveniente em termos de políticas culturais. Como pesquisador e como professor, tenho o direito de estabelecer um nicho de leitura, estudo e abordagem de romances produzidos por autores de um lugar (cidade, estado, região, país), com objetivos temáticos e afins, ou por interesse de promover uma afirmação cultural específica. Mas não se pode perder a dimensão de que as diferenças e especificidades locais não devem levar à exclusão nem ao isolamento, mas sim afirmar a identidade e a importância de um grupo dentro do universo plural da literatura.


Rinaldo de Fernandes – Como professor universitário, como pensa o ensino de literatura, hoje?

Aleilton Fonseca – É preciso promover a leitura e a vivência dos textos. A literatura precisa ser considerada como matéria do dia a dia das pessoas, não como mero objeto de estudo dissecado na mesa da sala de aula, numa operação meramente escolar. É preciso adotar os diversos modos de ler e dialogar com o texto literário, com consciência de que os instrumentos conceituais determinam o resultado das leituras. Não há a verdade sobre o texto, mas abordagens que são coerentes na medida em que estabelecem nexos inteligíveis e aceitáveis entre o texto e o método de aferição de seus diversos aspectos. Precisamos formar leitores sensíveis, que sejam capazes de dialogar com o texto, relacionando-o com suas vivências e sua visão de mundo. Se formos bons leitores, alguns de nós poderão ser bons analistas, críticos e exegetas. A literatura é muito útil. Faz muita falta a quem não lê. Devemos ensinar isso às novas gerações.

Rinaldo de Fernandes – O que acha dos prêmios literários? Eles têm que importância?

Aleilton Fonseca – Os prêmios são importantes e indispensáveis como forma de reconhecimento, recompensa e promoção de autores e obras, em várias modalidades da escrita e da vida cultural. Mas não são a última palavra sobre as obras e os autores. A forma de aferição nem sempre é justa, e às vezes são muito duvidosas. Alguns prêmios são consagradores, dando boa recompensa econômica e alto prestígio literário. No entanto, a maioria dos prêmios agracia os autores já consagrados, ou lhes concedem, às vezes tardiamente, altas somas pecuniárias. Creio que também deveríamos ter prêmios com uma política mais formativa, com gradações, com faixas de idade e faixas geográficas, de modo a destacar e promover escritores em formação, revelações, talentos emergentes e autores que estão a um passo de um reconhecimento em escala maior.

Rinaldo de Fernandes – Como vê a relação do escritor com a sociedade, com a política?

Aleilton Fonseca – O escritor é um cidadão como outro qualquer, com valores e ideias, qualidades e defeitos, acertos e equívocos. Numa sociedade pluralista e democrática, ninguém deve ter o privilégio de dizer “verdades”, mas todos têm o direito de emitir opiniões e participar do debate cotidiano. A ação social do escritor, para além de ser um produtor cultural, pode ser relevante a depender do seu grau de inserção, importância e aceitação na vida cultural e política do país. Há autores que têm uma voz social mais ampla, sobretudo aqueles que escrevem na imprensa, dão entrevistas, emitem opiniões, são consultados etc. Esses autores participam mais diretamente do debate, podendo, em alguns momentos, aparecer como porta-vozes da classe, ao emitirem opiniões sobre assuntos de interesse geral. No fundo, o que fica de um escritor são os seus livros, como propostas de reflexão sobre o ser humano e a vida, em seus diferentes aspectos. Não é pouco.


Disponível em: http://rinaldofernandes.blog.uol.com.br/ Acessado em:10/07/2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lançamento: Novo livro de Aleilton Fonseca: A mulher dos sonhos & outras histórias de humor


C O N V I T E
Lançamento do novo livro de Aleilton Fonseca:
A mulher dos sonhos & outras histórias de humor

Dia 5 de junho, sábado, das 10 às 13h30
Local: Livraria LDM , Rua Direita da Piedade, 20
Piedade- Salvador - Bahia
Tel. 2101-8000

Aleilton Fonseca é conhecido pela densa atmosfera de seus contos e romances, repletos de situações dramáticas encarnadas por personagens cujo maior desafio é encontrar-se e encontrar o outro, revendo o passado e revisando os sentidos de suas vidas. São histórias que emocionam, levando os leitores mais sensíveis à emoção e às vezes até às lágrimas.

Um autor dessa estirpe poderia escrever histórias de humor capazes de arrancar boas risadas? Este livro é uma ótima resposta. Aqui o leitor é surpreendido por 25 narrativas curtas, envolvendo situações do cotidiano, com jeito de relatos e toques de imaginação, cheias de ironia e senso de humor. São histórias plausíveis, encenando situações inusitadas e hilariantes – mas, ao mesmo tempo, tão realistas – que, por mais bizarras que sejam, parecem ser recolhidas diretamente da vida real.

O ficcionista controla a intensidade narrativa e dosa as peripécias a fim de conduzir o leitor a perceber gradativamente a armação da trama lúdica e humorística, concluindo cada relato com uma frase lapidar que condensa o sentido da trama e provoca o riso irremediável.

Como salienta Gerana Damulakis, as histórias deste livro são “muito bem contadas, inteligentes, vindas do observador – característica mor do escritor – e do sujeito que anda de mãos dadas com as ironias da vida.

sábado, 15 de maio de 2010

Prêmio Nacional da ABL






Mais informações no site:

http://www.academiadeletrasdabahia.org.br/hotpremio/index.html